<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497</id><updated>2012-01-20T23:27:34.657Z</updated><category term='Diversos'/><category term='Ecologia. Território. Ambiente'/><category term='Educação'/><category term='Ambiente'/><category term='Energia'/><category term='Economia'/><title type='text'>Bolinas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>127</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-6236951082431438423</id><published>2010-12-14T18:02:00.004Z</published><updated>2010-12-16T15:56:37.150Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Economia Social e Solidária</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A crise instalada tem trazido à discussão a necessidade de abordagens inovadoras para a economia. A preocupação central de alguns desses ensaios&amp;nbsp; vai no sentido de evitar ou diminuir os inconvenientes do granel a que se convencionou chamar economia de mercado, e nesse aspecto merecem-me incondicional adesão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos discursos que tem vindo a fazer caminho, apela para a responsabilidade social e para a solidariedade das empresas. Diz que as empresas devem ultrapassar o primado da remuneração do capital investido e incorporar na sua postura preocupações de carácter social relativas ao bem-estar dos seus colaboradores e de solidariedade para com as comunidades em que se integram. Fala-se então de Economia Social e Solidária. Mas há neste discurso alguns aspectos sobre os quais julgo que vale a pena reflectir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro é&amp;nbsp; a ênfase na distribuição, na necessidade de reflectir socialmente os resultados da actividade empresarial. Tudo indica que quando se diz “resultados” se pretende dizer “produto”. O pressuposto é, supõe-se, que se considera insuficiente a distribuição feito pelos salários e pelo Estado, nomeadamente pela via da tributação dos lucros das empresas e pela consequente prestação de serviços públicos. Então, além do eventual reforço da remuneração do trabalho e em lugar de um maior peso da carga fiscal, e por conseguinte do papel redistributivo do Estado, preconizam-se também esforços acrescidos de intervenção social directa das empresas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ideia é simpática. Remete para uma maior peso&amp;nbsp; da sociedade civil e das economias regionalizadas e de pequena escala na governação. Nada a opor, tudo a favor. Mas há uma questão: é que subentende-se garantido o sucesso das empresas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade os discursos a que tenho tido acesso são omissos no que respeita à solidariedade com o insucesso das empresas ou com a &amp;nbsp;possibilidade de repartição de prejuízos, e não mencionam o que quer que seja no que se refere&amp;nbsp; à questão de reflectir socialmente os riscos associados à iniciativa empresarial. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No subtexto dessa dupla omissão pode-se ser levado a intuir um certo género de preconceito, fundado no pressuposto de que todos os empresários são capitalistas e, por conseguinte, o risco é algo inerente à sua actividade. Bem, talvez não seja descabida a hipótese de que a maioria dos empresários não sejam capitalistas. Aqueles que estão vocacionados para exercer duradouramente actividade a nível local e regional, menos o serão. E para estes, talvez faça sentido questionar se será legitimo esperar-se deles níveis de suplementares de solidariedade&amp;nbsp;social, quando em contrapartida não se vê que haja quem se chegue à frente para discutir a partilha dos riscos e prejuízos que, quando ocorrem, os empresário assumem a titulo exclusivamente particular.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O segundo aspecto que gostava de abordar é&amp;nbsp;a aragem de "novidade" dos discursos sobre economia social e solidária.&amp;nbsp;A linguagem inovadora pode levar&amp;nbsp;a esquecer ou &amp;nbsp;a não reparar que há muito&amp;nbsp;as ideias que incorpora estão instituídas e em lugar de relevo no nosso sistema politico-económico. Ou seja, talvez não fosse necessário pedir às empresas que se comportem como misericórdias, uma vez que as soluções institucionais para enquadrar o ideário da economia social e solidária já foram inventadas e existem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O direito à constituição de &lt;strong&gt;associações e de cooperativas&lt;/strong&gt;, que são por excelência entidades onde se plasma na integra o ideário da economia social e solidária, há décadas que está consagrado na Constituição da República e regulamentado na Lei. E em rigor não se pode dizer que as associações e cooperativas não tenham&amp;nbsp; expressão&amp;nbsp; no tecido económico e social português. Outra&amp;nbsp;questão é&amp;nbsp; perceber que razões têm obstado a que o movimento associativo e cooperativo não se tenham reflectido de forma mais evidente na equidade e na solidariedade social que se desejam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O hábito instalado de questionar e responsabilizar os Governos&amp;nbsp;pelos insucessos da sociedade fará sentido neste domínio ? Talvez não faça. É possível que as pessoas não se associem na procura de vantagens colectivas estruturais, mas de benesses individuais. É possivel que apenas&amp;nbsp;&amp;nbsp;condições&amp;nbsp; de absoluta necessidade sejam capazes de promover a cooperação.&amp;nbsp;Esta hipótese&amp;nbsp; talvez encontrasse suporte em estudos de caso da relação temporal que associados e cooperantes têm com as suas&amp;nbsp; organizações mutualistas em Portugal. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A desresponsabilização ostensiva&amp;nbsp; de sócios e cooperantes pela&amp;nbsp;&amp;nbsp; gestão mutualista,&amp;nbsp;remete&amp;nbsp;tem remetido essas &amp;nbsp;organizações&amp;nbsp; para modelos de gestão profissional. A partir dai são empresas como as outras, frequentemente dotadas com estruturas profissionais mais empenhadas em manter a porta aberta em nome da preservação do posto de trabalho dos quadros , que na procura do bem comum. Talvez não fosse dificil de verificar a&amp;nbsp; facilidade que o cooperante típico da adega ou da caixa agrícola,&amp;nbsp; vende a alma à concorrência por um cêntimo de alcavala no revenue da uva ou dos juros. Para a cooperativa ( a quem os cooperantes se referem sempre na terceira pessoa - "eles" ! ) fica a uva com míldio que o mercado não quer e os empréstimos de risco que a banca comercial recusa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os resultados da banalização desta atitude terão tido papel decisivo na reduzida notoriedade e contributo do mutualismo no tecido sócio-económico português, ao ponto de quase se esquecer que existe e procurar-se reinventá-lo? Não faço ideia. Mas uma coisa é certa: &lt;strong&gt;o neoliberalismo capitalista não é obrigatório&lt;/strong&gt;. Por isso me atrevo a sugerir que talvez fosse pertinente reflectir sobre o seu sucesso a par da dificuldade cultural que temos revelado para agir colectiva e duradouramente em abordagens da economia que privilegiem&amp;nbsp; objectivos sociais. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-6236951082431438423?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/6236951082431438423/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=6236951082431438423' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/6236951082431438423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/6236951082431438423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/12/economia-social-e-solid%C3%A1ria.html' title='Economia Social e Solidária'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-8477418210483980471</id><published>2010-12-13T12:59:00.001Z</published><updated>2010-12-13T17:32:47.067Z</updated><title type='text'>(Re)PISA !</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu pensava que sobre o PISA já se tinham dito todos os dislates possíveis, surprise, surprise !&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;«Um conselho, em especial àqueles colunistas que foram mesmo jornalistas há muito tempo e que há muito tempo confundem jornalismo com telefonemas, almoços e jantares: façam algum trabalho de campo… descubram que escolas participaram no PISA 2009, comparem com as de 2006 e 2003 e depois digam-me lá se desta vez o ranking médio das escolas não foi mais elevado. Não sou dos que acham que a amostra foi maltratada; pelo contrário, acho que desta vez é que a coisa foi tratada com o devido cuidado. Não são estes resultados que são uma enorme surpresa, talvez os anteriores é que tenham sido abaixo do possível.»&lt;/em&gt; &lt;a href="http://www.blogger.com/goog_2084910911"&gt;Paulo Guinote!&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta autoridade insinua pois, preto no branco, que as amostras anteriores não foram aleatórias. Que de algum modo elas teriam sido manipuladas para revelar resultados fracos numa primeira fase, para depois usar a “realidade” como coroa de louros para as suas politicas. Não estou em condições de discutir a substancia técnica da questão, também não fiz o trabalho de campo nem o de casa sobre a amostragem utilizada. Mas é evidente que se a douta opinião estivesse de facto interessada em questionar a influência nas médias e nos rankings das técnicas de amostragem utilizadas e da sua&amp;nbsp; eventual manipulação, em coerência metodológica e cientifica, teria de tornar o duplo pressuposto&amp;nbsp; extensível a todos os países participantes no inquérito, certo ? Então porque não refere isso ? Será que tem em seu poder um “cabo”ainda secreto sacado do Wikileacks revelando que Portugal foi o único criativo do estudo que subornou a malta da OCDE para nos&amp;nbsp; ajeitar as amostragens em conformidade com uma elaborada cabala? Ainda haverá quem consiga defender que há seriedade neste debate ? Ou será que nos transformamos&amp;nbsp; numa sociedade de inimputáveis e não dei por isso?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-8477418210483980471?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/8477418210483980471/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=8477418210483980471' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8477418210483980471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8477418210483980471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/12/re-pisa.html' title='(Re)PISA !'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-1668705015827708548</id><published>2010-12-10T14:08:00.000Z</published><updated>2010-12-10T14:08:20.704Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>O PISA e o Ridículo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O desconforto de quem protagonizou a oposição à ex Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, com os resultados agora publicados pelo &lt;a href="http://www.oecd.org/document/61/0,3343,en_32252351_32235731_46567613_1_1_1_1,00.html"&gt;PISA 2009&lt;/a&gt;, tem sido notório. Se fosse uma reacção digna, seria apenas isso – um desconforto. Mas não. Como os resultados não estão conforme as teses de descalabro eminente do sistema, então abundantemente defendidas para justificar a oposição às medidas propostas, os seus autores resolveram agora afanar-se na contestação ao PISA. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maioria, básicos, começaram por atribuir os resultados ao facilitismo da avaliação sem cuidar de perceber que a avaliação é idêntica em todos os países participantes. Os sofisticados, a minoria, optaram por atribuir os resultados ao acaso. A óbvia fragilidade dos argumentos de uns e outros, oportunamente esquecidos de que antes usaram outros PISA como sólido suporte de contestação, foi salva pelos sindicatos, que vieram a público explicar em definitivo o fenómeno: os professores teriam resolvido dar uma chapada de luva branca na Ex-Ministra, arregaçando as mangas e trabalhando ( ?!) .&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poderia ilustrar o texto com vários links mas não gosto de contribuir para potenciar o ridículo de quem a ele assim se expõe. Quando se trata de classes profissionais inteiras, além de desgostoso fico também preocupado. Mas tratando-se de uma classe profissional que tem responsabilidades acrescidas na sociedade do futuro, “desgostoso” e “preocupado” não descrevem cabalmente o que sinto perante a imbecilidade desta reacção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Considero que na Escola a falta de exemplos de referência é pior que quaisquer insuficiências de preparação cientifica ou pedagógica de muitos professores. Na verdade interessam-me menos os comparativos, sejam os resultados do PISA em ciências, matemática ou literatura , que a formação cívica e humana das criaturas que estão “condenadas” a passar na Escola uma parte muito significativa das suas vidas. A sensatez auto-critica que evita a exposição ao ridículo é uma parte importante dessa formação e cultiva-se pelo exemplo. Mas não com exemplos como este que os professores de novo nos deixam. Não me surpreenderam porque são coerentes com as invectivas ad-hominem em que usavam à saciedade o epíteto de “vaca” ( versão soft ) para nomear o adversário politico. Não me surpreendem, mas continuam a envergonhar-me!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-1668705015827708548?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/1668705015827708548/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=1668705015827708548' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1668705015827708548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1668705015827708548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/12/o-pisa-e-o-ridiculo.html' title='O PISA e o Ridículo'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-5062391052401864957</id><published>2010-11-18T13:56:00.001Z</published><updated>2010-11-21T11:37:01.168Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ambiente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>A Guarda Verde</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando nos finais dos anos sessenta do século passado Mao-Tsé- Tung achou que a sua revolução estava a descambar, convocou os chinocas mais novitos, passou-lhes para as mãos um livrinho com a sua versão dos mandamentos e mandou-os “reeducar” o povo pela nova cartilha. Ficaram conhecidos por “guardas vermelhos” e a sua intervenção na sociedade chinesa para repor a revolução nos carris que Mao idealizara está bem documentada . &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tal como muitos outros personagens, nem todos célebres, também Mao percebeu que a juventude é um campo fértil para cultivar doutrinas. Como naturalmente lhe falta experiência de vida e tem pressa de mundo, a rapaziada é mais receptiva a soluções idílicas do que a dúvidas concretas. Aprender a questionar sempre dá mais trabalho e requer mais tempo do que a papaguear ideias pré-fabricas. Por isso, independentemente do seu valor intrínseco, qualquer proposta inovadora constitui um &lt;em&gt;plus&lt;/em&gt; para a incontornável vocação catequista do activismo juvenil. E daí não viria mal de maior ao mundo se nele não houvesse quem tivesse percebido como usar essa disponibilidade para dar corpo a agendas no mínimo questionáveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poderia pensar-se que actualmente o mundo estaria mais sensato e evitaria esses abusos da idade da inocência, mas não é o que parece. A demonstrá-lo está aí um &lt;em&gt;remake&lt;/em&gt; da actuação da guarda vermelha em horário nobre e na televisão pública. Armada de uma cartilha pseudo-científica e motivada pela fantástica ideia de que o planeta precisa de ser salvo, uma simpática miúda camufla-se de tonta e entra pelas casas da malta a etiquetar a eito de “culpado e eco-criminoso” o desprevenido consumidor. E o coitado pasma! Boquiaberto, nem sequer consegue questionar como é que a mesma caixinha que passa o dia a incentivá-lo a comprar tudo e mais alguma coisa, tem o topete de o vir insultar às dez para as dez quando o gajo finalmente se senta em frente ao televisor e se prepara para rematar mais uma esgotante jornada de produção consumindo o telejornal da Felgueira ! Não fosse a estupefacção e decerto punham a moça na rua. Mas não. Revelando um notável estoicismo, submetem-se. E a procissão lá foi fazendo o seu caminho sem que o Sr Paquete de Oliveira dê mostras de ter algo a dizer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O programinha chama-se &lt;a href="http://tv.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=26315&amp;amp;e_id=&amp;amp;c_id=121&amp;amp;dif=tv&amp;amp;hora=15:15&amp;amp;dia=07-11-2010"&gt;“desafio verde&lt;/a&gt;” e não é novo mas mudou de atitude! Uma mudança que não passaria de mais um &amp;nbsp;desvario televisivo&amp;nbsp;se não se desse o caso de várias escolinhas e muitos professores fofinhos apoiarem e &lt;a href="http://www.scribd.com/doc/40247089/Passatempo-Desafio-Verde-nas-Escolas"&gt;promoverem &lt;/a&gt;a iniciativa. Acham, dizem, que estão a fazer educação ambiental. Mas o que assim revelam é que são uns imaturos semi-instruidos que não percebem nem o que é educar nem o que é ambiente. Levianamente, estes kidos estão apenas a fazer da escola uma variante verde aos campos de treino onde se doutrinavam as juventudes maoistas. E a contribuir activamente para que o&lt;a href="https://simp.pgr.pt/dciap/denuncias/"&gt; &lt;em&gt;site&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; recentemente criado pela PGR para recuperar a tradição pidesca dos bufos, possa também vir a revelar-se um enorme sucesso para a denúncia verde anónima. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-5062391052401864957?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/5062391052401864957/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=5062391052401864957' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5062391052401864957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5062391052401864957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/11/guarda-verde.html' title='A Guarda Verde'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-4387829050150611722</id><published>2010-11-16T16:33:00.000Z</published><updated>2010-11-16T16:33:31.482Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>A Propósito do Azeite</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A generalidade das ideias que têm sido propostas para ultrapassar o que tem vindo a ser diagnosticado como ‘estado anémico’ da economia nacional, referem habitualmente a necessidade de obter ganhos na produtividade, de melhorar a competitividade, de desenvolver o potencial de crescimento da economia e por aí, espera-se, fomentar o emprego. Quando se fala destas questões, isso é feito como se fossem obvias para todos as origens dos problemas que se pretende resolver. Ora a discussão especifica mostra que não é bem assim. O debate politico-económico bloqueia na descrição dos factos macroeconómicos, e revela claras insuficiências no entendimento critico das dinâmicas sociais que as politicas concretas induzem a níveis mais desagregados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Concretizo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há dias foi inaugurada em Ferreira do Alentejo (FA)&amp;nbsp;uma unidade industrial que é descrita como um dos maiores e mais modernos lagares de azeite do mundo. Uma capacidade instalada para processar mais de 900 t de azeitona por dia produzindo qualquer coisa como 200 mil litros de azeite, são números impressionantes. Para se ter uma ideia do que isto significa repare-se que junto à Estação do Crato está em funcionamento um lagar convencional, que era modelar há 25 anos, mas que processa numa campanha o que este de Ferreira poderia processar num dia. E, dado importante, enquanto o lagar do Crato dá trabalho permanente a uma dezena de empregados e temporário (durante a campanha ) a outros tantos, ao de Ferreira do Alentejo bastam quinze pessoas para operar a unidade !&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, por comparação, os ganhos de produtividade são inquestionáveis e, por arrasto, a competitividade do produto final só pode beneficiar por isso. Mas e o emprego ? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por si só a desproporção observada nas necessidades de mão de obra bastaria para fazer soar algumas campainhas de alarme quanto ao real impacto da produtividade e da competitividade da industria, neste tempo das novas tecnologias, na resolução de problemas estruturais de excedentes de mão de obra. Mas o caso é que os efeitos das novas tecnologias no emprego na fileira do azeite, não se limitam ao sub sector da transformação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os 10.000 ha de novos olivais intensivos que irão alimentar o lagar de Ferreira, também estão naturalmente desenhados para maximizar a produtividade e a competitividade. Quer isto dizer que só no que à apanha diz respeito, um operador e a respectiva máquina de nova geração colhem num dia o que uma equipa de 12 pessoas colhe numa semana num sistema de mecanização convencional ( vibradores, aspiradores, crivos mecânicos, toldos…) que há 25 anos representava o topo de gama.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A comparação poderia prosseguir para montante ou para jusante porque tem inúmeras ramificações. Deixo apenas uma para exemplificar. O método de controlo de infestantes nestes olivais intensivos já não são as ovelhas , mas os herbicidas aplicados mecanicamente pelo mesmo operador que antes andou a fazer a colheita, e que é o mesmo que controla a fitossanidade e a fertirrigação. Não havendo ovelhas, além dos pastores, também tenderão a desaparecer os tosquiadores, os “roupeiros” ( fabricam o queijo ), os veterinários e por aí adiante. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então não se mudava nada ? A questão não é essa. A mudança é inevitável. O que não é inevitável é que seja liderada pelo modelo económico vigente como se fosse uma entidade com vida própria impossível de controlar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto nos anos sessenta e setenta do século passado a industria e depois os serviços foram autenticas ‘esponjas’ para absorver o excedente de mão-de-obra que a mecanização gerou na agricultura, a automação e a informatização que entretanto se desenvolveram estão também elas a gerar excedentes de empregos. Só que agora afectam todos os sectores de actividade e desapareceram as antigas almofadas de amortecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A demografia tem tempos lentos de resposta à mudança. Esse tempos têm sido claramente ultrapassados pela velocidade que a modernidade conseguiu instalar nos métodos de produção e nos modelos convencionados de organização da economia. No caso português, ainda que o potencial de crescimento da economia possa não ter ainda sido atingido, é possível que os reajustamentos nos desequilíbrios entre disponibilidades e necessidades de mão de obra já não possam ser feitos apenas pela (re) qualificação dos trabalhadores. A tendência do paradigma económico vigente tem sido consistente: cada vez precisa de menos gente para funcionar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No limite, este desacerto entre a economia e a demografia, não se exprime apenas no desemprego e nos custos sociais directos que acarreta, nem se resolve apenas com mais crescimento capaz de gerar receitas bastantes para assegurar á população que não encontre colocação no mercado de trabalho subsídios que lhes permitam fruir de níveis de vida aceitáveis. Esse desacerto tem outros custos que aparentemente têm sido insuficientemente ponderados. Entre eles os custos culturais de longo prazo associados às rupturas que se têm produzido com saberes consolidados nas soluções tradicionais de ocupação e aproveitamento do território.&amp;nbsp;Está&amp;nbsp; por demonstrar se, a prazo, o somatório desses custos não irá ultrapassar&amp;nbsp;os ganhos de competitividade e produtividade que actualmente se procuram. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou seja, confirmando-se o que já se sabia, isto é, que os modelos económicos liberais entregam à volatilidade emocional dos mercados a regulação dos desacertos entre a dinâmica da população e a gestão dos recursos, talvez fosse sendo tempo de trazer á discussão ideias inovadoras para dar corpo a um paradigma e a um modelo de governança que, tendo as pessoas como prioridade, fosse capaz de gerir com o mínimo de rupturas a velocidade a que se processa a mudança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A aposta na manutenção e na melhoria das condições de operação dos lagares e olivais existentes, seguramente que não iria maximizar as possibilidades que as novas tecnologias implementadas em FA trouxeram ao sector do azeite. Mas muito provavelmente desempenhariam melhor o papel de gerir de forma optimizada o processo de mudança das regiões olivícolas em que se inserem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-4387829050150611722?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/4387829050150611722/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=4387829050150611722' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4387829050150611722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4387829050150611722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/11/proposito-do-azeite.html' title='A Propósito do Azeite'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-4058762071104534243</id><published>2010-11-13T14:50:00.005Z</published><updated>2010-11-15T10:39:22.251Z</updated><title type='text'>Meio cheio ou meio vazio ?</title><content type='html'>&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Há três formas&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;de descrever um copo meio de água: a realista, que constata &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;que o copo está meio; &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;a optimista , que o descreve como&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;quase &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;cheio; &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;e a pessimista. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Perante um copo meio, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;o opinativo lusitano não tem dúvidas: ‘é evidente que o copo está &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;vazio’ - &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;dirá !&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Exagero ? Veja-se &lt;a href="http://economia.publico.pt/Noticia/um-terco-dos-investidores-acredita-que-portugal-entrara-em-incumprimento_1465894"&gt;aqui:&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;62% dos investidores, pode deduzir-se, &amp;nbsp;não acredita que Portugal entre em incumprimento de divida; mas a noticia é que &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;38% acredita que irá entrar em incumprimento!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Ou seja, para a opinião publicada na&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Lusitânia, nunca irá &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;bastar que Portugal esteja a fazer uma boa prova na corrida do&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;paradigma de prosperidade em que nos inscrevemos. Não é relevante &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;que PT esteja no pelotão da frente, que se encontre no grupo dos países mais desenvolvidos e com melhores níveis de rendimento e qualidade de vida que, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;de acordo com vários &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;critérios internacionais, tenha vindo a ganhar lugares &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;de forma consistente &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;nas&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;tabelas dos rankings que se inventam para medir essas coisas. Não! O que importa é que PT continua &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;entre os “piores” da Europa. E enquanto houver 1% de opinião negativa sobre qualquer coisa, ela terá &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;sempre prioridade nas agendas sobre &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;os restantes 99% de opiniões positivas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Quem não conheça a alma lusa, poderia ser levado a olhar para esta&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;estranha disfunção &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;como uma coisa positiva. Pensaria: gajos exigentes, estes lusitanos, que só se dão por contentes com o pleno e o primeiro lugar de todos os pódios. Mas estaria &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;enganado. Se amanhã PT aparecesse em primeiro lugar nalguma coisa, o mesmo gajo que hoje brada que somos um ‘atraso de vida’, afiançaria “que isso se deveu a uma manipulação estatística” qualquer e a responsabilidade, claro, seria &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;dos “objectivos eleitoralistas do sócrates” que na altura estivesse de serviço. Ou seja, para o especialista na pinocada opinativa que prolifera na opinião publicada na costa atlântica&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;da Ibéria, o último lugar de Pt numa tabela qualquer é uma &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;espécie de certificado de garantia da qualidade e isenção de uma estatística. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;A persistência desta postura, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;não só deforma a realidade como actua sobre ela, criando um mal estar difuso em que assenta &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;uma percepção pessimista da história e do futuro. Pode haver má vontade ou interesses esconsos nesta abordagem. Mas estou convencido aquilo que&amp;nbsp; melhor a explica é o &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;provincianismo. O pessimista luso à solta nos média, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;é por definição um provinciano semi-instruído e sem mundo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Nos últimos anos essa sub-espécie &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;de gente &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;que tem do mundo a ideia do seu &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;próprio &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;umbigo, que diz que conhece a Alemanha porque esteve num fim-de-semana de chuva &amp;nbsp;em Berlim, &amp;nbsp;e que conhece França porque no regresso o avião fez escala em Orly, deu um salto evolutivo: deixou o sofá onde costumava mandar bocas sobre a táctica de Jesus nos clássicos no Dragão, sentou-se em frente do computador e descobriu o meio ideal de reprodução assexuada com que sempre tinha sonhado para evacuar sem grande esforço as suas frustrações: a &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;blogosfera e as caixas de comentários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT;"&gt;Para alguns&amp;nbsp; lusitanos, a &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;blogosfera está para a cidadania da mesma forma que a travessia a pé da Ponte 25 de Abril está para a maratona de Lisboa: não se precisa correr, quanto mais treinar . Basta aparecer, mandar umas bocas, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;falsear&amp;nbsp; &lt;a href="http://classepolitica.blogspot.com/"&gt;isto&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;a href="http://joshuaquim7.blogspot.com/2010/11/o-desprendimento.html"&gt;insultar&lt;/a&gt; os do costume, &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;para se fazer prova de vida. Outros que se cansem a fundamentar o que argumentam &amp;nbsp;que&amp;nbsp;a fina-flor da bloga lusa cá ficará&amp;nbsp;à espera&amp;nbsp;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;para dar a&amp;nbsp;sua opinião. Avalizada, claro, pelos consensos dos 38% .&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-4058762071104534243?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/4058762071104534243/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=4058762071104534243' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4058762071104534243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4058762071104534243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/11/meio-cheio-ou-meio-vazio.html' title='Meio cheio ou meio vazio ?'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-6812832154455694304</id><published>2010-11-11T10:54:00.007Z</published><updated>2010-11-13T16:08:38.339Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>O Desenvolvimento Humano segundo a ONU</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desde 1990 que o principal instrumento de divulgação da actividade do PNUD passou a ser o seu Relatório . Nele, além das bases filosóficas que norteiam a Instituição e das estratégias a que recorre para as implementar, o PNUD tenta aferir a evolução do estado do mundo através de um índice que cunhou com a designação de IDH ( índice de desenvolvimento humano ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente este índice foi construído com três indicadores centrais :&lt;br /&gt;.longevidade (da esperança média de vida infere o estado da saúde );&lt;br /&gt;.conhecimento ( aferido pela taxa de alfabetização para refectir a capacidade de cada um potenciar o seu governo);&lt;br /&gt;.padrão de vida (estimado pelo PIB per capita, para dar conta da produtividade e do poder de compra )&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resultava da natureza destes indicadores que os países com maiores IDH eram naturalmente os ricos cujos cidadãos chegassem alfabetizados a velhos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O reconhecimento de que esta trindade era claramente insuficiente para exprimir as fundações filosóficas do paradigma do PNUD, que remete também para a equidade, sustentabilidade e autonomia, levou a progressivas alterações das suas bases de cálculo. O Rendimento Bruto per capita substituiu o PiB per capita, o conhecimento passou a incluir a escolarização, e foram introduzidos outros factores de correcção, nomeadamente para a equidade e para a sustentabilidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contudo, ainda assim, o IHD continua a ser melhor nas favelas do Rio de Janeiro que nas aldeias do Alto Xingu! E como a correcção da sustentabilidade se calcula com base em indicadores tão improváveis como as emissões de carbono, a percentagem de áreas protegidas e a poupança, Cabo Verde tem visto o seu IDH cavalgar posições a reboque de algo tão pouco sustentável como são as remessas dos seus emigrantes. Pela mesma lógica, não será por ter na exportação de recursos não renováveis ( petróleo ) a sua principal fonte de receita, que a Noruega verá em risco a sua liderança mundial do ranking IDH.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por conseguinte, o que o Relatório publicado pelo PNUD faz, é produzir uma imagem do mundo a partir de um perspectiva ideológica standardizada pelo paradigma ocidental que adoptou. Pode-se discutir até à exaustão a objectividade dos critérios ou as boas intenções subjacentes, trabalhar na melhoria de indicadores ou dos instrumentos de medida. Mas nada disso retira à agenda do PNUD a sua propensão universalista, arrefece o ideário missionário de muitos dos seus mentores, ou dilui o carácter corporativo em que se tem enquistado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar disso, seria de esperar algum pudor na facilidade com que, apoiado nos crescimentos do IDH, O PNUD decreta o que significa melhoria de qualidade de vida, bem estar social ou felicidade. Assumir que o conhecimento que importa tem na escolaridade a sua fonte de eleição, pressupor que a boa economia é a do consumo, acreditar que a saúde como conceito holístico se exprime na longevidade, além de ideológico é profundamente redutor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não viria daqui mal de maior ao mundo se no limite este género de concepções não tivesse qualquer possibilidade de contaminar as decisões politicas. Ora como essa possibilidade existe, não será de estranhar que um destes dias alguém se lembre de transferir para as favelas do Rio de Janeiro os povos do Alto Xingu , com o argumento de os&amp;nbsp; subir no ranking IDH. Infelizmente a história mostra que mesmo as narrativas absurdas, quando incansavelmente repetidas, tendem de algum modo a materializar-se.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-6812832154455694304?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/6812832154455694304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=6812832154455694304' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/6812832154455694304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/6812832154455694304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/11/o-desenvolvimento-humano-segundo-onu.html' title='O Desenvolvimento Humano segundo a ONU'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-5353450430789655903</id><published>2010-11-08T20:08:00.011Z</published><updated>2010-11-11T11:30:43.706Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>O Mundo Está Melhor ?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Este texto do &lt;a href="http://www.publico.pt/Mundo/o-mundo-afinal-tem-melhorado-mais-do-que-pensavamos_1464488"&gt;Público&lt;/a&gt; tem que se lhe diga. O Jornal tem em tão boa conta a autoridade da ONU que nem sequer se dá ao incómodo de ensaiar uma virgula de critica ao seu conteúdo. Já sabia que as várias corporações sediadas na ONU estão em sintonia e fazem lobby umas pelas outras. Mas é interessante verificar que até na dita periferia contam com zelosos colaboradores . Se o PNUD diz que o mundo está melhor, por que iria um jornal português tentar perceber por que o afirma? Se o PNUD garante que a única coisa capaz de pôr em causa o sentido desse melhoramento são as “alterações climáticas”, por que haveria o mesmo jornal de nos elucidar sobre os fundamentos de tão avalizada sentença? A verdade é que nem sequer nas academias se perde muito tempo a questionar a bondade destas “verdades”, mas não é disso que quero falar agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu tópico é outro. Eu gostava imenso, confesso, que o &lt;a href="http://hdr.undp.org/en/statistics/"&gt;relatório do PNUD &lt;/a&gt;e as respectivas conclusões de que o mundo “melhorou”, fosse efectiva e não deixasse margem para dúvidas. Mas deixa. E deixa por duas razões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar porque, por muito boas que tenham sido as capacidades de comunicação de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Amartya_Sen"&gt;Amartya Sen&lt;/a&gt;, o conceito de desenvolvimento humano que propôs e a ONU adoptou tem inúmeras fragilidades. Em segundo lugar porque as politicas com que a ONU tem tentado implementá-lo e os critérios com que procura medi-lo ( Indice de Desenvolvimento Humano - IDH ), só têm contribuído para acentuar essas fragilidades. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A principal fragilidade do conceito de desenvolvimento humano, é a sua carga ideológica. Sen pensou o desenvolvimento humano como uma versão melhorada de um paradigma concreto – o paradigma ocidental. Por isso não diverge da ortodoxia progressista e não questiona a ordem instalada como base aceitável para pensar o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse quadro cartesiano, não admira que Sen tenha dado à produtividade um papel central . É nesse pressuposto que ele propõe o reforço das capacidades do individuo. No entanto as capacidades a que se refere não podem ser vistas em abstracto. A capacitação em concreto perde sentido fora do paradigma que a produz. Ora Sen não assume em abstracto que pessoas mais capacitadas têm melhor acesso a oportunidades de realização. A ideia de &lt;a href="http://knol.google.com/k/georgios-altintzis/entitlement-theory/5edbx55i80ae/6#"&gt;entitlement &lt;/a&gt;como motor do desenvolvimento, deriva directamente da observação que nos processos vigentes sob égide no paradigma ocidental, as qualificações têm feito&amp;nbsp; a diferença no acesso às novas oportunidades geradas pela industrialização e terciarização da economia e na mudança que o mundo tem tido. &amp;nbsp;Mas reflectindo assim, Sen deixa subentender o mundo como uma espécie de feira de oportunidades inesgotáveis&amp;nbsp;e pre-determinadas, &amp;nbsp;&amp;nbsp;onde basta o domínio&amp;nbsp;dessas capacidades para aceder às oportunidades&amp;nbsp; que correspondem às expectativas de cada um. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entanto, as oportunidades não são infinitas. Elas são limitadas, nomeadamente &amp;nbsp;pelas necessidades sociais e pelos recursos disponíveis. Não serve para muito ser-se profundamente capacitado em agricultura se não se tiver terra para cultivar. Além disso há a questão da conflitualidade entre as expectativas dos indivíduos e as necessidades inerentes ao funcionamento da sociedade. Uma sociedade não é mero somatórios de indivíduos que coexistem num espaço como ilhas&amp;nbsp; sem relação. Ela cria necessidades próprias que implicam em maior ou menor grau sistemas de divisão do trabalho. Ora não há espaço para todas as expectativas nem todos os desempenhos são igualmente atractivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Europa já vive esse desfasamento entre capacidades, oportunidades e desempenhos. É natural que um licenciado em ensino de biologia que já não cabe no mercado de trabalho tenha relutância em&amp;nbsp; aceitar &amp;nbsp;oportunidades por preeencher &amp;nbsp;na agricultura ou na construção civil, tradicionalmente menos atractivas. Mas a deriva que conduziu a esta estranha coexistência de desempregados de luxo sem utilidade no mercado de trabalho e a importação de mão de obra não qualificada para preeencher as necessidades básicas de funcionamento dos lideres do mundo dito desenvolvido, não aparece reflectida nos critérios de desenvolvimento humano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para a ONU, no entanto, as teses de Sen tiveram o mérito de gerar consensos fáceis. Como principio, o reforço das capacidades dos indivíduos não merece discordância. E o PNUD precisava de um paradigma consensual que servisse simultaneamente de justificação para quem lhe financia os projectos e para quem deles beneficia. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-5353450430789655903?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/5353450430789655903/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=5353450430789655903' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5353450430789655903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5353450430789655903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/11/o-mundo-esta-melhor.html' title='O Mundo Está Melhor ?'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-8598003245417390792</id><published>2010-11-05T12:05:00.002Z</published><updated>2010-11-05T12:09:08.528Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>A banalização da asneira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O disparate cansa! A asneira tem vindo a transformar a discussão  da generalidade das questões económicas e financeiras, numa canseira medonha. Pela parte que me toca,  esse cansaço até não tem muito a ver com o habitual   burburinho popular, quase sempre reflexo e impressionista . O que particularmente me  incomoda é a produção sistemática dos  discursos estupidificantes  que lhe dão azo. É que essa produção  é promovida por quem tem obrigação de fazer muito melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia peregrina em  circulação segundo a qual  a despesa do Estado é toda ela um desperdício de impostos e um contributo liquido para o deficit das contas publicas, é uma delas. Esta tese  deixa implícito  que a moral é necessária às performances do   capitalismo. Ora isto  é   pueril. O capitalismo não tem nada a ver com moral,  as empresas não são misericórdias, e os seus resultados    não têm qualquer  relação com a ética das decisões  económicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A acumulação capitalista que todos reivindicamos para aceder ao paradigma de qualidade de vida que incorporamos,   alimenta-se  da circulação do capital e é perfeitamente alheia à natureza ou à utilidade material, social  ou moral, do que se transacciona para o efeito. Haja mercado que a lógica intrínseca ao sistema trata do resto. Para a “prosperidade  capitalista ” ,  é perfeitamente irrelevante se os meios financeiros que se geram   resultam  de despesas de investimento efectuadas na educação, na saúde, num bordel, na produção  de minas anti-pessoal, ou no trafico de órgãos. Mas parece que ainda há quem não tenha percebido isso. Ou percebeu e faz de conta que não percebeu,   por razões que não me interessam nem me merecem o mínimo respeito. Certo é que  quando se criticam as jantaradas dos tipos das finanças, ou da malta da câmara de Oeiras, baralha-se tudo: deontologia do serviço público,   economia capitalista, contabilidade pública e parvoíce qb.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista do capitalismo liberal, uma jantarada de qualquer repartição  paga pelo orçamento,  é apenas a  economia  à mesa a alimentar-se para produzir mais prosperidade capitalista. Isto é,  dinheiro de impostos a pagar salários a cozinheiros e empregados de mesa, géneros a grossistas, retalhistas e produtores, rendas a proprietários,  a fomentar o consumo, o mercado, a gerar receita  para os empresários, juros para os bancos,  a contribuir para o crescimento   e para a cobrança de impostos para pagar mais jantaradas, ou auto-estradas ou  cartazes de campanhas presidenciais, ou  outra cena qualquer. Na verdade, para a boa performance económica e contabilista deste modelo  em que vivemos, dá mais resultado   gastar dinheiro com jantaradas de leitão na Mealhada,  do que pagar tratamentos para a  leucemia em Chicago a uma criança com essa doença, ou financiar bolsas de estudo para doutoramento em economia  em Harvard. Chocante? Pois é, mas é assim mesmo. Os tratamentos médicos e as bolsas de estudo no exterior são importações, aumentam o deficit; as jantaradas de leitão são consumo interno de produto interno, contribuem para o crescimento desta economia. É para evitar esses absurdos  que se diz que a economia deve estar ao serviço da politica,  e não o contrário, como vem sucedendo.  Mas não é com exemplos descontextualizados  e discursos estupidificantes que isso se explica.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-8598003245417390792?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/8598003245417390792/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=8598003245417390792' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8598003245417390792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8598003245417390792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/11/banalizacao-da-asneira.html' title='A banalização da asneira'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-3140145003449704028</id><published>2010-11-02T11:37:00.002Z</published><updated>2010-11-02T11:47:49.878Z</updated><title type='text'>"Portugal perde com Espanha"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“&lt;strong&gt;Portugal perde com Espanha&lt;/strong&gt;” - titulava a primeira página do jornal. No desenvolvimento  inferia-se que se tratava do  resultado desportivo de um evento que teve lugar há umas semanas. Só  lá para o fim da  noticia é que se  percebia que Portugal tinha perdido com a Espanha, sim, mas na final do campeonato da Europa de hóquei em patins. Portanto, a noticia poderia ter sido encabeçada  com algo do género “Portugal de novo no Pódio” ? Podia, mas não era a mesma coisa.  Ou seja, não  servia  a propensão instalada para    menorizar qualquer aspecto da vida nacional,   modalidade narrativa que se adequa perfeitamente  à demonstração da tese fadista  de que somos um atraso de vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A coisa tornou-se  tão consensual que até nos meios académicos o mais insuspeito  &lt;a href="http://blondewithaphd.blogspot.com/2010/11/o-que-e-que-eu-posso-fazer-pelo-meu.html"&gt;phd&lt;/a&gt; já se dispensa de a fundamentar. De resto, se instado a isso, escapatórias não lhe faltam. As mais correntes são as “comparativas”, e aí a inteligência lusa segue duas vias complementares.  A primeira investida  é a impressionista. Nesta variante envereda-se por generalizações e comparamo-nos com a França ou com os Estados Unidos,    como se a França fosse apenas Paris ou os USA Nova Iorque. Bem, quem conhece França sabe que a única coisa em comum entre o planalto central e a bacia de Paris é a língua.  E o Utha  tem tanto a  ver com Nova Iorque como a Sicilia com a Lombardia ou Barrancos com Cascais. Confrontados com a falta de mundo que se expressa nessas comparações  reducionistas,   o fadista luso refugia-se então nos comparativos numéricos. Mas de que massa é feita a objectividade que se atribui a certos  números ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A necessidade de entender o mundo de uma forma tão  objectiva quanto possível, levou à quantificação das narrativas que sobre ele produzimos. Os números têm a grande vantagem de constituírem uma linguagem que  não necessita de tradução . Além disso são fáceis de representar, comparar, hierarquizar. Portanto vulgarizou-se o uso de indicadores e índices numéricos para representar  certos  fenómenos, e isso tem muitas vantagens. O problema é quando ao ler os números nos esquecemos que eles também servem   para representar a realidade,  mas não a esgotam. O desenho minucioso dos alçados e plantas de um edifício não dizem tudo sobre a sua habitabilidade. Quando esse equivoco acontece,    abre-se a porta a uma infinitude de juízos qualitativos, nem sempre correctos, pois os magníficos edifícios de Gaudi têm tanto de impressionante como de inabitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo se passa com muitos edifícios numéricos: escodem por detrás da fachada detalhes nem sempre virtuosos. Percebe-se que uma média de resultados num exame nacional de matemática ou um  PIB per capita, p.e., não são  medidas com a objectividade do kilograma ou do metro linear. Dito assim qualquer um vê nisto uma evidência:  10 kg de laranjas não  é uma medida com a mesma objectividade quantitativa de um 10 a matemática. Esse compreensão deveria levar  a cuidados redobrados na leitura de informação de base numérica, fosse  de um  ranking de escolas em função dos respectivos resultados médios num exame de matemática, seja de um ranking de países em função do  respectivo PIB per capita. Mas  curiosamente a tendência mais comum não é essa. Pelo contrário. O mais frequente é atribuir  automaticamente   mérito às posições de topo e demérito às da cauda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se verifica que a  Noruega é líder europeu na  riqueza e Portugal segue na cauda desse pelotão, passa-se imediatamente para as qualificações. E não se poupa na adjectivação: Diz-se então que a Noruega é um pais desenvolvido e Portugal, normalmente referido como “este país” um  “atraso de vida”. Se  questionado sobre  a objectividade  da qualificação, das duas uma: ou o opinador se refugia no silêncio ou atira à cara do  perguntador a “autoridade” dos “critérios internacionalmente aceites”. Poderia prosseguir esta prosa implicando com a natureza desses “critérios” e respectivos mecanismos de  “aceitação internacional”,  que tinha muito por onde cortar. Mas para o que pretendo vou fazer de conta que os aceito como bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, à luz dos tais critérios internacionalmente aceites para quantificar desenvolvimento e prosperidade, como o PIB per-capita, ou a escolaridade, ou o coeficiente de Gini ( para a pobreza ) ,  as actuais performances portuguesas são de facto inferiores às dos  noruegueses. Mas será  correcto  inferir-se dessa diferença  uma qualidade de vida inferior ou  um  atraso  histórico devedor de uma superior  capacidade liquida dos noruegueses para atingir os resultados  em apreciação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não. Na realidade  os  países são muito diferentes. São  diferentes em tamanho, em população, em  recursos ,  em história, em cultura. E em cada momento da história essas diferenças exprimem-se de maneiras distintas que dificilmente se anulam nos indicadores e índices numéricos com que se  caracteriza os seus percursos. Mesmo que o paradigma seja o mesmo, as diferenças objectivas que se referiram levam a trajectos  e tempos diferentes para os alcançar. E mesmo que alguns dos resultados alcançados possam ser idênticos, não têm necessariamente  o mesmo impacto.  Note-se que para idêntica capacidade de  produção bruta de riqueza,  basta que um país   tenha   metade da população de outro para que o seu pib per capita seja  o dobro. E quanto à formação dessa  riqueza, note-se que os números do PIB são omissos em especificações que importam. Não é indiferente se a riqueza se acumula  como   receita  da  concessão da extracção de petróleo  das respectivas plataformas continentais, ou se implica a captura racional,  transformação e  venda de sardinhas enlatadas. Raro é que se tenha em conta essas diferenças substanciais quando se envereda pelos “comparativos”, e percebe-se porquê: ficam em xeque as teses do “atraso estrutural português”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tende-se a esquecer que a  realização do paradigma de prosperidade com que Ocidente embirrou, fundou-se no capitalismo industrial. Para o promover,  os países recorreram historicamente a dois tipos de recursos: energia fóssil e mais qualquer coisa. Quem entrou na corrida desse paradigma com o respectivo sub-solo recheado de energia fóssil , à partida já tinha meio percurso de vantagem; quem só tinha mais qualquer coisa, ou fez batota ou precisou de pedalar o dobro.  Portugal, mesmo que possa ter-se sentido tentado a  fazer batota, enveredando por exemplo por oportunismos à la suisse , ter-lhe-á faltado para isso  a oportunidade ou foi acometido por algum assomo ético, não sei. Sei que nos sobrou pedalar.  E quem faz desse processo leituras sérias  isentas de contaminações ideológicas, não consegue deixar de se surpreender com a &lt;a href="http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223378018L3yZD2mf6Tb49RB6.pdf"&gt;performance portuguesa no século xx&lt;/a&gt;. Reconhecê-lo publicamente é que é uma maçada, pois contraria a tradicional tese fadista a que nos habituamos. Há na alma lusa essa espécie de alergia às narrativas de sucesso em causa própria. A aposta  provinciana nas narrativas miserabilistas, é um valor seguro, vende sempre, como é o caso da  que empresta o título a esta prosa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-3140145003449704028?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/3140145003449704028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=3140145003449704028' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3140145003449704028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3140145003449704028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/11/portugal-perde-com-espanha.html' title='&quot;Portugal perde com Espanha&quot;'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-5164482986845609557</id><published>2010-10-17T16:18:00.002+01:00</published><updated>2010-10-17T16:43:10.618+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia. Território. Ambiente'/><title type='text'>Preservação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na actualidade, a gestão do território e as preocupações  que lhe estão associadas, são devedoras dos   problemas que acompanharam a colonização da América do Norte. Vagas de gente    ávida de rápida riqueza colocada  perante enormes mananciais de recursos quase inexplorados e equipada pela crescente  potência que a revolução industrial disponibilizava,  produziram  uma pressão tal sobre o novo território que os efeitos da sobre-exploração se tornaram rapidamente visíveis e o seu controlo um imperativo. Há registos dessa preocupação  pelo menos desde 1876. Elas conduziram ao primeiro documento legal conhecido na modernidade com um vincado cunho de conservação,  o “Forest Resource Act”, de 1891, que levou, em 1905,   á criação do actual &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Forest_Service#History"&gt;USFS.&lt;/a&gt; O lema desta instituição  é claro quanto ao propósito da inciativa: "&lt;em&gt;Caring for the land and serving people&lt;/em&gt;", que é  como quem dizia  que  no interesse das pessoas e do futuro  era imperativo cuidar dos recursos.  Algumas décadas depois, na sequência do desastre ecológico que ficou conhecido como "dust bowl years", a situação repetiu-se, com o actual  &lt;a href="http://www.nrcs.usda.gov/about/history/story.html"&gt;URCS&lt;/a&gt; , originalmente criado em 1935. Já não se tratava de cuidar apenas das florestas e de conservar a sua capacidade de se regenerar  para continuar a produzir , mas de o fazer também  em relação aos solos antes tidos por inesgotáveis mananciais agrícolas,  para que pudessem continuar a permitir colheitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, na modernidade, a&lt;strong&gt; conservação&lt;/strong&gt; reinstituiu-se fiel à melhor tradição da antiguidade :   &lt;strong&gt;manter os ciclos de produção ao serviço das comunidades humanas, introduzindo no uso do território regras  pensadas para   gerir os recursos de forma a que fosse possível continuar a usá-los para deles obter algo de forma duradoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Politica distinta desta foi a adoptada  em 1872 quando  o Senado Estado Unidense  aprovou a lei que instituíu o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Yellowstone_National_Park#History"&gt;YNP.&lt;/a&gt; Lendo a Lei, salta à vista  a diferença do  propósito . O que se pretendeu com o YNP foi evitar  que, à semelhança do que ia acontecendo no caminho para  oeste, a  colonização também  transformasse completamente  aquele território . Yellowstone foi declarado território a &lt;strong&gt;preservar&lt;/strong&gt;, i.é, a manter tal qual estava independentemente do eventual interesse económico na exploração directa dos seus recursos naturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja,  problemáticas e propósitos distintos deram corpo a ideologias e a estratégias de intervenção opostas: uma, &lt;strong&gt;a conservação,   incorpora a mudança e procura geri-la&lt;/strong&gt; ;  a outra, &lt;strong&gt;a preservação, procura evitar a mudança&lt;/strong&gt; . Nas décadas seguintes a gestão do território e o  desenvolvimento do conhecimento, particularmente da ecologia,  iria ser marcado por esta dicotomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conseguinte, ao contrário da conservação, a   preservação foi concebida com uma lógica conservadora e de não ingerência para evitar a mudança, e em seu nome empreenderam-se  medidas  no sentido da  salvaguarda da possibilidade de um determinado território  prosseguir o seu caminho à margem da intervenção do homem. Contudo,   raramente os homens se têm limitado ao papel de observadores dos processos que pretendem  preservar. Entre outras, por esta   razão simples: cedo se percebeu que afinal a  mudança também é independente da acção humana e    muitas vezes essa mudança revela mesmo  "ideias próprias" e  segue caminhos bem diversos daqueles que os homens gostariam.  De tal forma que se desencadearam e  têm-se sucedido as  intervenções de cariz “preservacionista”, isto é, tendentes a evitar que a natureza faça a aquilo que sabe fazer melhor: mudar. Na ressaca,    a ideia inicial  da preservação acabou por esvaziar-se do seu sentido original. A não intervenção como estratégia de gestão do território, transformou-se  num mito disfarçado. E o conceito original de preservação entrou em mutação rápida  para se adaptar a  uma imensa parafernália de práticas de   gestão de espécies, habitats,   ecossistemas. Neste processo abunda quem  procure  reconstruir o conceito e legitimar a ingerência, referindo-se   à  "preservação" de ecossistemas ou da biodiversidade, no sentido de os manter. Mas faz sentido falar de   preservação quando nos referimos aos &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Yellowstone_National_Park#History"&gt;projectos da LPN&lt;/a&gt;  no Campo Branco  que envolvem a abetarda ?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-5164482986845609557?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/5164482986845609557/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=5164482986845609557' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5164482986845609557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5164482986845609557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/10/preservacao.html' title='Preservação'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-1093435083838672320</id><published>2010-10-03T14:32:00.001+01:00</published><updated>2010-10-12T14:25:39.767+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia. Território. Ambiente'/><title type='text'>Conservação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando se discute conservação, há algumas derivas que parece terem vindo para ficar. Julgo que elas têm a ver com um fenómeno de derrapagem para um estado muito particular do “conhecimento”, típico do nosso tempo. A aceleração que se instalou nas nossas vidas substituiu o conhecimento adquirido com o estudo e a reflexão, pela adesão ao marketing de ideias . De tal forma que, por muito bons que sejam os processos de raciocínio com que tentamos percepcionar o mundo, é frequente que deles resultem crenças erradas apenas porque não temos tempo para reflectir sobre as premissas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saturadas de teses, explicações, polémicas, as pessoas querem resultados, reivindicam-nos, querem acção, e abrem as portas ao pragmatismo. É verdade que este pragmatismo já não é só empírico, reivindica-se cientifico. Mas não é por isso que se pode dizer que seja melhor que o outro. O problema do empirismo é que quando não se tem tempo para ponderar a acção e tudo o que fazemos é reagir aos acontecimentos, não é a qualidade da ferramenta disponível que usamos que faz a diferença, mas a sua adequação ao uso que dela pretendemos. Os martelos podem ser muito ergonómicos, mas não servem para aparafusar. Se esse desfasamento acontecesse de forma fortuita, talvez não viesse dai mal de maior. Mas quando tende a ser uma prática sistemática, tem como consequência que em lugar de a acção resolver os problemas passa a fazer parte deles. E à contemporaneidade falta sempre tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de tempo e a preponderância dos midia, levaram a que a divulgação das bases gerais da ecologia fosse usada como plataforma de transformação do mundo dos sonhos. Em lugar de sonhos guerreiros em que se salvavam pátrias ou donzelas, ou dos sonhos missionários em que se convertiam almas nos confins da China, passou-se a sonhar com salvar baleias na Antárctida ou com a descoberta duma solução milagrosa para armazenar CO2 nas fossas Marianas. As candidatas a miss de qualquer coisa passaram a incorporar a salvação do planeta no seu discurso eleitoral. E os comuns mortais, naturalmente, replicam-lhes os ideais e organizam-se para os cumprir o melhor que podem. Surgem ONG’s de indução Ocidental por todos os quadrantes do mundo conhecido e a governança acompanha como pode esse movimento salvífico uniformemente acelerado até ao ponto em que, à semelhança do que sucedeu em muitos outros sectores, a gestão da coisa ambiental começou a transformar-se numa burocracia, teceu uma complexa teia de interesses , originou o seu próprio corporativismo, servindo-se para tudo isso de um saco de conceitos imprecisos de onde cada qual tira os que calha para usar como lhe dá mais jeito. Entre eles o de conservação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como acontece em quase tudo, também não há unanimismo neste conceito, e ainda bem, acrescento , pois a diversidade dos pontos de vista é uma riqueza em si mesma. Mas conviria, julgo, que houvesse um eixo sólido em redor do qual fosse possível reflecti-lo, pois de outra forma parece difícil assegurar a coerência das politicas e a consequência da acção. A minha proposta tem sido no sentido de que esse eixo consista na intencionalidade de um certo tipo de prática na intervenção do homem sobre o território: nesta perspectiva, diria que a &lt;strong&gt;conservação reporta a uma prática consistente com a intenção de continuar a colher .&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há conservação nas politicas impeditivas da construção em solos agrícolas, nos princípios de afolhamento do espaço agrícola e das rotações de cultura, nos métodos de fertilização orgânica. Há conservação nas medidas aplicadas às bacias hidrográficas tendentes a assegurar a infiltração e a qualidade da água. Há conservação nas medidas de defeso tendentes a garantir o sucesso reprodutivo de espécies piscícolas. Não há conservação quando um grupo de linces ibéricos é mantido em cativeiro em Silves para posterior libertação na Serra Algarvia. Isso é outra coisa. Lá iremos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-1093435083838672320?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/1093435083838672320/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=1093435083838672320' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1093435083838672320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1093435083838672320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/10/conservacao.html' title='Conservação'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-4082964382281199045</id><published>2010-09-27T15:16:00.003+01:00</published><updated>2010-10-12T14:26:48.383+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diversos'/><title type='text'>Novas Oportunidades</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Henrique Santos sugeriu-me a leitura do seu livro, “ &lt;a href="http://nap-utad.blogs.sapo.pt/4183.html"&gt;Do tempo e da Paisagem – Manual para leitura de paisagens”&lt;/a&gt;. Já encomendei. A ideia é ajudar-me na dificil compreensão de problemáticas e conceitos que obviamente não domino. Estão em causa ideias de património, cultura, paisagem, conservação. E está visto que tirei mau proveito das lições e leituras de O Ribeiro, G R Telles, M Feio , C Carvalho, G Guerreiro. De resto, suponho que para os critérios em uso estes gajos já estejam ultrapassados. E eu também, naturalmente. Um dos aspectos em que melhor se revela esse meu desfasamento face à realidade corrente, é no mau hábito de detestar a mania de usar as mesmas palavras para exprimir coisas diferentes. Há conceitos que se revelam insuficientes, errados, inadequados, e por isso têm de ser alterados. É assim, as coisas mudam. Mas herdei daqueles fulanos que referi a ideia de que até esses só têm a ganhar com palavras novas, para melhor se distinguirem do eventual disparate. Dessa forma, diziam eles, evitavam-se diálogos de surdos, como este que ( &lt;a href="http://ambio.blogspot.com/2010/09/reestruturacao-do-icnb-e-os-fogos-nas.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;...caixa de comentários ) eu e o HPS protagonizamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram ainda aqueles "dinossauros", maioritariamente extintos, quem me chamou a atenção para o que consideravam dois erros comuns no que diz respeito á forma como nos referimos ao património. O primeiro é pensar que património é sobre natureza ou sobre edifícios, quando é sobre as pessoas e o que elas investem em si, na terra ou nos tijolos. O segundo, é pensar que património é sobre o passado quando é sobre o futuro, sobre o que ficará depois de nós desaparecermos.Dai derivava a distinção que me explicaram entre conservação e preservação. Disseram-me que a preservação visava impedir que as coisas acontecessem , e que a conservação ( coisa ainda mais antiga que a &lt;a href="http://lheiterer.blogspot.com/2010/09/politica-agraria-dos-gracos-lei.html"&gt;Reforma dos Graco &lt;/a&gt;) tinha a ver com a gestão da mudança no sentido de permitir continuar a colher.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São noções deste tipo que me têm condicionado a reflexão. Por isso, quando ouço falar em politicas de conservação, só me faz sentido pensar nas couves no contexto das estratégias que permitam às pessoas continuar a colhe-las. Quando ouço falar em património, só me ocorre pensar naquilo que as pessoas têm produzido ( cultura - e tanto me faz se são Biblias, sinfonias ou lagares de azeite ) ao longo dos processos que empreenderam para se viabilizarem nos territórios que colonizaram. Estou convencido que Levi-Strauss, mesmo morto, ainda deve ficar de cabelos em pé de cada vez que se fala nesse contra-senso que se plasma na expressão de “património natural”. A melhoria das interacções das sociedades com o território, no sentido de fortalecer as dinâmicas de perenidade, não carece em nada que a natureza deixe de ser conceptualizada como sempre foi pela ecologia humana: como meio e recurso. Dizia-o o &lt;a href="http://www.eoearth.org/article/Odum,_Howard_T."&gt;H Odum&lt;/a&gt;, outro dinossauro extinto, e eu, dinossauro desactualizado mas não extinto, até ver não encontrei abordagem que me fizesse melhor sentido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que tudo isto está prestes a mudar com a iminente chegada a esta casa da obra de HPS. Já abri na estante espaço para ela. Vai ficar entre o G. Hoyois e o Dolfuss, ao lado deixo o Zonneveld . Assim, se quiserem podem organizar-se para umas partidas de poker. Entretanto, na obvia falta de cv relevante ou de obra publicada capaz de recomendar a quem quer que seja, coisa facilmente constatadas pelo HPS ( e que qualquer aprendiz de mestre das nouvelle ciências de avant-garde como essa coisa extraordinária que dá pelo nome de biologia da conservação que me lesse estes dislates, corroboraria sem hesitações …. ) tudo o que me resta é procurar consolo nos escritos de velhos colegas de tarimba que pelos vistos, tal como eu, tb perceberam tudo mal. A d’Abreu e T Correia, por exemplo, produziram recentemente na UE por encomenda da DGOTDU, &lt;a href="http://www.amde.pt/document/447750/450930.pdf"&gt;um trabalho &lt;/a&gt;que intitulam de “Identificação e caracterização de unidades de paisagem em Portugal”, em que definiam a paisagem nos seguintes termos: “ A paisagem é na generalidade do território europeu, &lt;strong&gt;uma paisagem cultural&lt;/strong&gt;, expressão dos diversos recursos ( e condicionalismos, acrescento eu… ) naturais existentes mas tb d acção humana sobre esses recursos. A &lt;strong&gt;paisagem natural&lt;/strong&gt; é aquela onde a articulação dos factores ao longo do tempo não foi afectada pela acção humana, o que é raro na Europa. De forma directa ou indirecta existe em todas as paisagens europeias algum impacte de acção humana."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O livro do HPS decerto será capaz de desmontar esta tese e evidenciar sem margem para dúvidas que as AP’s portuguesas são, não só paisagens naturais, como património natural, e que, por conseguinte, faz todo o sentido que a prioridade de conservação nesses territórios deva ir no sentido da biodiversidade, tarefa que cabe ao ICNB segundo os critérios do ICNB, e bitola pela qual se deverá medir a sua eficácia, goste-se ou não. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com toda a legitimidade, o HPS acha que a melhor forma de promover as interacções conservacionistas que reclama para as agora designadas AP, é através da centralização da decisão politica a implementar. Talvez seja. Mas não deixa de ser uma situação irónica. Durante séculos, houve pessoas maioritariamente analfabetas que, à margem da civilização, à margem da ciência, das academias e dos seus lentes, desenvolveram estratégias de conservação que deram origem a paisagens tão ricas e a formas de habitar tão interessantes que, chegadas ao nosso tempo, toda a gente, arquitectos paisagistas incluídos, acham por bem valorizar. Mas ao mesmo tempo que lhes reconhecem o mérito, declaram os criadores  dessas paisagens incompetentes para continuar a fazer o que sempre fizeram – conservá-las! Estranho ? Talvez não seja. Não o será seguramente se, além do mais, se estiver também a confundir conservação com preservação. Mas só o poderei afirmar depois de concluídas as leituras que agora tão gentilmente me recomendam. Embora dinossauro sem obra publicada que me atreava a recomendar, continuo aberto a novas oportunidades. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-4082964382281199045?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/4082964382281199045/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=4082964382281199045' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4082964382281199045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4082964382281199045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/09/novas-oportunidades.html' title='Novas Oportunidades'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-1954668908137457177</id><published>2010-09-23T12:25:00.003+01:00</published><updated>2010-09-23T12:30:12.774+01:00</updated><title type='text'>Conferência de Copenhaga - a versão de 1898</title><content type='html'>“Em 1898, representantes de todo o mundo reuniram-se em Nova Iorque  para a primeira conferência internacional de planeamento urbano.  Não foi a habitação, a utilização da terra, o desenvolvimento económico ou as infra-estruturas que dominaram as discussões. Os participantes estavam desesperados por causa dos cavalos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cavalos  não eram uma novidade na vida urbana. Mas no final do século XIX, o problema da poluição com origem nos cavalos  atingia níveis sem precedentes. O crescimento do número de cavalos ultrapassava até o rápido crescimento do número de residentes urbanos. As cidades americanas atolavam-se em excremento de cavalo bem como noutros desagradáveis problemas: cheiro a mijo , moscas por todo o lado, engarrafamentos, carcaças abandonadas,  acidentes de trânsito, a degradação publica da crueldade contra cavalos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em 1894, o jornal Times , de Londres, estimou que por 1950 todas as ruas da cidade estariam sob quase 3 metros de excremento de cavalo. Na cidade de Nova Iorque previa-se que por 1930 o excremento de cavalo alcançariam as janelas do terceiro andar dos prédios de Manhattan. Uma crise de saúde pública e de salubridade de dimensões impensáveis parecia inevitável.Não se vislumbrava qualquer solução. De facto,  o cavalo tinha sido o meio de transporte dominante nos últimos séculos. Os cavalos eram imprescindíveis para o funcionamento da cidade do século XIX: para o transporte pessoal, para o transporte de mercadorias e até para força mecânica. Sem cavalos, as cidades definhariam.Todos os esforços para mitigar o problema revelavam-se desadequados. Sentindo-se impotente , a conferência de planeamento urbano declarou infrutíferos os seus trabalhos e acabou ao fim de 3 dias em lugar dos 10 que estavam previstos"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessados ? Podem continuar a leitura &lt;a href="http://www.uctc.net/access/30/Access%2030%20-%2002%20-%20Horse%20Power.pdf"&gt;aqui. &lt;/a&gt;Vale a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-1954668908137457177?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/1954668908137457177/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=1954668908137457177' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1954668908137457177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1954668908137457177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/09/conferencia-de-copenhaga-versao-de-1898.html' title='Conferência de Copenhaga - a versão de 1898'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-1270389818983191941</id><published>2010-09-21T17:28:00.003+01:00</published><updated>2010-10-12T14:33:33.151+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Decroissance ( II )</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os limites do crescimento e a refundação das bases do capitalismo já ocuparam tanta gente e sobre o tema já se escreveu tanta coisa, que sempre que encaro o assunto não consigo evitar a sensação de perda de tempo. Há dinâmicas que parecem ter vida própria, e já dei por mim a questionar-me se nesses casos não faríamos melhor se nos chegássemos para o lado para as deixar fazer o seu caminho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem já meteu ombros à recuperação de antigas casas de família, percebe melhor do que estou a falar. Os edifícios antigos têm características concretas de construção que não se podem contornar. Qualquer renovação com vista a um uso diferente do original tem de obedecer de algum modo a essa matriz. Posso mudar portas, janelas, soalhos, telhas, rebocos. Mas não posso tirar paredes de travamento e fazer daquilo um &lt;em&gt;open-space.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passa-se algo do género quando se preconiza que a sociedade capitalista deveria abandonar o imperativo do crescimento económico. Não é que não seja possível pensar uma sociedade que não inscreva no seu projecto económico o crescimento continuo do PIB, possível, é. Mas não como remodelação do edifício capitalista, cuja estrutura não foi desenhada para suportar esse tipo de arranjo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seria pois de esperar que quem pretende abandonar os condicionalismos do capitalismo, fundasse ao lado obra nova, isto é, que fosse dando corpo a um novo paradigma. Mas não. Então, de tempos a tempos , acontece o que é normal nos edifícios antigos. Aparece alguém para retocar os estuques e pintar de fresco paredes velhas. Eventualmente aproveita e muda também a decoração, mas é tudo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi o que aconteceu quando há cerca de vinte anitos uma &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gro_Harlem_Brundtland"&gt;dona de casa norueguesa&lt;/a&gt;, daquelas matriarcas capazes de qualquer coisa para manter a harmonia no lar , tirou da caçarola uma ideia peregrina de contornos imprecisos que teve na sua vacuidade ideológica o principal atractivo e por isso se tornou rapidamente consensual. Chamou-lhe &lt;a href="http://www.sd-commission.org.uk/pages/a-brief-history-of-sustainable-development.html"&gt;"desenvolvimento sustentável"&lt;/a&gt;. Um género de sopa da pedra, sabe-se que leva pedra, que não é a pedra quem lhe dá substancia, mas é tudo o que se sabe e para muita gente é quanto basta. Percebe-se. A sustentabilidade é o sonho ideal de todos os narcisos, pois ajuda-os na crença de que a juventude e a beleza eternas são possíveis. Como de narcisos todos temos qualquer coisa e como o capitalismo de parvo não tem nada, desde então que passou a servir-nos sustentabilidade a todas as refeições e lucrado com isso. A coisa chegou a pontos de até as famigeradas rotundas serem consideradas “sustentáveis”. Naturalmente os menos narcisos fartaram-se de tanta sustentabilidade e têm procurado variar a ementa discursiva. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma das variantes mais recentes baptizou-se de &lt;a href="http://decroissance.info/"&gt;decroissance&lt;/a&gt;. É uma corrente anti produtivista e anti consumista que de novo só tem o nome. Preconiza consumir menos, produzir menos, reproduzir menos. Quer dizer, sugere que se retirem as paredes interiores do edifício em que vivemos, mas não explica como segurar o telhado. Ora a sociedade capitalista implode se lhe tiram o ai Jesus do consuminho, conforme tem sido evidente nos últimos tempos. E como o pessoal já percebeu isso, reage muito mal ás lógicas de decroissance. Dos ricos, que não querem deixar de o ser, aos pobres, que não entendem por que terão de continuar pobres, passando pelos remediados, que, finalmente, estavam quase, quase, a ser ricos, o decroissance constitui uma das raras matérias que conta com a oposição unânime de quase toda a gente. Portanto, não admira que até ver não haja quem faça a mínima ideia de como ir por diante com semelhante propósito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tim Jackson tentou desatar essa nozada. Retomou a ideia de sustentabilidade para tentar demonstrar que ela se pode realizar sem crescimento económico, mas a ideia sai mal misturada, tipo azeite e água. Nada de original até aqui. Já outros o tinham tentado. A originalidade do TJ é que tenta marcar os golos em falta metendo a bola pelo lado de trás da baliza, tentando demonstrar que é possível &lt;a href="http://www.sd-commission.org.uk/publications/downloads/prosperity_without_growth_report.pdf"&gt;conjugar crescimentos zero ou negativos com prosperidade &lt;/a&gt;. Mas aí, a meu ver, espalhou-se !&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A verdade é que o discurso de TJ é redondo, e o livro lê-se bastante bem. Em termos de conteúdos, é uma espécie de salada mista de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Limits_to_Growth"&gt;Relatório Meadows &lt;/a&gt;com &lt;a href="http://www.olivreiro.com.br/livros/146580-convivencialidade-a"&gt;Convivencialidade&lt;/a&gt;. Falta-lhe é qualquer coisa que ligue aquilo, qualquer coisa como uma teoria convincente apoiada numa alternativa clara ao conceito clássico de “prosperidade”, e este um dos seus pontos mais fracos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para fazer vingar a sua tese, TJ recorre à etimologia da palavra, e recorda que prosperidade quer dizer de acordo com a expectativa. Assim é. Mas as expectativas de prosperidade globalizadas e em uso estão plasmadas nos modelos de bem-estar dos ocidentais de sucesso. Ignorar isso torna qualquer reflexão politica mero exercício académico, e TJ cai nessa esparrela. A ideia que se tem da prosperidade não é a que TJ gostava que fosse, é a que é, e só num cenário de prosperidade generalizada tal qual é entendida, é que as sociedades poderiam eventualmente estar disponíveis para aceitar discutir cenários de crescimento zero. As próprias sociedades de referência são elas próprias um terreno fértil em fragilidades estruturais que TJ faz de conta que ignora, como a dependência energética. Talvez tivesse sido por isso que TJ evita qualquer proposta de transição no sentido do crescimento zero para as instituições e para os sistemas que funcionam dentro da lógica do capitalismo vigente. Na verdade, mesmo desprezando prováveis alterações nos custos da energia, ninguém sabe como fazer a transição das modernas economias de bem-estar fundadas no crescimento económico e na energia barata para essa impossibilidade prática de conciliar uma economia próspera com um crescimento zero, ou negativo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Essa critica necessária às teorias económicas vigentes, fica pelo acessório no trabalho de TJ. Ele não se detém sobre o detalhe de que as teorias que suportam as politicas de crescimento económico foram desenvolvidas sob pressupostos artificias. Esses pressupostos estavam perfeitamente claros na mente de muitos dos seus autores, mas são têm-se revelado perfeitamente nebulosos para a generalidade dos economistas. São poucos os que reconhecem que as teorias de crescimento económico funcionam apenas porque os modelos matemáticos em que se apoiam são verdadeiros. Nas academias a ortodoxia impera e são ainda menos os que se aventuram a desbravar a noção de que os bens cuja produção, transacção e consumo se estuda, não são abstracções matemáticas. Os modelos de Walras e respectivos sucedâneos, aplicam-se a bens monetarizáveis, comercializáveis e reproduzíveis, quer dizer, a abstracções, pois os combustíveis fósseis, solos, metais, nutrientes, necessários para os reproduzir, não são eles mesmos reproduzíveis, não são renováveis. Walras percebia isso. Quem lhe usa os modelos acha que não precisa de perceber isso, e portanto atreveu-se na aventura da globalização sem ter antes percebido que a economia no fundo produziu teorias e modelos para um mundo físico ideal que não existe. Os economistas deixaram-se aprisionar nessa ficção de que as economias são desmaterializáveis. Depois, renderam-se ao presente, e mostram-se incapazes de se libertar das grilhetas da instrumentalização que inventaram para o descrever. TJ não foge à regra. Neste livro agora publicado terá feito o que pôde, mas sabe a pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-1270389818983191941?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/1270389818983191941/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=1270389818983191941' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1270389818983191941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1270389818983191941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/09/decroissance-ii.html' title='Decroissance ( II )'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-7295646334915124437</id><published>2010-09-19T13:24:00.002+01:00</published><updated>2010-10-12T14:26:48.384+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diversos'/><title type='text'>Uma Pocilga no Rossio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“… &lt;a href="http://ambio.blogspot.com/2010/09/mude-se-pois-esta-no-sitio-errado.html"&gt;o post &lt;/a&gt;não é sobre quem está mal mude-se, é sobre as pessoas que querendo desenvolver uma actividade económica num sítio onde legalmente não podem (por exemplo, instalar uma pocilga no Rossio), usam esse facto para tentar obter vantagens em vez de fazer uma de duas opções: ou adaptar a sua actividade económica ao enquadramento legal existente; ou mudar para onde seja possível o desenvolvimento do que querem fazer da vida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Pereira dos Santos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uso do argumento da “legalidade” para justificar um qualquer &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt;, é uma das mais estafadas falácias de autoridade. A “legalidade” não é necessariamente boa, não é imutável, nem preexiste desde os princípios dos tempos. A legalidade é simplesmente a tentativa de circunstância de adaptar as regras ao tempo em nome de duma ideia de bem comum. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outra falácia, desta vez de falso dilema, é usar o argumento do bem comum como se se tratasse de um único caminho, oposto ao do mal comum. Tal como o mal também o bem tem vários caminhos possíveis . Mas nenhum deles corresponde a um conceito com uma objectividade intemporal inquestionável que abarque simultaneamente o bem de todos e de cada um. O bem comum é apenas a narrativa que num determinado contexto social e politico reúne o consenso com poder bastante para impor a sua visão das coisas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim o processo politico para alcançar o bem comum raramente é linear. Mesmo quando o objectivo de bem comum venha a ser plenamente alcançado, isso não quer dizer que todos tenham sido beneficiados de igual modo e que nunca existam vitimas de percurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos pilares da nossa ordenação social é a propriedade privada. Não comento se é um pilar bom ou mau, constato que existe. Facto. O valor da propriedade, como a terra, é determinado por factores objectivos e subjectivos, ou seja, pelo valor de uso e eventualmente por mais qualquer coisa eventualmente fortuita, como a vista de mar . Mudanças nas regras de uso do território, implicam mudanças nos processos pré-existentes de valoração da propriedade e por conseguinte afectam inevitavelmente a vida dos terratenentes. Uma barragem que transforme terras de sequeiro em regadio vai valorizá-las duplamente - potencia a produtividade, a rentabilidade, e consequentemente aumenta o valor de mercado. Do mesmo modo, uma regra de ordenamento impeditiva da construção excepto onde ela já exista, valoriza o pré-edificado. E valoriza-o duplamente se a regra se impõe em relação a um território onde a apetência para a edificação já existia. Facto. Se o meu sonho é construir uma casa de férias com vista de mar, é absolutamente diferente adquirir para o efeito um lote de terreno com vista de mar mas integrado numa urbanização, ou um prédio misto isolado numa AP do litoral . Obvio que neste caso tenho a manutenção da vista razoavelmente garantida, enquanto no primeiro estou dependente das particularidades dos projectos circundantes. E, claro, tudo isto se reflecte nos preços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para constatar que as coisas funcionam assim, não é preciso um estudo académico. Basta uma consulta ao cardápio da REMAX. Não foi por acaso que o preço médio do ha de sequeiro em Ferreira do Alentejo saltou seis degraus logo que se começaram a construir os adutores ao Alqueva.Como também não é por acaso que a REMAX não promove prédios rústicos no Portinho da Arrábida ou na Costa Vicentina. Dou de barato que a transposição de correlações para casualidades nem sempre é tão fácil. Mas não sejamos ingénuos. Qualquer intervenção sobre o território em contexto de propriedade privada da terra, é tudo o que se queira menos neutra. Altera os equilíbrios anteriores, produz mudança, e nas margens do processo acorrem beneficiados e prejudicados concretos. Seja o traçado de uma estrada ou a localização de um aeroporto, um perímetro de rega ou uma AP, qualquer dessas intervenções sobre o território constituem mudanças com impactos sobre a situação anterior. Será inevitável. O que não é inevitável é que se remeta esse tipo de fenómenos para a categoria dos azares do destino, como seria cair-me um raio em cima. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Posto isto passemos à magna questão da pocilga no Rossio, tentando comparar o que é comparável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A possibilidade de construir pocilgas no Rossio está fora de questão há muito. Por isso a ideia só poderia ocorrer a um ET ou ao equivalente terráqueo capaz de qualquer coisa para aparecer no telejornal das 20. Para as pessoas normais, o simples enunciado dessa possibilidade numa discussão séria resume-se ao que é: um fait-divers pouco imaginativo inserido numa tipica falácia de derrapagem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De facto a hipótese colocada nada tem a ver com o caso do rústico a quem de um dia para o outro informam que vai deixar de poder criar porcos e de fazer mais uma série de coisas onde sempre o tinha feito. Bem, os tempos mudam e as regras mudam. Muitas vezes essas mudanças são decidas por todos menos por aqueles a quem vão afectar diariamente, mas tudo bem, deixemos isso para outra discussão. Para esta, o ponto é que o gajo é casmurro e teima em querer continuar a viver ali mesmo depois de lhe terem inviabilizado o modo de vida a que estava habituado. Sugerir a este tipo concreto que se adapte ou então que se mude, terá que ter uma ponderação diferente de idêntica sugestão feita ao verde-urbano em fuga ao stress citadino que resolveu mudar-se para o sitio já na vigência das novas regras mas que não gosta de algumas delas. Além disso, ainda em relação aos que já lá estavam, mesmo dando de barato a bondade da sugestão, importa perceber que nem todos os criadores de porcos a quem as novas regras vieram mudar a vida têm as mesmas condições para realizar a adaptação ou a mudança sugeridas. Deu-se a circunstância de que uns tantos tinham construído uma pocilgas de taipa em vez de simplesmente deixarem as porcas parirem a campo. Ora como quem proibiu a criação de porcos não proibiu a reconversão das ditas pocilgas em versões várias de romantismo rústico para veraneio urbano, houve ex-suinicultores a quem saiu literalmente a lotaria, enquanto os outros ficaram agarrados ao cajado. Ou seja, enquanto os primeiros se quiserem podem abrir uma pizzaria no Rossio e mudar de vida por cima, aos restantes que também se queiram mudar resta-lhes oferecerem-se para empregados de limpeza da dita, mudando de vida por baixo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As áreas protegidas não integrarão regulamentação que em si mesma se possa considerar mais ou menos promotora de desigualdades que outra regulamentação qualquer sobre o uso do território. Dou isso de barato. Mas as AP’s não foram classificadas ao acaso. Elas estabeleceram-se em contextos geográficos concretos cuja mais valia paisagística já existia e foi reconhecida. Além disso aconteceram num contexto de prosperidade económica concreto, propenso à valorização e à aquisição das “ultimas jóias”. Ou seja, a “promoção da desigualdade” não terá sido uma intensão ou um processo especifico das AP’s, mas não deixa por isso de ter sido particularmente acentuado nas suas áreas de influência, dadas as circunstancias concretas em que elas evoluíram. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É a esta situação concreta que me referia na resposta em que disse que as pessoas não se adaptam ou mudam como querem, mas como podem. Nada mais que isso. Sugerir o contrário é apenas um dislate infeliz a que nenhum de nós está imune.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-7295646334915124437?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/7295646334915124437/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=7295646334915124437' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7295646334915124437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7295646334915124437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/09/uma-pocilga-no-rossio.html' title='Uma Pocilga no Rossio'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-7288267703837258499</id><published>2010-09-08T17:21:00.002+01:00</published><updated>2010-10-12T14:33:33.152+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Decroissance</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Bom dia , Maria da luz !&lt;br /&gt;- Alucinas ?! Achas que vou ter um bom dia sabendo o camarada Arnaldo Matos nos calabouços do COPCON ?!&lt;br /&gt;- Mas não tinha sido libertado ontem ?...&lt;br /&gt;- Mas foi preso outra vez por esses lacaios revisionistas a soldo do imperialismo soviético!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E lá seguia, brusca, azul, desenvolta, guerreira, linda. Uma tentação. Mas, com o espírito assoberbado por uma militância compulsiva na ala mais radical do MRPP, chegar à fala com ela era o cabo dos trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Maria da Luz, queres ir beber um cafézinho ?&lt;br /&gt;- Esse hábito burguês que ignora a exploração do proletariado campesino pobre pelos grandes interesses do capitalismo agrário ianque ? Nem pensar !&lt;br /&gt;- Não, Maria da Luz…este é do Nabeiro…vem de Espanha….de contrabando&lt;/em&gt;…- Mas nem assim! E era uma pena. Ela bem tentava disfarçar a generosidade com que a natureza a tinha prendado. Usava uns trapos que eram o que de mais parecido devia haver com a indumentária dos guardas vermelhos. Mas perante aquela fluidez no andar nem a provecta idade do Mao ficaria indiferente. Acho que não houve adolescente daquele liceu a quem a Maria da Luz não tivesse povoado pelo menos uma insónia. Só que, a cores e ao vivo, népia, não havia registo do esboço de um sorriso que fosse, quanto mais do resto. Delicada como porcelana, Maria da Luz tinha pior feitio que o muro de Berlim e a muralha da China juntos, era duplamente intransponível. De modo que já me tinha conformado a alinhar no batalhão dos desistentes. Até que naquela manhã de Abril tudo mudou, como se fosse uma perestroika antecipada . &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O “trinta cabelinhos” tinha pedido para depois da Páscoa um ensaio crítico sobre qualquer coisa. Como o tema era livre eu resolvi escolher a crítica à escola. Não foi uma escolha tão criativa quanto possam estar a pensar, confesso. Na verdade o que sucedeu é que fui procurar a nova edição do Asterix à Casa Inglesa, ali ao Largo do Dique, e junto à caixa estava aquele livrinho em francês que me chamou a atenção: “ Une societé sans ecole”. Dei uma vista rápida, estava cheio de ideias giras, achei óptimo, tipo papa feita, de modo que comprei, li em diagonal, traduzi, adaptei, resumi, e quando chegou a minha vez subi ao palanque e proclamei: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; "A escola parece estar destinada a ser a igreja universal de nossa cultura em decadência." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Habitualmente alheada lá nos refundos da sala daquele mundo burguês que a enfastiava de morte, a Maria da Luz levantou os olhos. E á medida que eu prossegui debitando &lt;a href="http://www.infed.org/thinkers/et-illic.htm"&gt;Illich&lt;/a&gt; ela começou a sorrir. Como era motivador aquele sorriso! De modo que redobrei na convicção, embora admirado por ainda haver prosa de pendor revolucionária desconhecida da Maria da Luz, que dominava de cima a baixo toda a retórica marxista-leninista, e respectivos anexos. Só mais tarde vim a saber que ela não lia estrangeiro. Ora Illich não estava traduzido. Sorte a minha. Não convenci o “trinta” com o plágio, mas a Maria da Luz foi sentar-se ao meu lado logo ao segundo tempo, na aula de biologia, dando inicio a um intimidade que durou tanto quanto o permitiu a obra publicada do austríaco, ou seja, até ao fim do ano lectivo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Durante esse período, garanto que o Illich foi a única coisa que estudei. Tudo o resto, desde a matemática ao inglês, reproduzi de ouvido. Sobrecarregada pelos imperativos revolucionários, que não lhe deixavam tempo para mais nada, a Maria da Luz tinha acumulado um apetite voraz, e os meus desassete anitos só conseguiam dar conta do recado graças aos extensos intervalos que as discussões sobre o pensamento do Illich proporcionavam. Desde então criei uma dupla gratidão para toda a vida. Ao austríaco, por me ter facultado a senha de acesso a um jardim espectacular que de outra forma nunca teria visitado, e à dona do jardim, graças a quem li o Illich com um fervor que nunca mais dediquei a nenhum autor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como tudo na vida tem consequências, também esta experiencia deixou mazelas. Fiquei com enorme dificuldade em ler ou ouvir determinado tipo de criticas ao capitalista liberal e respectivas variantes sem perder a compostura, desmancho-me a rir. É que,  dos ecologistas aos verdes, dos sustentáveis aos decrescentes, há quatro décadas que todos se atarefam em seguir-me as pisadas quando preparei a tal apresentação para filosofia: plagiam descaradamente o Iliich. No entanto duvido que o &lt;a href="http://www.ces-surrey.org.uk/people/staff/tjackson.shtml"&gt;Tim Jackson&lt;/a&gt;, por exemplo, o tenha feito para merecer um sorriso da Maria da Luz, embora na verdade eu nunca mais tenha sabido dela. Depois das férias, quando voltei da campanha da cavala, ainda lhe telefonei. Eu ia mudar de poiso, ela possivelmente também e, sabia-se lá ?, podia ser que houvesse interesse na manutenção de certas pontes.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Olá Maria da Luz !&lt;br /&gt;- Olá. Diz .&lt;br /&gt;- Olha, queres ir comer um sorvete à Praia da Rocha ?&lt;br /&gt;- És parvo ? Sabes em que condições trabalham os operários das multinacionais que monopolizam a industria burguesa de lacticínios ? –&lt;/em&gt; Abalroado, ainda manobrei de emergência na tentativa de mudar de bordo rapidamente.&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Olha, sabes, estive a ler uns textos interessantes ?&lt;br /&gt;- De quem ?&lt;br /&gt;- Henri Lefebvre…&lt;br /&gt;- Já conheço. Não tem interesse. Adeus !&lt;/em&gt; – E desligou ! Até hoje. Espero que ainda ande em busca de autores revolucionários desconhecidos capazes de lhe soltar aquele sorriso fantástico. Antes isso que ter descambado no ultra liberalismo do Durão ou no ressabiamento persecutório do Pacheco, ou da Morgado. Quanto ao Ivan Illich, encontrei-o por mero acaso uns anos depois, quem diria ! Ele dava uma conferência na velha Penn e eu andava perto de Filadélfia. Foi quando, 1988 ? Talvez, não interessa. O Possinger conhecia-o, soube do programa, convidou-me e lá fomos. No final  apresentou-nos e eu aproveitei para agradecer-lhe - « Thank you ! ». O Illich  correspondeu com um sorriso, deve ter ficado a pensar que tinha a ver com a palestra, mas estava enganado. O Jackson não sei se o conheceu pessoalmente, mas que diabo, bem que lhe podia ter-lhe  deixado um " thank you" póstumo na nota de abertura desta pseudo-novidade que dá pelo titulo de &lt;a href="http://www.earthscan.co.uk/SpecialBookProductPages/ProsperityWithoutGrowth/tabid/102098/Default.aspx"&gt;"Prosperity without growth", &lt;/a&gt;pois lá por dentro o livro tresanda a razões para isso. E lá iremos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-7288267703837258499?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/7288267703837258499/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=7288267703837258499' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7288267703837258499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7288267703837258499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/09/decroissance.html' title='Decroissance'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-4672950474092132095</id><published>2010-09-05T12:29:00.005+01:00</published><updated>2010-10-12T14:26:48.385+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diversos'/><title type='text'>Há Pobres e pobres ...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O basófia do Almerindo era daquele tipo de pessoa que todos os dias tinha uma razão de queixa qualquer. Ou doía-lhe as costas, ou tinha uma vaca doente, que chovia, que fazia sol, enfim, qualquer coisa era uma boa razão para clamar, barafustar. Naquela tarde domingueira deu-lhe para embirrar com os ricos, que eram uns palhaços, uns filhos da tal senhora e de um senhor com dores de testa crónicas, e mais isto, e também aquilo, e que o mundo havia de ser sempre a mesma merda, com os ricos de um lado e os pobres do outro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chagado a este ponto, o velho Rocha resolveu cortar-lhe o monólogo com um pergunta atirada lá do seu poiso habitual na ponta do balcão do café do Zé David , onde costumava inteirar-se  do estado do mundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Atão tu na gostavas de ser rique ?&lt;br /&gt;- Omessa, Mestre Rocha ! Quem é que na gostava de ser rique ? !&lt;br /&gt;- Atão já tás a ver como tavas a dizer disparates?…&lt;br /&gt;- Por mom de quê , Mestre Rocha?! &lt;/em&gt;– O velho Rocha dignou-se desencostar-se do balcão, endireitou as espáduas, virou-se, e rematou daquela forma indefensável que deixava em pânico quem quer que fosse que estivesse à baliza:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Tá bom de ver que o mundo na se divide nada entre riques e pobres, criatura ! O mundo divide-se entre os que já são riques e os que na são mas querem ser, come é o té case !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Lembrei-me deste episódio a propósito de um grupo de pessoas genuínas e bem intencionadas que partilha na blogosfera o sonho de acabar com a pobreza . É um sonho bonito, simpático, daqueles que geram adesões espontâneas de todos os genes altruístas por mais recessivos que sejam. Por isso a abordagem critica deste sonho é uma tarefa antipática. Tenho-a adiado por isso mesmo. Mas como a minha intenção não é destruir o sonho, apenas questionar a utopia, aqui vai o meu contributo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode-se definir a pobreza sem definir a riqueza ?Talvez não ! Onde não há termo de comparação a pobreza, isto é, viver com pouco, é a condição normal. No entanto, como a distribuição histórica dos bens raramente tem sido equitativa, o estado “normal” das sociedades é que coexistam uns poucos que têm muito e uns muitos que têm pouco . Mas basta isso para tipificar a pobreza ? Talvez não baste. Pode-se viver bem com pouco e mal com muito. È mais saudável ser magro ou obeso ? A resposta basta para ilustrar o meu ponto, que é a dificuldade de estabelecer uma grelha quantitativa, generalista, que enquadre a pobreza. Percebe-se isso nas várias  tentativas de sistematização, como a deste &lt;a href="http://contrapobreza.blogspot.com/2010/08/as-dimensoes-da-exclusao-social.html"&gt;post&lt;/a&gt;. A modernidade de consumo e abundância sente-se na necessidade de redefinir as fronteiras da pobreza porque as expectativas mudaram. Ser pobre deixou de ser tipificado pela capacidade de resolver as necessidades básicas, já não basta dizer que é viver com pouco, tem de se dizer também o que se entende por pouco. Quando há uns tempos um governo qualquer resolveu aumentar o abono de família em não seis quantos cêntimos, não faltaram os beneficiários disponíveis para declarar aos telejornais que isso “nem para as fraldas” dava. Quer dizer, ser pobre já não é andar de cu ao léu ou de camisas remendadas, mas não ter orçamento para fraldas descartáveis, pois as outras, as que se lavavam todos os dias, são vistas como…não sei como, sei que já ninguém as usa, nem ricos nem pobres. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portanto, procura-se actualizar e incluir novas dimensões no conceito de pobreza. Mas a tentativa comete o pecadilho das fraldas: define as necessidades de acordo com um paradigma cujas fronteiras descolaram da utilidade das coisas e remete para o Estado abstracto a responsabilidade que é de todos e de cada um -  fazer pela vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A moderna luta contra a pobreza tem  por objectivo a equidade universal na abundância. Ainda que relativa, é de distribuir a abundância que se trata. A adquirida e a por adquirir. Cá por casa, o próprio PCP não se inibe de incluir o crescimento do PIB no seu discurso. Percebeu que o que há não basta para satisfazer as suas reivindicações de mais de tudo para os do costume e alinha com os outros na necessidade, não só de melhorar a distribuição, mas também de aumentar a riqueza. Mas esta riqueza que se infere tem pés de barro. Ela avalia-se segundo critérios monetários transitórios e obtém-se com soluções intensivas de aprovisionamento energético cuja durabilidade não está assegurada. Ou seja, a abundância que consideramos possível mas mal distribuída, não é real nem está garantida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem gosta de angariar aderentes aos seus discursos incorporando na retórica as possibilidades de redistribuição do património concentrado nas mãos dos ricos, tende a esquecer que essa solução já foi ensaiada e que se saiba raramente correu bem. Entre nós o ultimo ensaio aconteceu no pós-74, por exemplo. Quem esteve atento percebeu que o património dos ricos só vale o que se apregoa quando há outros ricos para o comprar, mas o pessoal já se esqueceu disso. Quer dizer, não se vai longe redistribuindo fortunas. Coisas como iates nem para ir à pesca servem. E para os trocar por patacos, pois ou sobram ricos que paguem o que se convencionou que aquilo vale ou então não vale nada porque não serve para nada. Não se trata de pactuar com a amoralidade na obtenção ou na concentração da riqueza. Mas de reflectir que os luxos que pontuam na avaliação das fortunas são sobretudo coisas assim, inutilidades que criam a ilusão de prosperidade onde ela não existe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, aquilo a que se convencionou chamar melhoria geral das condições de vida, ou seja, o acréscimo significativo de facilidades que se têm registado nas ultimas décadas na obtenção de bens e serviços, não está ligado ao desenvolvimento de uma capacidade efectiva e duradoura de colheita e distribuição desses bens. Está sim ligado a soluções de aprovisionamento e uso de energia que não são racionais nem definitivas. E a paradigmas macroeconómicos que semeiam dependências disfarçadas sob roupagens surrealistas de interdependências globais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer, abordar a questão da pobreza pelo lado da distribuição, talvez seja curto. Curto porque dá como adquirido o que se julga disponível sem cuidar de perceber se essa disponibilidade é real ou aparente, duradoura ou transitória, necessária, supérflua ou, simplesmente, inútil. Esta estreiteza de vistas pode ter a ver com outro género de pobreza essa sim deveras complicada, que é a cultural. A memória de saber viver no território que suportou a civilização que herdamos, tem vindo a degradar-se . Os arautos da mundividência criticam o provincianismo. Mas os Almerindos da pós modernidade já não são apenas ignorantes que querem ser ricos, são ignorantes letrados, impressionistas da vida. Eles sabem papaguear os problemas da fome em África, mas não são capazes de cultivar uma batata no quintal lá de casa. Ou seja, tal como certos luxos, têm mero valor decorativo, não servem para mais nada . E isso é pior que a pobreza, é uma miséria, porque revela falta de sabedoria para dar bom uso ao que se tem, seja pouco ou seja muito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-4672950474092132095?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/4672950474092132095/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=4672950474092132095' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4672950474092132095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4672950474092132095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/09/ha-pobres-e-pobres.html' title='Há Pobres e pobres ...'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-2298183105297617205</id><published>2010-09-02T11:10:00.003+01:00</published><updated>2010-10-12T14:27:17.319+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diversos'/><title type='text'>Teoria dos Erros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tranquilos ! Não se segue nenhum prato pesado sobre filosofia da matemática. O tempo vai quente e as refeições querem-se leves. Portanto, vamos a uma recensão de lugares comuns sob a égide do erro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em comentários ao post anterior falou-se da dificuldade em  assumirmos os erros. E eu fiquei a matutar sobre o que é isso dos  erros. Pode dar-se o caso de usarmos o conceito de erro de formas perfeitamente abusivas. São muitas as expressões que incorporamos nos nossos raciocínios e nos nossos discursos sem  nos  darmos ao incómodo de nos determos  sobre o seu significado. Sobram as ideias que adquirimos automaticamente. Esse  pragmatismo é necessário mas pode redundar em leituras simplistas das coisas,  e o  conceito de erro é daqueles que se presta a isso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Raramente separamos a noção de erro de um absoluto omnisciente, como se houvesse  uma clarividência transcendente  para aceder a tudo o que não se conhece ou ainda não aconteceu. No entanto o erro define-se em relação a uma convenção ou a uma norma, que são coisas mais que terrenas, elas mesmas sujeitas a erro. Daí que seria prudente não separar a ideia de  certo ou  errado da nossa inteligência das coisas e das   limitações que estão sempre associadas a esses processos. A nossa compreensão do mundo e de nós mesmos,  é apenas a que é possível. E o erro, mais que uma consequência de uma compreensão imperfeita ou de uma prática  incorrecta, é um ingrediente da vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eventualmente, viver-se-ia melhor aprendendo a incorporar os erros nos nossos processos que procurando evitá-los. É que os erros que se cometem na vida não são do mesmo tipo de erro grosseiro que se pode cometer num procedimento  químico sobejamente conhecido. Se as mulheres fossem água e os homens ácido sulfúrico, só cometia erros de diluição quem quisesse. O  protocolo de diluição do ácido sulfúrico está bem estabelecido. Recomenda que se deve adicionar sempre o ácido à agua e lentamente. Inúmeras experiencias realizadas já demonstraram à saciedade que o  contrário explode aquela merda toda nas trombas do criativo. Mas como as pessoas  não têm as  propriedades químicas e a previsibilidade do comportamento  dos ácidos e das bases, é frequente que das  respectivas misturas   resultem reacções  imprevistas. Talvez seja essa a chave para a compreensão da diversidade da vida. Mas temos o mau hábito de valorizar  as experiencias bem sucedidas  sem reflectir que por cada sucesso alcançado se cometeram carradas de erros. E esquecendo que para  empreender  pelo desconhecido é preciso algum atrevimento. O atrevimento é o motor da mudança. E o erro é inerente aos processos de quem se atreve.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portanto,  quem é que errou ? A Felismina, que ainda não percebeu qual o papel do sonho na vida? Errou a vida que tem o hábito  de se apresentar como um sonho ? Ou errei  eu, que já na altura tinha a mania de que o que não calamos é o que melhor nos define ? Errou a minha parceira de deambulações  pelas estradas toscanas por só me ter dito que era casada muitos dias depois daquele primeiro  abraço que nos demos numa ruela de Orino? Ou errei  eu,  que acho que não tenho nada  a ver com isso  ? Se tivesse sabido que ela era casada, que devia eu ter feito ? Fugia, para  prevenir posteriores acusações de responsabilidade num processo de divórcio ?  Ou pedia uma batina emprestada ao vigário de serviço e assumia-me como paladino do mandamento segundo o qual não posso cobiçar nem perlimpimpar a mulher do próximo,  mesmo que ela obviamente  me cobice e me queira perlimpimpar a mim  e eu não tenha das mulheres o conceito de propriedade do próximo nem   conheça o gajo  de  lado nenhum  ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assumir os erros ? Sim, mas desde que não se atribua  aos erros uma importância que não têm. Sobreavaliados, os erros  fazem dos medos  cobardias paralisantes,    alimentando   a crença insana de que a vida é um projecto que é possível executar com  a  perfeição dos santos. A procura da perfeição é legitima. Mas só me parece  saudável se tivermos  claro  que é duma utopia que se trata. Quem não percebe isso faz da vida uma contrição permanente.  Por mim,  basta-me colher o que semeio e não fugir da merda que faço. Limpo a que posso, meto o resto  na compostagem e é com isso que fertilizo a horta onde irão germinar com todas as imperfeições inevitáveis os dias que ainda estão para me acontecer.  Mesmo sabendo que  errei, só me arrependo do que não vivi. Quer dizer,  prefiro  os atrevidos, mesmo que revelem dificuldades em se assumir.  Lamento  é os idealistas  que se deixam aprisionar pelo que  “podia ter sido  se….”. Esses, como a Felismina,   fazem-me pena, pois disfarçam  a  falta de rasgo  numa espécie de masoquismo penitente que é imagem de marca de todas as malfadadas “vitimas do destino”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-2298183105297617205?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/2298183105297617205/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=2298183105297617205' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/2298183105297617205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/2298183105297617205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/09/teoria-dos-erros.html' title='Teoria dos Erros'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-289252680589601847</id><published>2010-08-30T18:12:00.002+01:00</published><updated>2010-10-12T14:27:17.321+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diversos'/><title type='text'>Bodes Expiatórios</title><content type='html'>Os antigos que habitam as serranias algarvias mantêm o hábito de informar que “foram ao Algarve” de cada vez que se deslocam ao litoral. Tomo-lhes a tradição de empréstimo para  que se perceba que fui ao Algarve, sim senhor,  teve de ser. É raro,  no verão até  pago para evitar a dose, mas aquela repartição não aceita procuradores, tem de ser o próprio, teve de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava  então eu no Algarve de senha na mão  na expectativa de ser atendido,  quando da ré por estibordo me chegou um inesperado interpelo:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Rocha ?!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Virei a proa  e liguei o histórico da base de dados fisionómicos. Como era cedo a ligação estava rápida,  e aqueles olhos pretos como azeitonas ajudaram ao reconhecimento da colega de liceu que não via… desde que o acabei ! A minha base de dados, no entanto, tem um problema : não está etiquetada. Reconhecer caras é fácil: a legenda com o nome é que ainda está em arquivo de papel. Mas como já levo certa prática, normalmente consigo aguentar a conversa até chegar lá.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Oláá !!! Estás boa ??&lt;br /&gt;- Então não vês ? Estou velha ! Tu é que estás na mesma !!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Sempre que me dizem isto tenho de me conter. É que há uns anos sai-me com essa e lixei-me. Era um  professor que já não via ia para mais de uma década, com quem ia partilhar a mesa de um seminário.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Mas que gosto em vé-lo !! O professor está na mesma !&lt;/em&gt; - Aí ele puxou-me à parte e confidenciou-me num registo sacanóide que lhe era muito próprio.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Dizes isso porque não dormes todas as noites comigo&lt;/em&gt;…&lt;br /&gt;Ficava mal ter respondido o mesmo à Felismina. Isso , Felismina, descobri a etiqueta.  Portanto contive-me e segui o guião da praxe, já com as legendas a funcionar.&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Então,  Felismina. Que é feito de ti ?&lt;br /&gt;- Olha, agora estou de férias…&lt;br /&gt; - Mas estás  cá  de férias ou …&lt;br /&gt;-  Não, não, moro e  trabalho cá, sou professora no nosso antigo liceu, professora de matemática…por tua culpa !&lt;br /&gt;?!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Faço um resumo senão ficámos aqui o resto do mês.&lt;br /&gt;Éramos finalistas e a Felismina queria ir para medicina. Medicina na altura já requeria médias altas e á Felismina ainda faltavam uns trocos para chegar à que precisava. Andava a negociar caso a caso  esses arredondamentos e pelos vistos as coisas até não lhe estavam a correr mal. O professor de biologia é que pelos vistos  destoou. Em lugar de lhe dar ou negar  o bónus que ela pedia e calar-se, resolveu colocar o caso à consideração da turma, imagine-se ! Estávamos em 75 e   instalava-se um hábito estranho de desresponsabilização colectiva a que alguns ainda chamam democracia. Ao tempo eu já tinha o mau hábito de dizer o que pensava. Não tinha a experiencia dos efeitos desse género de atitude que hoje tenho, mas o hábito já lá estava. De forma que não me inibi de dar o meu contributo para aquele pusilânime  processo de decisão, alegando que se íamos ter notas a pedido talvez fosse preferível perguntar a cada um a nota que queria para si em lugar de perguntar a todos que nota é que  devia ter a Felismina. A Josefina, por exemplo, tb precisava de um empurrão para entrar no magistério. Mas como era um inibido pãozinho sem sal nem graça, nem se atrevia a pensar em semelhantes negociações, portanto, para que ali não houvesse filhos de deuses menores…. Na turma ouviu-se um murmurinho de aprovação. Mais ninguém falou, o professor  resolveu não dar  à Felismina o bónus de 3 valores que ela pretendia,  e ela hoje é uma frustrada  professora de matemática…por minha culpa !!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De  regresso ao meu eremitério,   ocupei os quilómetros tentando recapitular que outras culpas do género posso ter por ai escramalhadas. E fiquei preocupado, confesso. Ponham-se no meu lugar e imaginem que daqui por uns anos eu reencontro  num voo transatlântico a companheira de esperas de ligações pelas estradas toscanas,  de quem vos falei no post anterior .&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-  Manoele  !!&lt;br /&gt;- Helloooo !!!&lt;/em&gt;  - E enquanto lhe procuro o nome no tal arquivo que se calhar nunca hei-de carregar, largo a pergunta de circunstância - &lt;em&gt;How is  life ??&lt;br /&gt;- …Not so well !!... I’m divorced now…because of you !&lt;br /&gt;- ?!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-289252680589601847?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/289252680589601847/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=289252680589601847' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/289252680589601847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/289252680589601847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/08/bodes-expiatorios.html' title='Bodes Expiatórios'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-587558869363577416</id><published>2010-08-25T11:48:00.002+01:00</published><updated>2010-10-12T14:27:17.322+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diversos'/><title type='text'>O Poder dos Mídia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A insónia instalou-se quando a exótica passageira do lado trocou a almofadinha da British Airways pelo meu ombro. Agora ajeita-se. No processo requisita-me também o braço direito e inunda-me de cheiros a ervas frescas. Conformo-me. Com o braço que sobra, envio um aceno de socorro à solicita assistente de bordo. Ela consegue-me some portuguese newspapers disponibilizados com um acent tão irish quanto o sorriso. São da semana passada mas que se lixe. Qualquer coisa é bem vinda para me distrair a noite do consistente ronronar morninho da sedosa desconhecida que já me dorme literalmente ao colo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há meses que não sei noticias da terra. Mas pelo que a mão esquerda vai folheando, pouca coisa mudou nesta ausência. Entre polvos de faces por descobrir e revisões constitucionais por acontecer, o essencial permanece. E o essencial são as incontornáveis prosas dos opinantes articulistas regimentais. Quais pilares do edifício luso, eles dão provas de resistência a qualquer alteração climática. São homens e mulheres que nunca têm dúvidas e que nunca se enganam, autênticos gauleses desta pós-modernidade, irredutíveis na forma como se batem contra qualquer arroto que a ética possa libertar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com uma criatividade mais assertiva que poção mágica, fazem noticia sobre o que não aconteceu… mas podia ter acontecido. Isto não é jornalismo, senhores, é arte ! E eu dou graças a tais artistas. Bem hajam! São eles quem me ajuda a fazer de conta que ignoro as deambulações das mãos da minha vizinha, que há dez minutos me percorrem sonolentas sem se aperceberem por onde andam, as malvadas. Exímio na arte de instrução, julgamento e condenação em processo sumaríssimo do mais pintado, o jornalista luso nada perdoa. O Sócrates é mentiroso, o Cruz pedófilo , o Lima assassino.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Se foi o ultimo a vé-la com vida…&lt;br /&gt;- Ah sim ? Por isso ?! Quer dizer que têm a certeza que foi o ultimo ?&lt;br /&gt;- Bem, a autopsia não foi conclusiva…. Mas no Brasil encomendar um serviço é barato, portanto ?…&lt;br /&gt;- Portanto ?! E por que não eu o mandante, pá ? Sabias que o meu sonho era engatar uma velha herdeira para o golpe do baú e depois despachá-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O formato tablóide que contaminou a comunicação, é como uma inundação de falta de carácter, que alastra com uma virulência superior a todas as gripes conhecidas e por inventar. Nenhum agente se revela tão bom vector da mediocridade como o mau jornalismo. Foi ele que consagrou o principio de que todos somos culpados de qualquer coisa até prova em contrário. E insinuar essa culpa primordial é o fim que justifica todos os meios. Indigno-me, agito-me, incomodo a minha vizinha e ela muda de posição. Sorte madrasta ! Chega-se ainda mais e no processo abre-se-lhe outro botão do camiseiro. Esta é daquelas para quem as copas da Triumph são um acessório inútil, e eu já não sei onde me meter. Pena não ter por aqui o contacto de um destes jornalistas que sabem tudo e têm solução para tudo. Mas por que raios não se acaba com políticos, economistas, magistrados ou juízes, se temos jornalistas mais sábios e capazes que qualquer deles ?? Tento concentrar-me nesta tese mas não há condições. Salva-me a voz do comandante a avisar a malta da iminência da descida para Roma. A vizinha acorda, lânguida, demorada nos sorrisos:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Did I behave ?&lt;br /&gt;- Believe me : you don’t want to know !&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ela olha-me, ainda demorada. Não sei se pondera a resposta se simplesmente a procura nos refundos do saco onde lhe desapareceu o braço, sem que o olhar se desvie . No espacinho entre a dúvida minha e a resposta dela, quem se desviou foram os meus olhos, teve de ser, pois reparo num identity press card que veio à tona, e onde aquele mesmo sorriso exótico pontuava lado a lado com uma sigla da BBC.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- But I do want to know&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;E que lhe hei-de eu responder se ela é das que quer saber tudo, se me sorri com tudo, se até já sabe que perdemos o voo de ligação e que temos vinte longas horas para resolver pelo cafés di Roma ? Vinte ! Eram vinte e podiam ter sido longas, pois podiam, mas acabam por se passar tão depressa que falhamos completamente o voo seguinte, quer dizer, nem tentamos lá chegar, pois já era week-end, Roma estava caldissima, e ela achou que a Toscânia devia estar mais fresca, e agora fala-me de latadas verdes e de rosés de torpor, fala-me disso com sorrisos corados de frescura enquanto eu desatino com a falta da segunda na caixa marada deste restyling do Fiat Cinquecento da Destinia Car-Rental. Subimos para Orino, eu praguejo, ela ri, e quando se ri agita-se-lhe o decote onde as copas seriam ofensas, sobe-lhe a saia sobre as coxas para onde não posso olhar, atento às curvas, à segunda, ao ponteiro da temperatura a subir para o vermelho, espantado com a ideia absurda de ainda haver quem duvide do poder dos mídia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-587558869363577416?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/587558869363577416/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=587558869363577416' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/587558869363577416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/587558869363577416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/08/o-poder-dos-midia.html' title='O Poder dos Mídia'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-620571876535117306</id><published>2010-08-15T11:44:00.004+01:00</published><updated>2010-10-12T14:30:12.736+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia. Território. Ambiente'/><title type='text'>Evidência ou fé ?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Basta uns dias mais quentes e , quais ursos polares hibernados durante os rigores do ultimo inverno, logo reaparecem eufóricos os defensores da teoria do aquecimento global antropogénico .&lt;br /&gt;- Nós não dizíamos ?&lt;br /&gt;Confesso-me farto desta retórica. Tinha prometido a mim mesmo que não ia contribuir nem com mais uma tecla para este peditório, mas ainda não vai ser desta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Percebe-se que as criaturas que vivem de vender papel e tempo de antena, precisem de matéria prima para variar a estafada ementa de Freeport’s e casos Maddie. Uma pessoa acaba a conseguir conviver com isso, que remédio. Ao que não me habituo é a que iniciativas de informação que deviam ter para consigo mesmas outras exigências, não se inibam tb elas de derivar para o simplismo redutor das análises típicas dos formatos tablóide. Vejam &lt;a href="http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=20&amp;amp;cid=22978&amp;amp;bl=1"&gt;esta noticia &lt;/a&gt;na Naturlink para enquadrar o que se segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudança climática é um conceito que pretende representar a ideia de uma alteração significativa das normais climatológicas de referencia ao longo do tempo num espaço territorial. O que se entende por normais de referência ? Entende-se as médias das observações verificadas num determinado conjunto de anos nesse espaço. Como é que se estabelece qual o conjunto de anos suficiente para definir essas normais? De forma fortuita. Como nos primórdios dos estudos climáticos as séries completas disponíveis eram poucas, começou por se usar grupos de 30 anos e a tradição manteve-se. Mas podiam ser 50 ? Podiam. E se fossem 100 anos ? Bem, quanto maior o numero de anos de cada série, menor a variabilidade entre séries. Dito de outra forma, a manutenção de séries curtas até dá imenso jeito ao desenvolvimento de teorias sobre a variabilidade do clima. Mas são representativas do clima?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A qualidade daquilo que se entende por representativo, não é a mesma de algo a que se possa atribuir uma objectividade inquestionável. Ser ou não ser representativo é um critério como qualquer outro. Muitas vezes a representatividade define-se ao contrário, quer dizer, de acordo com o que temos disponível. Quando o orçamento ou o tempo disponível não dão para recolher mais dados, os que existem têm de bastar. Só quem nunca andou nestas andanças das investigações e dos trabalhos de campo e respectivo tratamento estatístico é que não sabe do que estou a falar. Ora a partir do momento em que o estudo consiga entrar nos circuitos regimentais, torna-se irrelevante se devia ter sido suportado em mais ou menos dados. O que é relevante é que as conclusões sejam aceites e gerem consensos. Isso basta para legitimar muita coisa na metodologia que noutras condições mereceria inúmeros reparos. Mas não basta para transformar um consenso numa verdade objectiva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto as séries curtas continuam a ser usadas e com elas vêm as incontornáveis armadilhas. Imaginem que estudamos o fenómeno neve em Sevilha. Se as séries em estudo se reportarem ao período de 30 anos entre 1970-2000, não há registo de observações de neve em Sevilha. Conclusão : em Sevilha não neva ? Bem, em 2 de Fev de 1954 nevou e não foi pouco, e em 13 de Janeiro deste ano voltou a nevar à séria. Ou seja, se a série em estudo abrangesse o período 1954-2010, então a probabilidade de nevar em Sevilha já não seria zero. Dirá o crédulo: Ah, mas os cientistas prevêm essas coisas e é para isso que convencionaram os factores de correcção e outras ponderações estatísticas que tais! De facto. Mas continuamos a falar de critérios. E ainda que esses critérios sejam consensuais, repito-me, eles não são a realidade objectiva, apenas a aproximação possível com o actual estado da arte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mesmo se passa em relação ao uso de médias estatísticas para o estudo dos fenómenos climáticos. Não é o local nem o autor está habilitado para uma dissertação sobre filosofia da matemática. Mas há nesta matéria coisas elementares que se tende a considerar como adquiridas e estão mal adquiridas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A ideia de medidas de tendência central, entre as quais se inclui a média, são abstracções com as quais se pretende representar a realidade e desse ponto de vista têm-se revelado bastante úteis. No entanto têm limitações. Não podem ser usadas indiscriminadamente, pois elas não são a realidade. Ontem, 14 Agosto, a temperatura média em Castelo Branco foi igual à de Faro, ambas as cidades com 24,5ºC. Mas enquanto em Castelo Branco essa média se obteve com uma máxima de 33 e uma mínima de 16, em Faro a máxima foi de 27 e a mínima de 22 ! Ou seja, quem se fie nas previsões médias para acampar ao relento, é capaz de acordar a meio da noite a bater o dente nos camping de Castelo Branco. O estudo do clima como parte da biosfera, não se compadece com abordagens estatísticas meramente quantitativas. Hoje, às 10 TMG, Faro e Castelo Branco estavam ambas com cerca de 25º . Mas enquanto em Faro se registava 70% de humidade, Castelo Branco ficava pelos 30%, o que em termos de habitabilidade da mesma faixa térmica faz toda a diferença.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Qual a tese ? Esta: quando se pretende desenvolver estudos sobre o comportamento de fenómenos como as variáveis climáticas, são precisos indicadores para estabelecer comparações. Mas só se pode comparar o que é comparável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As médias de temperaturas são indicadores comparáveis. Mas os dados com que elas são construídas são comparáveis ? Dados como temperaturas, só se começaram a registar com o advento dos termómetros, uma ferramenta recente. Estamos a falar no máximo de 200 anos de observações, sendo que as sistemáticas são ainda mais recentes, o que, em termos da escala das coisas em que evoluem as variáveis climáticas, nos coloca na infância das observações. Acresce que essas ferramentas com que se recolheram dados durante este tempo, não têm sido as mesmas. Os termómetros abertos dos primórdios não registam o mesmo que os modernos, digitais. Além disso, a leitura a olho , sujeita a todos os possíveis erros, de paralaxe ou de desleixo, que imperou até há pouco mais de uma década atrás, não pode ser comparada com os métodos actuais. Mas essas diferenças são assim tão importantes que impeçam a comparação desses dados ? Os registos manuscritos dos idos de 1900 e as impressões informáticas dos registos digitais das observações de 2000, servem todos na perfeição para caracterizar os climas, para lhes esboçar tipologias. Mas quando se trata de estudar a variabilidade dentro dos climas, o caso muda de figura. É que a variabilidade intrínseca à qualidade dos dados, que está associada às ferramentas e aos métodos de recolha, pode &lt;a href="http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=weather-or-not-last-winte"&gt;anular a pretensa variabilidade especifica das temperaturas, quando o que está em discussão são diferenças na casa das décimas de grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;Existe ainda um outro aspecto que tem de ser tido em conta e que tende a ser ignorado nestas abordagens sobre a comparatividade dos dados. Refiro-me aos contextos. Podemos falar da temperatura de Lisboa às 15 TMG sem especificar em que local concreto a obtivemos ? Não ! Agora que até os carros já trazem termómetros, qualquer alfacinha sabe que se ligar a uns compinchas espalhados pela cidade para lhe lerem as temperaturas a uma hora certa, vai obter valores bastante diferentes conforme o local em que se encontrem. Esse aspecto tem sido tido em devida conta nos estudos de variabilidade térmica ? Os registos históricos de temperaturas para Lisboa foram sempre recolhidos no mesmo local ? E, ainda que o tivessem sido, nada mudou na envolvente do posto de observação ? Não existem mais edifícios a alterar as condições de circulação aérea, mais aparelhos de ar condicionado, mais automóveis , mais outros equipamentos que possam ter uma influencia significativa na alteração das condições locais em que se obtêm os registos ? E a ponderação que lhes foi atribuída, foi a suficiente para lhes anular os efeitos ? Como pôde ser objectivamente validada ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até aqui estivemos a falar de registos directamente comparáveis, i.é, medidos com instrumentos. No entanto, como se verifica pelas afirmações contidas no artigo que deu mote a este texto, as comparações já vão muito para além disso. Quando se afirma que Moscovo registou nos últimos dias as temperaturas mais altas dos últimos 1000 anos, estamos também a usar aquilo a que os climatologistas chamam medições indirectas. Uma das mais popularizadas recorre ao estudo comparado do crescimento das árvores. Extrapola-se o crescimento observado num ano de temperatura conhecida e infere-se que todos os anos com crescimentos idênticos registaram aquela temperatura. Bem, em igualdade de outros factores de crescimento, como luminosidade e disponibilidade de água e nutrientes, até é possível que sim. Mas houve como monitorizá-los? É que se não houve, convinha não esquecer que não é só da temperatura que depende o crescimento de uma planta. O leitor urbano aproveite o verão e ponha duas couves iguais em dois vasos iguais aí na varanda. Regue uma e deixe a outra à sede, que percebe imediatamente do que estamos a falar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Existem ainda outras referências indirectas para avaliar climas passados. Uma delas são os registos históricos. Mas mesmo esses devem ser lidos com algumas cautelas. Um dos argumentos usados como prova daquilo a que se convencionou chamar o período quente medieval na Europa, são as crónicas relativas ao cultivo de vinha no Sul de Inglaterra. Em princípio isto queria dizer duas coisas para aquela região na alta idade média: ausência de geadas no período vegetativo e cúmulo de temperaturas suficiente para a maturação da uva. Podemos então usar esta informação como indicador de uma época com temperaturas mais elevadas que as actuais ? Podemos, mas como hipótese, apenas isso ! É que nem todas as variedades de videira têm a mesma exigência de carga térmica para a maturação da uva. No campo das hipóteses e sem outras informações adicionais, o cultivo da vitis naquela região, tanto poderia ter decorrido do uso de uma variedade adaptada como da existência de um período climático efectivamente mais quente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Concluindo que isto já vai longo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando me informam que nunca tinham sido medidas em Moscovo temperaturas tão altas como as dos últimos dias, eu não tenho por que duvidar. Assim será. Mas também sei outras coisas. Sei que é a primeira vez em mil anos que elas são medidas com recurso a termómetros digitais. Também sei que a metrópole não existia há mil anos, que nunca foi tão grande. Sei ainda que não é normal Moscovo estar cercada por incêndios nas turfeiras que estão a arder porque têm vindo a ser sistematicamente drenadas. Não falo das ruas entupidas por tantos carros como os moscovitas de há duas décadas nem se atreveriam a sonhar, nem dos compressores térmicos que nasceram no exterior dos prédios como cogumelos. Nisso Moscovo é como qualquer outra metrópole. Portanto, eu até posso comparar os registos das temperaturas, pois posso. Mas honestamente não posso ir daí para qualquer outro lado porque tudo mudou no onde e no como elas são obtidas. Dizem-me que estamos perante provas de mudança climática. Bem, ela até pode estar em curso, mas usar o calor em Moscovo ou o frio em Buenos Aires como se fossem provas disso, transforma a suposta evidência numa anedota. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que os climas mudam. Sabe-se que mudaram várias vezes ainda antes dos homens terem aprendido a andar de gatas, quanto mais a queimar petróleo. Está em curso uma mudança climática de indução antropogénica ? Pode ser que esteja, como também pode ser que o clima seja uma entidade em mudança permanente. À partida qualquer teoria é legitima. O que não é honesto é procurar demonstra-las comparando o que não é comparável atolando as cabeças em abstracções falaciosas. A terra não tem um clima, tem climas. Além da diversidade regional, sabe-se que há nos climas variabilidade interna, e que as mudanças, que acontecem, quando acontecem, têm impactos bem distintos. Nalguns contextos há quem beneficie com elas, noutros quem saia prejudicado. Mas é essa a natureza mesma da mudança. São raras aquelas em que todos saem ganhadores. Eu percebo que possa haver quem ache que tem nesta matéria uma boa oportunidade para, perante a ameaça do “inferno”, levar as turbas irresponsáveis a inflectir inúmeras atitudes desastrosas com que vêm habitando o território. São almas bem intencionadas e ainda bem que existem. Mas então façam-me um favor: dispam a bata com que andam disfarçados de gente da ciência e assumam-se de vez como o que são, catequistas, que não percebem a diferença entre um facto, uma evidência, uma prova, e uma crença.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-620571876535117306?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/620571876535117306/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=620571876535117306' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/620571876535117306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/620571876535117306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/08/evidencia-ou-fe.html' title='Evidência ou fé ?'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-5558375778650600113</id><published>2010-07-11T16:07:00.002+01:00</published><updated>2010-10-12T14:31:07.455+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Oportunidades e oportunismos.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ainda há muito boa gente que vive convencida que basta ter boa voz para fazer uma carreira musical de grande sucesso. Mas não é bem assim. A celebridade não tem só a ver com vontade ou talento. Pode também ter a ver o acaso, é verdade. Para se chegar á fama è preciso estar no lugar certo na hora certa, embora não convenha estar de qualquer maneira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo que o marketing percebeu isso e inventou as máquinas de propaganda e as fábricas de celebridades. A ideia é que nem tudo tem que ser apenas fruto do acaso. Portanto, não admira que até o mais banal dos bardos saiba que precisa tanto de uma imagem como da voz para garantir uma audiência. São coisinhas como, por exemplo, nunca tirar os óculos de sol. Isso pode bastar para celebrizar um cantor que por acaso até nem sabe cantar. Não fosse isso e talvez o Abrunhosa se dedicasse à construção civil. Ou seja, as fábricas de celebridade tratam de expor no mercado das oportunidades as imagens que produzem. Só então se entregam ao acaso. As probabilidades fazem o resto e inevitavelmente algumas pegam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este preâmbulo de lugares comuns surgiu-me na ressaca da indisposição que me tem andado a provocar a forma como alguns personagens do mainstream do economês liberal e neo-liberal tradicionais, se têm aproveitado da crise do sistema capitalista vigente para se promoverem à condição de celebridades dissidentes . Roubini, por exemplo,tem feito tudo para se por a jeito para ser celebrado como o grande vidente que antecipou em dois anos a actual crise. Bem, conheço muita gente anónima que o fez, mas não eram assessores do FMI nem recorreram a nenhum tipo de marketing para promover essas supostas façanhas de adivinhação, e por isso é como se nem existissem. Mas não é bem isto que me traz aqui.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que me traz aqui é que a grande “descoberta” atribuída a Roubini é a ideia de que,a prazo, a auto-regulação é uma ficção e a regra é a crise. Mas esta ideia é pelo menos tão velha quanto a ecologia. Encontra-se por todo o lado na obra de Adams, logo no primeiro quarto do século XX, por exemplo. Só que, como teoria, é pouco simpática. E as teorias de sucesso precisam de ser simpáticas. As teorias bonitas e harmoniosas são mais atraentes. No limite até podem não ser melhores nem piores que outras, mas são simpáticas, que é como quem diz, têm boa imagem, e por conseguinte vendem muito melhor os documentários da National Geografic. Não é por acaso que a maioria da malta do movimento ambientalista já ouviu falar do Aldo Leopoldo mas não faz puta ideia de quem seja o Adams. De facto ele nunca pensou numa montanha com o romantismo larilas da abordagem do Leopoldo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portanto, o que fazia falta para tornar comestível uma boa ideia antiga e antipática, era um bom trabalho de imagem. E para isso nada melhor que a boleia da credibilidade granjeada pela façanha do adivinho mais celebre do momento, que assim até se torna duplamente célebre, uma vez que passa por pai da dita . Não se estranhe pois se nos próximos tempos se assistir à redescoberta das teses anexas que desde há muito tempo têm sido pregadas no deserto por alguns eremitas que têm tentando perceber o mundo na óptica do que é contingente, conflitual, incomparável. Seria uma variante interessante, sem dúvida, e uma excelente oportunidade para abastecer o depauperado arsenal de opções de governo . Não sei é se serão desenvolvidas de acordo com os seus corolários naturais. Tenho fundados receios que não, e que bons princípios de reflexão para desenvolver estratégias de governança de base regional, degenerem em más receitas generalistas e azedem em dois tempos ao serviço das necessidades de marketing pessoal das sumidades que as recuperaram. É que, como bem notou Horkheimer, quando a propaganda faz da opinião pública mero instrumento ao serviço da notoriedade, mais a opinião pública se assume como um substituto da razão. Pior que uma má ideia, só mesmo uma ideia consensual. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-5558375778650600113?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/5558375778650600113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=5558375778650600113' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5558375778650600113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5558375778650600113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/07/oportunidades-e-oportunismos.html' title='Oportunidades e oportunismos.'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-6268367708990654259</id><published>2010-01-21T18:47:00.002Z</published><updated>2010-10-12T14:27:46.684+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia. Território. Ambiente'/><title type='text'>"Climatgate"  - Ciência ou Advocacia ?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há quem se atarefe na defesa da pureza virginal da ciência. Mas convenhamos que se trata de uma  ingenuidade. Como qualquer outra actividade humana, a ciência é uma instituição imperfeita. E quem está ao seu serviço constitui claramente um grupo de interesses. Na defesa desses interesses  não é raro encontrar-se quem  dispa a bata e vista a toga para subir a   barra mediática e fazer  a  defesa das suas crenças ou das suas agendas. Nessas investidas usa como “cavalo de Tróia” a credibilidade que a ciência granjeou. Mas quando a usa corre o risco de a delapidar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para que  o trânsito pela vida não derive para um exercício de suspeição sistemática e desconfiança permanente, há certas coisas em que precisamos de acreditar. Há quem lhe baste acreditar  em  Deus, mas há também  quem  prefira acreditar no que é da objectividade. Para estes a   ciência é   uma importante reserva de credibilidade. Contudo,   a credibilidade  da ciência não se constrói  sobre o mesmo género de  argumentação  que suporta a  crença. No entanto, por razões de vária ordem,   é cada vez mais frequente que quem tem funções nas  áreas cientificas apareça em público a fazer a defesa das suas teses como se da defesa  de  crenças se tratasse. Confrontados com esta critica respondem em primeiro lugar com a autoridade do seu estatuto e em segundo lugar  com “evidências”e “factos”. Mas quais ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As  evidências não são todas iguais, evidências de correlação não podem ser lidas como evidências de causalidade, por exemplo. E  os factos são interpretações. Ora  enquanto à  ciência deve importar o  que remete para o rigor  do que é verificável e repetível, a quem advoga  basta o rigor formal que suporte determinada  retórica. Aos não especialistas  tolera-se alguma ambiguidade na abordagem destas distinções. Tolera-se mesmo  que dêem alguma  latitude aos conteúdos científicos na defesa de  opiniões. Qualquer advogado faz isso.  Coisa menos inócua é que biólogos, ecologistas, meteorologistas, ou de outra especialidade qualquer, assumam postura idêntica. Quer dizer,   que  sejam opinativos quando o que se requer é  que sejam objectivos. A questão é que há quem precise de confiar na solidez do que lhe compete divulgar sem que  tenha ( nem tem que ter ) condições para o confirmar, como é o caso de quem ensina. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora há áreas em que a  promiscuidade  do trânsito que se estabelece na fronteira entre ciência e advocacia se  tem revelado  como um dos  aspectos que  inquina o estudo,  a percepção e a divulgação de temas que marcam o nosso quotidiano. Este estado de coisas é particularmente sensível nas escolas, particularmente   nas   temáticas ligadas ao ambiente. Já por si a ecologia   ( como a metereologia ), enquanto  áreas  de estudo cientifico, apresentam dificuldades muito próprias. Perceber o funcionamento de sistemas  dinâmicos  não é exactamente a  mesma coisa que estudar a anatomia de uma rã anestesiada numa bancada de laboratório. O ambiente é um processo permanente de interacções complexas, onde   é raro que a mesma coisa se repita durante muito tempo.  Esta permanência na mudança é evidentemente um problema quando se trata de objectivar. Não é fácil confirmar uma proposição feita sobre algo que não pára “quieto”, não  se repete nem é repetível artificialmente. O que não é aceitável é que se pretenda ultrapassar estas dificuldades metodológicas cunhando de definitivo e sólido  o que é fluido e provisório,  de  cientifico o que é especulativo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A compreensão total do  funcionamento dos sistemas naturais poderá estar para lá da nossa capacidade de os entender. Apoiados nessa premissa seria  prudente reforçar a humildade e perceber que o que se vai adquirindo são visões parciais de parcelas delimitadas num tempo curto, para que não se caia em erros grosseiros,  como acontece quando se tenta projectar o futuro com base no passado como se a mudança não fizesse parte da equação. Algo semelhante acontece  quando se procura proteger uma espécie e se esquece o habitat, quando nos preocupamos  com o individuo e  esquecemos a população, quando escolhemos o bonito e negligenciamos o feio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há quem defenda que este género de  derivas possa ser devedora do facto de as  actividades ligadas à  ciência  se terem expandido para fora das suas fronteiras habituais, tradicionalmente   confinadas a departamentos estatais ou  instituições com fortes ligações ao mundo académico. Na actualidade, associações, ONG’s, empresas, fundações,  contratam especialistas e fazem ou aplicam  ciência. Contudo, nesta moldura, nem só as linhas de investigação não  se tornaram aleatórias como  a apresentação de resultados   deixou de ser uma consequência natural da actividade  desenvolvida,  passando a ser um elemento  de pressão  sobre os próprios resultados, pois da sua avaliação pode depender a sobrevivência do projecto. E daí ? Melhorou a independência da ciência ? Alterou-se  a sede de protagonismo   dos seus agentes   ? Piorou   a objectividade ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pretender dar resposta a este tipo de questões é um exercício que acaba sempre por desaguar numa contabilidade inconclusiva. Quem quer que seja consegue  angariar  argumentos para qualquer das teses que defenda. É evidente que com a  “secularização” da ciência   a sociedade civil ganhou clara relevância na governança,  e a possibilidade de fazer ciência independente existe. Mas a actividade cientifica é cara,  e não sejamos ingénuos ao ponto de pretender que mesmo o mais insuspeito mecenato é imune aos interesses ou aos jogos de poder  que inevitavelmente se organizam em redor dos processos de aquisição e gestão do conhecimento.Na verdade, o  &lt;em&gt;american way&lt;/em&gt; de “fazer ciência”  difundiu-se. Quer dizer, generalizou-se a necessidade de   qualquer projecto de investigação, conservação, preservação,   procurar e criar as suas próprias condições de   subsistência. Ora estes processos criam  dinâmicas de dependência muito próprias e não são raras as vezes em que se dá uma inversão da lógica que os inicia, quando  a  finalidade da iniciativa  passa a ser a manutenção duma  estrutura ou o modo de vida  dos respectivos actores.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Qualquer  empresa  privada ligada ao ambiente exemplifica esta situação. Ela tem de facturar para sobreviver, e por isso é natural que possa sentir dificuldades em compatibilizar a sua subsistência  com a objectividade e o rigor  nas matérias sobre as quais  exerce a sua actividade. Qualquer  área protegida ou qualquer ONG dedicada à conservação  vivem esse mesmo tipo de constrangimentos. Uma vez instaladas elas criam rotinas e habituações, e é inevitável que sintam   dificuldades em separar os  interesses pessoais que se constituem  da objectividade  da respectiva esfera de acção.As  ONG’s em particular,  não se podem dar ao luxo de ter ao seu serviço maus defensores das causas que as movem. O problema é quando o estatuto de credibilidade que lhes é concedido pela dedicação, pelo empenho ou pela combatividade que revelam, se confunde com a validade dos critérios  científicos em que se apoiam, pois em ciência a credibilidade não é uma questão de convicção,  de empenho, de oratória,  ou sequer de valores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que a objectividade tem naturais dificuldades em se despir dos valores de quem a procura.  Contudo,  a  confiança que se deposita na ciência deriva da expectativa de rigor e imparcialidade que dela se tem, e importa preservar essa reserva. Por isso ao cientista tudo o que se pede é que produza conhecimento  de forma tão objectiva quanto  possível, e que o divulgue de forma acessível, de modo a que o processo social e politico possa gerir os conflitos  no sentido do interesse público quando se trata de tomar decisões. Nada mais que isso.  Ainda que esteja coberta de razão e de boas intenções, não compete à ciência nem aos seus agentes definir o que é do interesse público  nem colmatar com  manipulações  a informação para forçar os  processos de decisão no sentido do que  lhe parece certo. Quando a ciência toma o partido da  crença e a defende, mesmo pelo lado do bem, manipula uma faca de dois gumes, pois se a crença se revela errada é a credibilidade de toda a instituição que se malbarata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-6268367708990654259?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/6268367708990654259/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=6268367708990654259' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/6268367708990654259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/6268367708990654259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2010/01/climatgate-ciencia-ou-advocacia.html' title='&quot;Climatgate&quot;  - Ciência ou Advocacia ?'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-8377028543030433972</id><published>2009-06-12T10:24:00.003+01:00</published><updated>2010-10-12T14:28:34.901+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diversos'/><title type='text'>O Provincianismo é Fodido !</title><content type='html'>&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como já reparou quem tem tido pachorra para me ler as divagações, a forma como tendemos a estar no território sem o perceber é um tema em que reincido com frequência. Não o faço por predilecção, mas por decepção. De facto, o que me faz regressar a ele é apenas o profundo desgosto que me causa esta deriva de género que uso apelidar de “provincianismo invertido” e que considero um dos sérios revezes culturais do nosso tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Digo revés no sentido de desastre, de perda de capacidade de entendimento do que nos rodeia e por isso de retrocesso na nossa capacidade de sonhar avanços com sentido para a nossa humanidadezinha. E digo provincianismo invertido por analogia à forma como o &lt;a href="http://citador.weblog.com.pt/arquivo/270680.html"&gt;definiu&lt;/a&gt; Pessoa: “ &lt;em&gt;O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.&lt;/em&gt;” Ora desta vez o entusiasmo, a admiração, o pasmo, de que falava Pessoa, viraram-se para o campo e para as suas supostas virtudes bucólicas, num movimento mimético de adesão inconsciente e feliz revelador da mais completa incapacidade de o entender.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre me é fácil explicar isto. Na dificuldade valem-me os amigos, que são uma fonte inesgotável de inspiração motivadora. Hoje, inadvertidamente, coube a vez à &lt;a href="http://blondewithaphd.blogspot.com/"&gt;Blonde&lt;/a&gt;, cuja odisseia de fim de semana, descrita com a magistralidade que lhe é peculiar, teve por resultado a produção quase automática desta crónica. Na verdade, seguir o percurso e a estadia da Blonde em terras do Alto Alentejo, foi para mim um revigorante exercício de espanto perante a sofisticação cultural a que chegou a nossa incapacidade de ver para além do olhar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que as generalizações valem o que valem. Mas quando é da Blonde que se fala o caso muda de figura porque esta Blonde que me inspira não é uma loura qualquer. È uma Mulher sensível, culta, cosmopolita. No entanto, estas qualidades que são fáceis de lhe reconhecer, não bastaram para que o seu sentido urbano de observação do território por onde transita se revelasse capaz de sintonizar uma “estação” para o interpretar para além do caricato dos acidentes de percurso. E é por isso que me atrevo a generalizar este estádio cultural, pois se para a Blonde as coisas são assim, como podem deixar de o ser para esta sociedade culturalmente, essencialmente, urbana ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De facto a Blonde, a mesmíssima Blonde que vai a Gizé admirar-se com as pirâmides dos Faraós, transita a caminho de Alter por uma extraordinária ponte romana arquitectada e construída num tempo em que ninguém sonhava com as tonelagens que ainda iria ter suportar dois mil anos depois, e dela só nos deixa palavras de espanto para a largura da dita : “é estreita”, diz ! Nada refere sobre as soluções de arquitectura e de engenharia que ainda a tornam útil nem sobre a filosofia de vida que a construiu e em que a noção de património subjugava a transitoriedade da forma à perenidade da função. Nada diz sobre o carácter estruturante daquela ponte em relação ao conceito de território no tempo em que foi edificada e á forma como “moldou” até aos nossos dias a humanização da bacia hidrográfica do Sor e do Raia. Aliás, a Blonde achou mesmo que a ponte ficava no “meio de nenhures”. Ou seja, a Blonde assustou-se com a estreiteza da ponte de Vila Formosa e com a eventualidade de nela se cruzar com um TIR e, atenta a essa eventualidade, nem sequer repara se a Ribeira de Seda leva muita ou pouca água. Não compara o caudal com nada porque não tem termo de comparação, claro. Mas para além disso também não partilha connosco um único pensamento divagante em redor de eventuais preocupações de pecuaristas que a jusante ou a montante já possam andar a deitar contas à vida quanto à forma de dar de beber ao gado quando Agosto chegar, pois estas coisas não se “vêem” e portanto não se comentam. Mas o mau gosto da estátua ao Alter Real sim, vê-se e comenta-se, embora não se “veja” mais nada, como a ocupação urbanística a que foram votados os melhores solos de Alter, por sinal os terrenos do Ferragial d’el Rei (   “ferragial” não tem a ver com ferro mas com forragem; “Ferragial d’el Rei ” eram os terrenos reservados à produção dos ferrejos, i.é, de forragens verdes, para os cavalos da coudelaria que D José mandou instalar em Alter ), onde a tal rotunda está implantada entre blocos de apartamentos e um estádio de futebol. A Blonde clama contra a chuva de Junho porque lhe estraga o programa hortícola e não compaginava com a indumentária seleccionada, mas não tem uma linha para os milhares de toneladas de fenos já encordoados ou enfardados que com essas chuvadas se estragam a eito, daí não deriva para as inevitáveis dificuldades na manutenção dos merinos dos Zés quando os restolhos terminarem e se os apriscos tardarem, nem a preocupa as sequelas de míldios que vão tirar o sono aos viticultores nos dias que se vão seguir a estes incidentes climatéricos. Observa a Blonde que não há o Expresso nem o Sol nos quiosques de Alter ( haverá, mas de encomenda ),mas não repara que além disso também não há comércio tradicional na Vila e que nas prateleiras de frutas e legumes da mini-grande-superfície que os sufocou, apenas as cerejas e as laranjas são de Portugal, e estão lado a lado, em Alter-do-Chão, imagine-se, com peras da China, maçãs do Chile, kiwis neo-zelandeses , papaias cubanas, bananas do Equador, cebolas espanholas , alhos duplamente franceses e, the last but not the least, com carne de borrego autraliana posta cá a preços com os quais só por milagre o Zé poderá competir se quiser amortizar o custo do ovil que traz em obra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para o estereótipo de uma certa forma de ( não ) ver que aqui tipifico na leitura do texto da Blonde, a ruralidade é também a antítese do stress e o sinónimo “ferpeito” de “colidade” de vida. Claro!!! Quem é que no seu perfeito juízo pode ter uma crise depressiva por ver meses de trabalho e toneladas de feno a apodrecer com uma chuvada tardia ? Como é que se pode reagir perante uma infestação de carraças em quatrocentas vacas senão com uma calma olímpica ? Melhor ainda, como é que se pode perder a calma se, ao mesmo tempo que se tem de passar quatrocentas vacas à manga para serem inspeccionadas pelo INGA, o motor de rega do pivot resolve pifar e entre reparações que se atrasaram e calores que se adiantaram se perderam vinte hectares de milho já germinado ? O preço dos borregos ou dos vitelos caiu para metade no leilão de Portalegre e a receita não vai dar para as rações quanto mais para a reforma da letra que se vence na próxima semana, mas quem é que vai estar a pensar nisso quando acorda rodeado do chilreado de mil avezinhas ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta leitura desfocada do real que tem por protagonista uma urbana erudita, não encontra contudo o seu oposto na “ruralidade” de Cabeço de Vide, esclareça-se. De facto também ela está imbuída do mesmo tipo de provincianismo invertido. Ele instalou-se quando a agricultura deixou de ser um modo de vida ou, se preferirem, uma filosofia do território, para se transformar em mera dinâmica de relações comerciais determinada pelo mercado e por um paradigma agro- industrial de indução externa. Desde que começou a produzir para o mercado, ao agricultor da modernidade do Alto Alentejo tanto se lhe dá se cultiva trigo para fazer pão, girassol para biodiesel ou linho para subsidio. O que lhe importa é a margem, e de preferência margem bastante para lhe permitir ir recuperar de tanta “calmaria” num resort de apartamentos em Armação de Pera. Poderá não ser o caso da Zana e do Zé, mas não é a chegada de duas andorinhas que traz de volta a Primavera. E isto basicamente só mostra que, com ou sem avezinhas ao acordar, andamos todos ao mesmo, quer dizer, a reboque de paradigmas que outros construíram e que nós, uns duma maneira, outros de outra, admiramos pasmados sem nos darmos ao cuidado de lhes entender a adequação ou o sentido. É isto que me leva a dizer que há coisas bem mais fodidas que o amor. E esta forma invertida de provincianismo é uma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-8377028543030433972?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/8377028543030433972/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=8377028543030433972' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8377028543030433972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8377028543030433972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2009/06/o-provincianismo-e-fodido.html' title='O Provincianismo é Fodido !'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-7569078004046553247</id><published>2009-05-16T20:20:00.003+01:00</published><updated>2009-06-06T20:11:09.416+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diversos'/><title type='text'>O Diabo é o Aborrecimento !</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#660000;"&gt;A frase que dá o mote a esta faena é de Peter Brook, um encenador que odeia sentir-se aborrecido quando vai ao teatro. Tomo-a de empréstimo para fazer da vida em sociedade, tal como a vamos vivendo, uma leitura que pretende interpretar o aborrecimento que a inquina como força diabólica capaz de infernizar a vida quando na verdade é o paraíso que se procura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na defesa deste “caso” direi que me dá a sensação de transitarmos numa sociedade que se estrutura aborrecida em fuga ao aborrecimento. Acrescento que, bem no fundo, nos vejo como gente que julgando ter resolvido o básico se confronta, aborrecida, com vazios que tenta preencher num universo paralelo. Este universo paralelo poderia descreve-lo metaforicamente como um oceano de expectativas. Um oceano de expectativas que tem sido alimentado pela industria de sonhar em que desaguou a revolução industrial. Rodando em turnos contínuos, há décadas que as máquinas de marketing dos empórios da modernidade não param de, metodicamente, produzir sonhos. Uma prática de produção em série que decorre em duas linhas de montagem paralelas mas distintas. Numa, fabricam-se os modelos de sonho topo de gama, exclusivos, que depois se vendem nas lojas de marca e se usam como símbolo de status ; na outra, as respectiva variantes utilitárias, populares e democratizadas, made in China, vendidos aos sábados nas tendas da feira de Algés e usados como status de imitação. Do sonho como peça artesanal, nem rasto. A verdade é que até os sonhos se standarizaram e aderiram ao main-stream que passa. Por isso são cada vez menos os que ousam sonhar à margem da rapaziada que procura a felicidade nas profissões e carreiras de referência para o sonho do “sucesso”, nas lojas Cerrutti, nos destinos exóticos, nos carros topo de gama, nos apartamentos com vista para…Para onde mesmo ??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deve haver algo no paradigma que o auto-consome. Porque na verdade não se nota que as pessoas sejam mais felizes. O que se nota, sim. é que andam profundamente aborrecidas por não conseguirem lidar com tanta expectativa. À chatice do emprego, onde as expectativas de ordenado ou de progressão andam sempre aquém do merecido, segue-se a chatice da família, onde putos a mais, avós a menos, contas a mais ou férias a menos, infernizam a vida no apartamento com vista para o que devia ser o paraíso, mas que já não é, porque entretanto alguém pariu aquele mamarracho mesmo em frente da panorâmica da sala-de-estar, que grande aborrecimento. Para fugir deste ciclo infernal organizam-se fins-de-semana em turismo rural, com os amigos e os filhos dos amigos, que chatice, pois entretanto os amigos tinham-se zangado com os avós dos netos e não houve onde os depositar.… Não bastando, chovia ! No campo também chove nos fins-de-semana, imagine-se ! E como choveu, não houve actividades. Que graça tem jogar paint-ball, fazer traking, bikling, canoing, para-pente ou para-dente à chuva ?…Faz-se então o quê, se nem revistas há para ler ou TV-Cabo para passar o tempo, mas apenas livros, só livros, que seeeca! Ir observar plantas, pássaros, vacas, ovelhas ? Bem, se ainda fosse qualquer coisa exótica, sei lá, zemas, pamas, lebras, fandas, ou algo do género...Então aproveita-se uma aberta e organiza-se uma excursão ao zoomarine, esse equipamento de educação ambiental onde sempre se podem ver coisas verdadeiramente exóticas e educativas, como leões marinhos a bater barbatanas e catatuas a andar de bicicleta. Na verdade o zoomarine é o tipo de coisa que personifica a diabólica capacidade do aborrecimento para gerar equipamentos anti-aborrecimento. Mas acabou por ser aborrecido porque havia imeeensa gente ! O mesmo aconteceu no restaurante que o Expresso recomendava, por sinal um italiano. Os restaurantes italianos ou japoneses ou chineses, são outra modalidade de anti-aborrecimento. Pode não se comer melhor que noutros mas isso não interessa porque a decoração é menos aborrecida. E era giro, de facto, tinha imeeenso artesanato marroquino, pena que tenha acabado por ser também aborrecido porque o serviço demorou imeeenso e não havia actividades para as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto o aborrecimento inspira o diabo. Diabólico como é, o diabo inspira o anti-aborrecimento e põe meio mundo a congeminar maneira de viver à custa do aborrecimento da outra metade. Isto alternadamente, esclareça-se. E já não se trata apenas de decorar o jardim da vivenda com as águias do Benfica ou o portão do quintal com os leões do Sporting, e assim passar de forma menos aborrecida as tardes da merecida reforma de funcionário público jubilado, tentando ficar para a história como o Gaudi da Malveira. O anti-aborrecimento institucionalizou-se e é coisa séria mesmo, género parques temáticos pré-pagos onde se macaqueia menires e antas, onde se dorme em cabanas celtas e se toma o pequeno almoço em tendas de supostas feiras medievais. Eu conheço mesmo um gajo que se especializou e ganha a vida a fazer de pedinte medieval que sai de dentro de um pote nessas ocasiões. E tudo isto no que sobra de uma antiga quinta dentro de um parque natural, outra coisa que foi criada para tornar o contacto com a natureza menos aborrecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, passado o efeito da novidade, em que toda a gente, animados e animadores, alardeiam contentamentos postiços, o aborrecimento volta em força e ataca por igual os que já andavam aborrecidos, pois talvez seja essa a condição de quem acha genuinamente que nunca terá o bastante de nada e por isso quer tudo mesmo que não saiba exactamente o quê, mas também os outros, que se propunham anti-aborrecer, pois depressa concluem que não há pachorra! É que quem procura alternativas ao aborrecimento quer coisas de "colidade", sei lá… Por exemplo, onde já se viu uma cabana celta sem ar condicionado ou uma tenda medieva sem máquina expresso ?! Imaginam o possidónio ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ridículo ? Nada disso ! Civilizacional , apenas. Um ambiente cultural que funciona num limbo estranho sem perceber muito bem o que está em causa e que a barbárie espreita na outra página. Duvidam ? Entrem na internet e procurem contactar alguém na corte de Cleópatra ou algum patrício da Roma de César. Depois falamos. E desculpem se os aborreci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-7569078004046553247?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/7569078004046553247/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=7569078004046553247' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7569078004046553247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7569078004046553247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2009/05/o-diabo-e-o-aborrecimento.html' title='O Diabo é o Aborrecimento !'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-3715510189974130183</id><published>2009-05-10T20:41:00.003+01:00</published><updated>2010-10-12T14:33:50.277+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Contra-Fogos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Os bombeiros profissionais, particularmente os especializados em fogos em contexto florestal, conhecem a técnica  de combater o fogo com o próprio fogo.  Os que já tiveram a possibilidade de a pôr em prática, também sabem que, fora de uma faixa muito estreita de condições ideais,   em vez de contribuir para combater o incêndio, o contra-fogo pode  aumentar-lhe a dimensão e torná-lo incontrolável. Por isso raramente o usam. Os economistas, no entanto,  parece  navegarem muito ao largo  deste tipo de sensibilidade e poderá ser por isso  que os tenho visto  insistir em  combater a crise instalada no  sistema capitalista  usando o mesmo fenómeno  que  o originou : o consumo. Sim, escrevo “ o consumo” e não o “sub-prime”, porque na realidade o sub-prime nada mais foi que a tentativa desesperada de  contrariar os impactos na economia da crise de consumo que se instalara na construção. No entanto, a reflexão que tem predominado continua a ser   linear: se há problemas associados à retracção da procura, a injecção de liquidez no sistema deveria permitir a retoma do crescimento do consumo. Como se vê não funcionou  no caso do sub-prime e como se continua a ver também não  funciona na economia real apesar dos milhões atirados para o poço sem fundo das expectativas goradas. Eventualmente, o que poderá estar aqui em questão é a dificuldade de prescindir da crença fortemente enraizada de que o consumo é coisa dotada de  possibilidade de crescimento ilimitada. Não é .  Para que o crescimento constante do consumo fosse uma possibilidade real,  seriam necessárias  pelo menos duas condições:  em primeiro lugar que a capacidade de consumir fosse de facto inesgotável; em segundo lugar, que as economias tivessem um potencial  ilimitado de responder a essa apetência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas questões não são novas. Há décadas que os  limites do crescimento vêm sendo debatidos por grupos claramente marginais em relação à ortodoxia reinante. Mas as reflexões criticas que têm sido produzidas sobre esta questão confrontam as grandes crenças fundadoras do capitalismo e por isso não são benvindas na maioria das academias.  Na verdade, como qualquer crença que se preze, também estas têm uma natureza ideológica com fundações  culturais profundas que não é fácil mudar. Em boa parte isso poderá  dever-se à insegurança associada aos    sentimentos de orfandade  que ocorrem quando não existem crenças alternativas suficientemente credibilizadas. Mas isso não deveria bastar para desencadear o  auto-bloqueio que se verifica até nas inteligências mais argutas, levando-as  a recorrer a automatismos defensivos onde se socorrem de  argumentos de autoridade  e se refugiam sob edifícios de explicações que de tão repetidos acabam por conduzir a maioria a adoptá-los acriticamente como se de uma realidade de substituição se tratasse. Porque na outra   realidade, na do dia-a-dia,  há um limite para a quantidade de casas, de carros, ou de outra coisa qualquer , que cada um de nós  consegue consumir.  A  partir de um determinado momento, naturalmente variável  de acordo com o contexto e o tipo de  produto em causa,  a dinâmica da oferta e da procura deixa de auto-regular os fenómenos económicos. Isso acontece quando entram em jogo outras variáveis, como o espaço ou as  associadas ao bem-estar das pessoas. Para quem vive ou trabalha numa cidade congestionada, por exemplo, ter carro pode deixar  de ser um acessório de conforto para passar a ser um problema e um desconforto, seja pela demora nos circuitos seja pela dificuldade de estacionamento. Por isso não admira  que a opção de não ter carro esteja a ser claramente assumida por vastas faixas da população apesar de terem capacidade financeira para o adquirir. O caso é que este género de atitude vem gorar as expectativas de crescimento  de uma economia que fez do   sector automóvel um dos pilares da sua “prosperidade”. O mesmo se poderia dizer em relação à construção  como em relação ao turismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;Os instrumentos clássicos de gestão  do capitalismo têm conseguido dar a volta a estas limitações recorrendo ao marketing para criar “novas necessidades” e ao efeito da “novidade”. A receita é conhecida e chama-se “fabricar novos sonhos”. Depois, apela-se ao  “empreendedorismo” para que seja capaz de manter e fomentar  essa dinâmica de &lt;em&gt;reestiling&lt;/em&gt; permanente e que se apoia numa atitude que assume por irrelevante a utilidade do que se produz desde que se venda. Por isso se “criam” e promovem “novos destinos” turísticos, casas com vistas “exclusivas”, carros com tv no lado de trás  do banco do condutor. Mas aqui entra a segunda questão: a capacidade dos recursos para manter uma resposta sempre em crescendo a este género de dinâmica, e  há um que já é incontornável: a necessidade de energia para a manter. Ora  a energia, como já se vai percebendo,  não é um recurso ilimitado .  Não só  não é recurso ilimitado como é dela que depende o acesso à generalidade dos outros recursos, ilimitados ou não, que continuam a fazer parte do cardápio do quotidiano das nossas “necessidades”. No entanto, como vai sendo óbvio, este género de questões continua a passar à margem da discussão económica. Em seu lugar organizam-se  “sessões de fogo-de-artificio” em redor de temas como as taxas de juro, os off-shores ou a  regulação bancária. Coisas excelentes para distrair  a malta mas que não resolvem nada de substancial, ou seja, de paradigma. Possivelmente isso sucede porque, como  dizia há dias Lula da Silva no seu jeito muito peculiar, “…os pós-doutorados das grandes capitais do capitalismo mundial, ( os tais brancos de olhos azuis a quem já se tinha referido noutra ocasião…) que sabem tudo quando a crise é na Bolívia, na Argentina ou no Brasil,  não foram capazes de prever nem se mostram capazes de resolver a crise que se instalou nos seus quintais, e com isso revelam aquilo que já se sabia: que afinal não sabem nada!”&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-3715510189974130183?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/3715510189974130183/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=3715510189974130183' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3715510189974130183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3715510189974130183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2009/05/contra-fogos.html' title='Contra-Fogos'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-8960038193490783495</id><published>2008-12-07T16:30:00.006Z</published><updated>2010-10-12T14:32:00.636+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>O Empate</title><content type='html'>&lt;span style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;Embora com objectivos idênticos, de defesa de interesses de classe, as corporações não são todas iguais. As funções que desempenham determinam as suas estratégias de actuação mas, além disso, também diferem nas condições concretas que estão na origem da composição do seu património humano. Concretizando, enquanto a classe médica é composta por profissionais que encararam a medicina como primeira opção, há muita gente na classe de enfermeiros que gostaria de ter entrado em medicina...mas que não entrou. Claro que daqui não resulta de todo que sejam maus profissionais por isso. Mas a verdade é que existem áreas profissionais que de alguma forma têm funcionado como uma espécie de “posta-restante” para quem, pelas mais variadas razões, não conseguiu seguir a via que desejava. Neste aspecto, o caso da docência é paradigmático.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nos últimos vinte e tal anos, a via do ensino tem sido para muitos a última porta de acesso ao ensino universitário. Faça-se um estudo dos processos de candidatura ao ensino superior e percebe-se bem do que falo. Este, em geral e na via do ensino em particular, teve óbvias e conhecidas dificuldades para conseguir responder proporcionalmente em qualidade ao crescimento que ocorreu na sua procura. Entretanto, licenciados noutras áreas com o mercado de trabalho saturado, também acabaram por encontrar no ensino a alternativa possível. Claro que daqui não decorreriam razões válidas para explicar qualquer tipo de menor empenho ou competência da classe docente. Quer dizer, não decorreriam se se soubesses que a formação de uns e outros se tinha pautado por critérios de exigência ao nível dos conteúdos objectivos de conhecimento técnico, cientifico ou pedagógico, e não terá sido sempre assim. Nisso o Ensino Superior  tem importante quota parte de responsabilidade, e se recordarmos as tradicionais guerrilhas de notas finais, ficamos bem ilustrados. No entanto, ainda assim, nada que não fosse possível ultrapassar se à entrada da escola os candidatos à docência fossem encontrar um enquadramento que ajudasse a suprir as deficiências naturais que trazem consigo. Mas quem é que nas ultimas décadas os tem recebido quando lá chegam ? Uma malta grisalha e nem sempre bem disposta que tem um percurso de vida muito particular e insuficientemente compreendido pelas gerações nascidas a partir da década de sessenta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No período pós 74, as estruturas do ensino ( e outras, mas hoje é destas que falamos ) foram “reforçadas” por uma rapaziada muito simpática de duas origens distintas: PREC e ex-colónias. Quem veio do PREC teve nele mesmo a sua principal habilitação. Resumidamente, pode-se dizer que nos meios universitários o tempo do PREC foi uma espécie de “experiência pedagógica de ensino de massas”, em que a tradicional frequência das cadeiras foi substituída com sucesso ( a avaliar pela quase inexistente taxa de reprovações… ) pela participação em RGA’s, RGE’s, Manif’s ( próprias e alheias …) e outros eventos afins, tipo sessões de esclarecimento do MFA. Essa experiencia teria sido um elemento curricular de vulto se tivesse permitido a quem a fruiu empenhadamente perceber a diferença entre idealismo e praxis politica e transportar esse conhecimento para os seus futuros profissionais . Mas, do que conheço, o que transportaram para o futuro, nomeadamente para dentro das escolas, foi um contagiante “nacional porreirismo” que até poderia ter contribuído para criar um ambiente ainda mais descontraído no meio escolar se não fosse o caso de ter colidido de caras com um outro grupo de gente que na altura chegou a Portugal com muitas e boas razões para estar mal disposta: os retornados. Seguiram-se tempos tensos em que a resolução dos problemas do ensino e da aprendizagem que vinham de trás foram preteridos pela urgência de conseguir um “encaixe” funcional destas distintas disposições. Eventualmente esse encaixe foi conseguido mas segundo lógicas de pacificação que não contribuíram em nada para responder de forma eficaz e organizada ao tremendo crescimento da escolaridade que entretanto se verificou. Não contribuíram porque se tratavam de culturas distintas, de disponibilidades distintas, e ainda porque se fizeram sobre uma re-hierarquização anómala que resultou de um incidente administrativo. É que o desempenho público de funções idênticas fruia no ultramar ( a titulo de incentivo à colonização ) de um estatuto mais elevado na carreira , que se manteve quando do retorno, e se instalou como um vírus na função pública, degenerando numa alteração de hierarquias que acabou por conduzir à desestruturação pura e simples de qualquer noção de autoridade como sinónimo de competência ou do seu exercício enquanto tal. Esta cultura, cozinhada sobre uma paz mal negociada, passou a acolher, aculturar e integrar as novas vagas de pequenas, médias ou grandes frustrações que desaguaram no ensino. Como também acolheu, exasperou, e depois assimilou ou escorraçou, os fluxos minoritários de competência que chegaram ao ensino por opção. Aos grisalhos acantonados, a última coisa que lhes interessa é ter de demonstrar no fim da vida profissional, competências que nunca adquiriram; aos poucos competentes que percebem isso, a última coisa que interessa é serem avaliados por quem obviamente não tem capacidade para o fazer; quanto à restante maioria faz o que sabe fazer melhor - aposta no “x”! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;De facto, o “empate” tem sido, desde 74, a grande estratégia da classe docente para gerir a paz podre que esconde, dentro desse autêntico saco de gatos que é a escola, rivalidades, frustrações, incompetências, nepotismos e comodismos difíceis de adjectivar. Por isso é que nunca houve ministro ou tentativa de reforma que tivesse merecido nota positiva. Ora, como é óbvio, o esquecimento tácito destes incidentes da história recente, são muito convenientes para o corporativismo instalado. É que, a par do tremendo deficit de cultura democrática vigente, são estas razões e não outras que definem o entrave estrutural à mudança no sector da educação, uma vez que explicam o processo de construção de um capital humano individualista e conservador e ajudam a entender a essência da sua tradicional aversão à cooperação institucional e a reformas que ao pretenderem avaliar desempenhos irão inevitavelmente trazer à superfície demasiadas verdades inconvenientes .&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-8960038193490783495?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/8960038193490783495/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=8960038193490783495' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8960038193490783495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8960038193490783495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/12/o-empate.html' title='O Empate'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-7268791566850635588</id><published>2008-11-23T20:12:00.003Z</published><updated>2009-06-06T19:42:38.581+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>Reformas ou Revoluções (III)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Já se escreveu muitas vezes que um dos aspectos fundamentais na mudança ocorrida do autoritarismo para a democracia em países como Portugal ou Espanha foi a transição de um &lt;strong&gt;"corporativismo autoritário&lt;/strong&gt;" para aquilo a que se veio a chamar o "&lt;strong&gt;neo-corporativismo&lt;/strong&gt;". No caso Português houve pelo meio o tempo algo atípico do PREC. Mas o clima de prosperidade económica que decorreu da integração de Portugal na CEE criou rapidamente condições objectivas de bem estar social que retiraram ao movimento sindical espaço de manobra nas suas reivindicações tradicionais e conduziu ao seu aburguesamento corporativo. Assim, o modelo geral de relacionamento entre o estado e os interesses sociais permitiu que se fossem emulando alguns aspectos das versões mais consolidadas deste sistema ( corporativo ) existentes no norte da Europa, em particular o estabelecimento de acordos entre governos, sindicatos e organizações patronais em matérias tão carecidas de compromissos estáveis como as políticas salariais, laborais e de segurança social.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Contudo, algo que tem sido frequentemente negligenciado&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;é o facto de&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;este corporativismo centralizado e trilateral coexistir com uma série de outros sub-sistemas de relações entre o poder político e os interesses organizados.&lt;/strong&gt; Em muitos casos, tratam-se de sub-sistemas em que os interesses em causa são os de "insider groups", que dispõem de acesso directo ao poder político e estão até, por vezes, localizados no interior do próprio aparelho de estado. Ao longo das últimas décadas, estes grupos de interesse foram exercendo direitos formais e informais de participação nos processos de tomada de decisões políticas que os afectam, &lt;strong&gt;sendo eles quem, de facto, parece ter determinado a direcção de políticas públicas absolutamente centrais como a saúde, a justiça ou a educação.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta dinâmica aumentou também o &lt;strong&gt;fosso entre a cidadania e os processos de decisão&lt;/strong&gt;. Uma teia complexa de intermediários que se eternizam nos cargos de representação a ponto de se confundir com eles, e a consequente promiscuidade assim criada entre os principais actores do processo social, conduziu a politica de facto para os bastidores da esfera pública. Ao mesmo tempo, a democracia passou a ser-nos servida em directo e exclusivo pelos média através de um guião de género dramático equivalente à pior literatura de cordel e com uma realização que deve ter nas telenovelas mexicanas a sua fonte de inspiração. Afigura-se-me que &lt;strong&gt;o resultado conjugado destas duas derivas é a persistente imaturidade cultural da nossa vida democrática&lt;/strong&gt;. Imaturidade dos políticos, que reduzem a politica democrática a jogos de poder. Imaturidade das politicas democráticas , que se organizam em redor de consensos que funcionam como meros menores denominadores comuns da conjuntura. Imaturidade democrática da cidadania, que é absentista de todo ou é absentista de facto ( pois esgota a sua participação democrática num acto eleitoral ), que confunde liberdade com recusa da autoridade democrática, que não compreende o sentido da alternância , e que vive na convicção ( progressista-materialista ) de que a prosperidade desejada é uma mera questão de distribuição de riqueza e tem desta a noção consolidada de coisa adquirida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, e em bom português, estamos para a vida democrática como certas infâncias mimadas e mal-educadas estão para a vida adulta responsável. Naturalmente, não esgotei o tema. Mas julgo ter deixado algumas ideias para ponderar em contexto mais amplo o fenómeno da recusa dos professores à avaliação segundo prismas menos simplistas que as eventuais deficiências do modelo. Pelo menos a questiúncula gerada em redor deste permite para já avaliar o estado da nossa democracia. Como se vê, nunca se perde tudo. No caso, percebe-se que sabemos de cor a letra e a música da cartilha dos direitos. E que do capitulo dos deveres retivemos a noção “bastante” de constituírem as obrigações dos outros para satisfazer as nossas necessidades pequeno-burguesas. De tal modo que se chega ao ponto de afirmar publicamente que o exercício da oposição não implica a apresentação de alternativas e a ter dela, oposição, a ideia idiota de uma espécie de guerrilha “legitima” para contrariar o exercício do poder democrático com recurso a uma qualquer berraria fulanizada e de baixo nível. E digo idiota porque nem repara que o insulto aos eleitos, independentemente dos motivos, desmerece antes de mais o eleitor e o regime. A menos, claro, que seja essa mesma a intenção.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-7268791566850635588?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/7268791566850635588/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=7268791566850635588' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7268791566850635588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7268791566850635588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/11/reformas-ou-revolues-iii.html' title='Reformas ou Revoluções (III)'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-8593341812451478470</id><published>2008-11-22T16:33:00.007Z</published><updated>2009-06-06T19:42:38.581+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>Reformas ou Revoluções (II)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Ao que parece, o governo em funções desejou ser visto pela opinião pública como tendo colocado o &lt;strong&gt;combate aos grupos de interesse corporativos&lt;/strong&gt; no topo das suas prioridades. É uma estratégia que aparenta algumas vantagens. Em primeiro lugar, ela tem servido para enviar ao eleitorado a mensagem de que os "sacrifícios" que lhe vão sendo impostos afectam também os "privilegiados", favorecendo assim a aceitação geral de uma política económica que, noutras condições, já teria trazido maiores perdas de popularidade. Em segundo lugar, ela transfere os conflitos com estes grupos do interior dos gabinetes onde eram normalmente resolvidos em privado, para um terreno muito mais favorável ao governo, a praça pública. Como se tem visto, quando expostos à luz dos holofotes, os representantes destes grupos revelam como é escasso o seu repertório de acção colectiva (que raramente tiveram de usar no passado) e como são ineptos no cumprimento de uma tarefa que os políticos desempenham com frequência e habilidade (mas que eles nunca tinham precisado de aprender): &lt;strong&gt;a de apresentar a defesa de interesses particulares como sendo também a defesa de interesses públicos&lt;/strong&gt;. O resultado final é previsível. Em geral, a opinião pública só é favoravelmente influenciada pelas posições tomadas por organizações cujas causas são potencialmente partilháveis por todos, tais como, por exemplo, as dos direitos humanos, o ambiente ou a segurança rodoviária; quando essas causas são construídas como "egoístas", o efeito que geram na opinião pública é, na maioria dos casos, de repulsa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Sucede que esta estratégia não está isenta de riscos a mais longo prazo. Quando Margaret Thatcher chegou ao poder no Reino Unido, também ela sonhava com a possibilidade de estabelecer uma relação directa entre o poder político e o eleitorado, curto-circuitando o papel dos grupos de interesses na formulação das políticas públicas. Beneficiando de um grau de centralização da autoridade política inédito fora de períodos de guerra e com um partido aparentemente domesticado, Thatcher encarregou-se não apenas de destruir o poder dos sindicatos (coisa que Blair lhe agradece eternamente) mas também de enfrentar aquilo que ela - tal como a maioria dos britânicos - encarava como uma união perversa entre a burocracia estatal e os interesses particulares de professores, médicos, enfermeiros e outros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;O que se seguiu, contudo, foi a degradação geral da qualidade dos serviços públicos no Reino Unido, que terá jogado um papel não desprezível no declínio e fim do thatcherismo. Nuns casos, isso sucedeu porque a saída encontrada para os conflitos com os interesses instalados - a privatização - só serviu para substituir esses interesses por outros e, pelo caminho, para conduzir a desempenhos ainda piores. Noutros casos, porque só tarde demais se terá percebido &lt;strong&gt;de onde realmente provém o poder destes grupos profissionais e corporativos&lt;/strong&gt;: &lt;strong&gt;do conhecimento especializado de que dispõem e do grau de autonomia inerente às funções que exercem&lt;/strong&gt;. Independentemente das razões que tenham ou da falta delas, é isso que lhes permite &lt;strong&gt;neutralizar no terreno&lt;/strong&gt; muitos dos efeitos desejados de&lt;strong&gt; quaisquer reformas&lt;/strong&gt; decididas por qualquer governo, e é isto que exige que a sua colaboração seja, em última análise, necessária para o sucesso das reformas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Há pois uma linha que separa a indispensável demonstração de autoridade política por parte de um governo democrático da bravata improdutiva e demagógica. É uma linha muito estreita, que , para benefício geral, talvez devesse ser atravessada com menor frequência. Mas isso não legitima nem basta para explicar as razões que levam os interesses neo-corporativos instalados a reagir como inocentes virgens ofendidas quando são afrontados os seus interesses de classe. E ainda não foi desta que consegui dar por concluída esta saga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-8593341812451478470?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/8593341812451478470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=8593341812451478470' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8593341812451478470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8593341812451478470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/11/reformas-e-revolues-ii.html' title='Reformas ou Revoluções (II)'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-1480108992419624144</id><published>2008-11-21T15:40:00.007Z</published><updated>2009-06-06T19:42:38.581+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>Reformas ou Revoluções (I)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Existem acontecimentos que a história regista como revoluções mas que na realidade nunca passaram de simples mudança de protagonistas do processo social e da ideologia que os justifica. E, no pólo oposto, há iniciativas que são propostas e apresentadas como meras reformas mas que correspondem ou implicam autênticas revoluções. Na actualidade nacional é isso que a meu ver se passa com a reforma do sistema de ensino. Vamos a ver se consigo explicar por que o afirmo a partir da polémica em torno da avaliação dos professores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A panóplia de acepções do conceito de &lt;strong&gt;avaliação &lt;/strong&gt;poderá com alguma segurança ser sintetizada com recurso a duas noções que lhe estão associadas: &lt;strong&gt;objectivo e medida&lt;/strong&gt;. Ou seja, de uma forma geral avaliar é tentar estabelecer uma medida que dê ideia da realização de objectivos estabelecidos em função de um normativo qualquer. Mas, com que interesse ? Duplo: &lt;strong&gt;hierarquizar e corrigir&lt;/strong&gt;. Hierarquizar a realidade em função de um critério valorativo e corrigir os processos de persecução dos objectivos ou os próprios objectivos em si. Portanto, a boa avaliação, não se limita a pretender separar o trigo do joio. Ela pretende também a melhoria do processo que conduz a essa separação. E no limite, pode, inclusive, ajudar a determinar se a separação se justifica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No quotidiano, avaliar tornou-se tão natural como respirar. É isso que fazemos quando escolhemos entre duas peças de vestuário, entre duas carreiras de autocarro ou entre dois restaurantes. E todos sabemos que para o mesmo objectivo, seja vestir, viajar ou jantar, os critérios de avaliação que usamos mudam no tempo e com as circunstancias, bastando para isso que se altere o nosso padrão de exigência, a nossa disponibilidade financeira ou o humor da companhia . Portanto, avaliar serve um terceiro propósito: &lt;strong&gt;compatibilizar&lt;/strong&gt;. Isto é, procurar o melhor equilíbrio entre o desejável e o possível. E esse principio é igualmente válido na nossa vida privada como no funcionamento das instituições em redor das quais se organiza a nossa vida social.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entanto, entre as nossas avaliações pessoais e a avaliação institucional, existe uma diferença importante: enquanto na primeira somos nós os avaliadores, na segunda passamos a avaliados. Ou seja, altera-se a perspectiva do critério de utilidade. No primeiro caso somos nós quem questiona a utilidade do que nos rodeia; no segundo é a nossa utilidade que é ponderada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A utilidade social do individuo é uma daquelas polémicas que estará sempre inesgotada. Por agora contorno-a recorrendo ao chavão de que somos criaturas sociais e portanto a vida em comunidade é algo inerente à nossa existência. Ora a existência de uma sociedade implica sempre algum tipo de contributo para o conjunto, e nas sociedades mais sofisticadas a especialização de tarefas e a troca dos respectivos serviços são mesmo a situação corrente, pelo que se torna inevitável que o desempenho de cada um esteja em permanente escrutínio. Ácontece que desse escrutínio resulta a sobrevivência dos “mais aptos” ( lato senso e com todas as aspas que quiserem ) e o eterno problema da inclusão dos “menos aptos”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O facto de terem sido reconhecidos ( e bem ) inaceitáveis deficits de equidade dos critérios de estratificação convencionais, desaguou para já na modernidade democrática, cujo contrato social contempla a igualdade entre indivíduos como principio e o progresso como objectivo. Mas uma coisa é a equidade como principio, o direito a tratamento não discriminatório perante a lei, no acesso à educação, à saúde ou ao que quer que seja. Outra, bem distinta, deduzir do direito à equidade que todos temos um potencial equitativo de desempenho em qualquer que seja o contributo social que nos seja solicitado para o tal progresso em democracia a que estamos contratualmente obrigados. Ora não é assim. Nem tudo se educa ou aprende do mesmo modo e há características inatas e outras de personalidade que tornam uns mais capazes que outros para tarefas concretas. Contudo, e por estranho que possa parecer, embora toda a gente conviva pacificamente com esse facto quando se aplica à utilidade do outro, seja ele o ministro ou o pedreiro, em culturas como a nossa são poucos os de nós que estão disponíveis para o aceitar quando se aplica à utilidade da nossa excelsa pessoa. E quando essa atitude está tão bem incorporada que faz parte da nossa própria identidade, qualquer medida que se assemelhe a questioná-la e a alterar práticas igualitaristas, não é uma reforma, mas uma &lt;strong&gt;revolução cultural descontextualizada.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bons amigos que tenho a sorte de contar entre a classe docente, têm-me feito chegar ecos do surpreendente ( até para os próprios ) unanimismo na reacção ás reformas introduzidas no sistema . No entanto, quando solicitados para expor os argumentos em que se apoiam na sua contestação, os que usam são de uma tal fragilidade e incoerência que autorizam a ilação de que as objecções de facto nada têm a ver com um modelo de avaliação concreto, qualquer que ele seja, mas com uma muito mais complexa conflitualidade intrínseca com o exercício da cidadania em contexto democrático-progressista. Naturalmente, terei que regressar ao tema.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-1480108992419624144?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/1480108992419624144/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=1480108992419624144' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1480108992419624144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1480108992419624144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/11/reformas-e-revolues.html' title='Reformas ou Revoluções (I)'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-4972517030687760560</id><published>2008-11-06T11:26:00.002Z</published><updated>2010-10-12T14:34:44.326+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia. Território. Ambiente'/><title type='text'>Recursos e População</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Quando usada em ecologia, a ideia de &lt;strong&gt;retroacção &lt;/strong&gt;pretende caracterizar a capacidade que a vida aparenta de aprender com a sua própria experiência a gerir os condicionalismos que  são inerentes à sua dependência dos recursos disponíveis. Não se trata de uma aprendizagem linear, mas antes de sequências de ciclos de sinal contrário alternados por &lt;strong&gt; factores  de regulação&lt;/strong&gt; próprios. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Pode-se explicar melhor  a retroacção ecológica ligando-a à &lt;strong&gt;dinâmica de  uma população&lt;/strong&gt; e ao comportamento dos recursos de que necessita. De uma forma geral podemos dizer que o crescimento de uma população está sempre associado a uma maior disponibilidade de recursos. A introdução no sistema de um novo recurso que permita aumentar essa disponibilidade, e que tanto pode ser um novo território como o domínio de uma nova técnica, é um factor de &lt;strong&gt;retroacção positiva&lt;/strong&gt; porque promove o crescimento da população. A morte de indivíduos decorrente do desajuste que entretanto possa advir do crescimento da população assim desencadeado,  e a capacidade de crescimento não proporcional dos recursos, é exemplo de um factor de &lt;strong&gt;retroacção negativa&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Historicamente,  as sociedades humanas parece terem sido capazes de apreender  os princípios deste  funcionamento, pois  reduziram a contingência que lhe é inerente. Fizeram-no  identificando empiricamente uma  fonte de energia inesgotável ( solar) e  um processo natural  para  o seu aproveitamento ( fotossíntese ) através de uma técnica ( agricultura ) que permitiu criar reservas. Embora mantendo o principio, fizeram-no sob o signo de   uma enorme &lt;strong&gt;diversidade &lt;/strong&gt;de soluções. Não por capricho, suponho, mas em resultado de diferentes percepções da variedade de condicionalismos geográficos com que se depararam em cada território concreto. De tal modo que em bom rigor pode afirmar-se que a diversidade dessas abordagens aos constrangimentos locais foi ela própria  a chave do sucesso da colonização humana, uma vez que em cada momento o êxito  de uns permitiu compensar o insucesso de outros.  Pelo contrário, a ultrapassagem das bandas de tolerância desses condicionalismos  parece ter tido papel de relevo no fim de ciclos civilizacionais de prosperidade que tendencialmente  parecem ter sido tão mais catastróficos  quanto mais    se edificaram sobre dinâmicas   de especialização em ciclos persistentes de retroacção positiva. Civilizações como as Mesopotâmicas, Egípcias, Maias, ou outras, bem que  podiam ser relidas nesta chave. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Mas usemos  um exemplo relativamente recente e razoavelmente estudado para ilustrar este ponto: a relação da Irlanda com  a batata. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Introduzido em meados do século XVI, o cultivo da batata deu origem a um ciclo de prosperidade na Irlanda. Por unidade de energia incorporada no processo produtivo, o cultivo da batata respondia com colheitas proporcionalmente mais energéticas que as tradicionais e dessa forma gerou excedentes  que permitiram suportar  um crescimento significativo da população, dinâmica  que se manteve  sem sobressaltos de maior até meados do século XIX . A batata ( novo recurso ) é neste caso bom exemplo de  um factor de retroacção positivo. Mas é também exemplo do efeito nefasto da&lt;strong&gt; especialização&lt;/strong&gt;. A deriva para a monocultura e a sua intensificação  conduziram ao esgotamento do fundo de fertilidade, ao consequente aumento da susceptibilidade da batata a doenças e pragas, ao declínio abrupto da produção e à  fome de quem delas se alimentava ou dependia face à inexistência de alternativas económicas. A consequente morte ou migração de milhares é exemplo de  um factor de retroacção negativa que desencadeou o reequilíbrio da relação entra a população e os recursos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje dir-se-ia que a ciência e a técnica encontraram soluções para lidar e evitar este tipo de contingência. E aparentemente assim é, porque com fertilizantes de síntese e  pesticidas teria sido  possível manter a monocultura da batata pelo menos por mais algum tempo. Mas se digo aparentemente é porque existe uma óbvia propensão para confundirmos&lt;strong&gt; variáveis de fluxo &lt;/strong&gt;com&lt;strong&gt; variáveis de estado&lt;/strong&gt; e para esquecer que umas e outras não se comportam do mesmo modo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De facto embora o stock de batata e a população dum território  num momento dado  sejam  ambas variáveis de estado (ou de nível ), as variáveis de fluxo que as caracterizam  não são do mesmo género. Ou seja, a  produção de batata e o seu consumo ( duas variáveis de fluxo porque ocorrem ( fluem ) entre dois momentos no tempo ) dependem de fenómenos diferentes. Enquanto a produção ( enchimento do reservatório de stock ) não tem um crescimento constante e directamente proporcional ao investimento em factores  que nela possa ser feito ( trabalho, fertilizantes, pesticidas ), o consumo ( esvaziamento do reservatório ) é constante e directamente proporcional à população,  cujo crescimento tendencial é do tipo geométrico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que o tempo ecológico não é repetitivo como o da mecânica: é histórico, e por isso produz simultaneamente &lt;strong&gt;continuidade e novidade&lt;/strong&gt;. Mas  o bom governo que pretenda minorar os impactos sobre as comunidade humanas dos ressaltos  de  auto-regulação que naturalmente integram os ciclos de retroacção que comandam a  vida, haveria  pelo menos de   retirar duas ilacções  dos  conhecimentos que nos tem cedido a compreensão da ecologia . A primeira é que, ao contrário da  especialização, que tem sido muito promovida pela modernidade mas que  potencia a dependência, a diversidade constitui por si mesma um capital de reserva porque reduz a amplitude das oscilações entre ciclos de retroacção. Ora, nos dias que correm, a energia está para o Ocidente como a batata esteve para os Irlandeses. A segunda ilacção é que, no limite, o equilíbrio possível das interacções  entre população e recursos não se resolve apenas pelo lado dos recursos. No entanto,  até hoje,  só Mao retirou  daí  consequências politicas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-4972517030687760560?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/4972517030687760560/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=4972517030687760560' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4972517030687760560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4972517030687760560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/11/recursos-e-populao.html' title='Recursos e População'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-7554070020991685144</id><published>2008-11-02T19:10:00.002Z</published><updated>2010-10-12T14:34:44.327+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia. Território. Ambiente'/><title type='text'>Ecologia Ideológica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;A visibilidade adquirida pelo movimento ecológico deve muito ao facto de alguns dos temas centrais da sua agenda terem sido, em determinada altura, adoptados como bandeira por alguma esquerda política preocupada com a renovação do seu discurso tradicional. Esta tendência ficou bem patente com a constituição nos anos setenta do Die Grünen, que acabou mesmo por eleger deputados ao Parlamento Alemão em 83 e mais tarde integrou com o SPD um governo de coligação (1988-2005). Opondo aos sistemas de gestão social centrados no crescimento económico, assimétricos e depredatórios, a ideia dos sistemas ecológicos, como harmoniosos e sustentáveis, os Verdes inovaram na crítica ao capitalismo e às suas dinâmicas. Percebe-se a intenção. Mas a falta de rigor da comparação e o facto de ter dado azo ao uso da ecologia como fonte de metáforas nem sempre ajustadas mas que se instalaram de forma duradoura no main-stream  (veja-se o caso da sustentabilidade),  poderá ter  contribuído para mistificar a  essência das questões da ecologia humana e dessa forma ter desvirtuado inadvertidamente o sentido e a boa-fé de alguma acção política que nela se pretendeu inspirar. Ao ponto de o movimento ecológico ter aberto a porta à refundação do capitalismo que pretendeu combater, desta vez em versão de novas oportunidades - verdes, claro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto, para esta conversa, o que me interessa destacar desse processo, é que a apropriação pelo discurso político da linguagem e do corpo conceptual fundador da ecologia trouxe, de facto, para o campo da acção governativa, noções importantes, como as de interacção, retroacção, sistema, complexidade; trouxe-as, mas não se fez acompanhar de uma nova chave de leitura que alterasse o modelo mental de matriz analítica e linear que usamos para Nos entendermos. Quero com isto dizer que embora tenhamos sido capazes de adoptar  a ideia da existência de sistemas complexos, continuamos a evidenciar sérias dificuldades em interpretá-los em funcionamento. Na realidade, continuamos a “desmontá-los” para explicá-los a partir de um duplo pré-conceito : de finalidade e de complexidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A noção de finalidade, subjacente à generalidade das leituras que fazemos do mundo, implica um vector temporal, ou seja, uma lógica segundo a qual existe um antes e um depois, no duplo pressuposto de que todos os acontecimentos têm necessariamente um princípio e um fim. Mas a ideia de finalidade leva-nos ainda mais longe que isso, quando nos condiciona a pressupor que o que é simples tenha que anteceder o que é complexo, criando assim uma terrível ratoeira ao pensamento de síntese que, na prática, tem enorme dificuldade em descolar da ideia que se tem da síntese química, como processo do elementar para o composto. Ou seja, não se concebe que a água possa ter “acontecido” sem que antes tivessem surgido o oxigénio e o hidrogénio.  Quer isto dizer que conseguimos entender ideias como ciclo, mas temos a maior dificuldade em entender outras como  retroacção, pois não possuímos linguagem para explicar esses processos sem os “seccionarmos” para os lermos planificados à luz duma dicotomia de causa e efeito. Por isso, as melhores teorias que conseguimos para Nos explicar, como a da Evolução, tendem a demonstrar o pluricelular como resultado da organização do unicelular, o complexo como sofisticação do elementar, o que é global como somatório do que é local, e tudo isto a partir de um princípio, seja ele Deus ou o Big Bang, e com a perfeição, a felicidade ou o progresso como destino. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A teoria de Lovelock tentou romper esta moldura conceptual. Mas o entendimento da Terra como super-organismo auto-regulável e como entidade não pré-determinada, funda-se sobre noções de contingência e desordem que são inaceitáveis para a maioria dos critérios civilizacionais. Por esse motivo, a hipótese GAIA também não conseguiu  resolver o conflito mal percebido que se instalou entre a compreensão da ecologia como conhecimento das dinâmicas de retroacção associadas aos fenómenos de casualidade, contingência, conflitualidade e desordem que são inerentes à manifestação da vida, e o entendimento da especificidade da ecologia humana como tentativa de encontrar, dentro dessa compreensão mais lata, compromissos específicos de previsibilidade e ordem. Claro que em parte esse desfasamento  poderá ser explicado pelo  uso metafórico ou ideológico desses conceitos, o que  poderá ter mistificado a sua compreensão. Mas para além disso, a verdade é que não conseguiu construir pontes sólidas entre a noção de complexidade e a sua governança. E este é, a meu ver, o duplo drama do ambientalismo na maioria das suas variantes. Digo drama porque pretende transpor para a acção política uma imposição que é também uma impossibilidade prática: a de produzir um sistema humano estável tendo por modelo pressupostos dos ecossistemas ecológicos que não são estáveis nesse sentido de homogeneidade, permanência e de não contingência que lhes pretendemos atribuir. E digo duplo drama porque vive na permanente tentação de o fazer à escala global, quando na verdade a ideia de globalidade é uma abstracção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De facto, a partir do momento em que julgamos ter apreendido o funcionamento da vida no seu conjunto, aumentou também a propensão para identificar problemas globais e consequentemente para pensar em soluções globais segundo critérios igualmente globais. Mas, a meu ver, o recurso à ideia de globalidade construi-se sobre fortíssimas contaminações ideológicas pois ela  justifica na perfeição a deriva monolítica da modernidade: um paradigma ( progresso ), uma cultura ( ocidental ), uma língua ( inglês ), um sistema económico ( capitalismo ), um sistema político ( democracia), uma medicina ( fisicalista ), uma ciência ( materialista ), um clima ( inalterável ) e por aí adiante. A lógica é mais uma vez linear: um problema, uma explicação, uma solução. Veja-se o exemplo do mercado mundial do carbono. Sucede, no entanto,  que esta deriva unificadora leva aos antípodas da compreensão da Vida como entidade sistémica. A razão é simples: ignora a variabilidade e a diversidade como valores centrais da Vida, e em que as melhores soluções não são necessariamente as mais complexas. Ou, dizendo o mesmo de outro modo: o bom governo depende do bom entendimento de cada &lt;strong&gt; globalidade local&lt;/strong&gt;. É nessa escala que se define ou não  a sustentabilidade dos processos concretos que promovemos para atingir o objectivo de sempre de regular a  contingência a que estamos naturalmente sujeitos.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-7554070020991685144?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/7554070020991685144/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=7554070020991685144' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7554070020991685144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7554070020991685144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/11/ecologia-ideolgica.html' title='Ecologia Ideológica'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-4661783910908416315</id><published>2008-10-14T23:49:00.003+01:00</published><updated>2010-10-12T14:36:11.881+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Nem sei como lhe chame...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;A história e a importância da &lt;strong&gt;ideia de progresso&lt;/strong&gt; não são consensuais. Há quem lhes atribua mero significado ideológico e inclusive o sentido da palavra não está isento de disputas, havendo mesmo quem considere que o seu conceito entre os clássicos não poderia rever-se no sentido moderno da expressão. Este, lido &lt;em&gt;à la&lt;/em&gt; Kant, dá do progresso a ideia de &lt;strong&gt;movimento unificado de toda a humanidade para uma sociedade baseada na justiça e na liberdade do individuo&lt;/strong&gt;. Uma espécie de céu na terra com fortes indícios de nostalgia religiosa, género de imagem espelhada de um cristianismo revisitado para secularizar a ideia do paraíso através de algumas premissas que Beker tipificava assim: um optimismo inato acerca da condição e do destino da humanidade; a recusa de sentido caótico na história; a crença na posteridade; o conhecimento como força motriz da sociedade; a perfeição como destino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há quem defenda que as sequelas da revolução francesa terão produzido algum efeito “moderador” sobre todo este optimismo. Pessoalmente confesso que nunca percebi muito bem onde. Mas independentemente disso parece que se manteve a centralidade atribuída ao conhecimento na capacidade humana de compreensão e projecção de si mesma, pelo que não admira que a &lt;strong&gt;ciência e a razão&lt;/strong&gt; se tenham estabelecido como pilares de uma utopia global positivista para o futuro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim concebida, como crescente sofisticação do conhecimento e melhoria da vida, e reconhecida como força motora do ocidente, a ideia de progresso desaguou &lt;strong&gt;positivista&lt;/strong&gt; na modernidade . Mas este positivismo teve uma particularidade de origem: um &lt;strong&gt;carácter marcadamente&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;materialista,&lt;/strong&gt; que nos colocou a olhar para o progresso como um estádio de prosperidade material de indução cientifica e capitalista. Com tal ênfase que o crescimento continuado dessa prosperidade passou a ser tido por imperativo de progresso. Para isso sofisticou-se a complexidade mas negligenciaram-se os impactos culturais, sociais ou ambientais das iniciativas em seu nome empreendidas. Na verdade &lt;strong&gt;a ciência não produziu uma moral&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;e a modernidade não resolveu a conflitualidade entre o interesse colectivo e o interesse individual&lt;/strong&gt;. Os jogos de palavras com que a pós-modernidade nos tem brindado, poderão ajudar a iludir esta questão, mas não a resolve-la. De facto, a partir do momento em que mundo passou a representar-se a si mesmo como se não houvesse constrangimentos à prossecução dos sonhos, fossem eles quais fossem, originou-se também um alargamento da ideia de progresso que, sem nunca prescindir da abundância como paradigma, abandonou a solidez das estruturas típicas do pragmatismo vitoriano para incorporar de forma algo ambivalente noções de &lt;strong&gt;contingência&lt;/strong&gt; nos termos das quais tudo é possível, bem como o seu contrário. A &lt;strong&gt;perenidade&lt;/strong&gt; como valor deixou de ser considerada e a propensão para o &lt;strong&gt;pensamento global&lt;/strong&gt; especializado conduziu a níveis de abstracção cujas fragilidades só se vislumbram quando, como agora, aqueles que eram unanimemente reconhecidos como os “pilares dourados” do progresso ocidental cederam fragorosamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por conta deste acidente há gente melhor que eu que antecipa o fim da modernidade e o advento de uma nova era. Não necessariamente de novas concepções de progresso, note-se, mas de um género de correcção de rota norteado por um melhor entendimento global dos fenómenos , entendimento esse que reivindicamos como sinónimo de uma melhoria significativa da nossa capacidade cientifica de percepção das realidades complexas e por conseguinte também de controlo do seu devir. Simplificando, há quem defenda que nada existe de errado com o paradigma, mas apenas com o funcionamento do sistema que o serve.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora aqui hesito. Hesito porque &lt;strong&gt;retenho da história a propensão para transformar bons princípios em processos de resultados duvidosos. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando Morin sugeriu que a acção politica poderia ser melhorada pela compreensão global da realidade a que respeita, supôs seguramente que seria possível retirar benefícios práticos de melhores níveis de entendimento sistémico do funcionamento das estruturas com as quais interagimos. Mas, como sobressai da tentativa de abordagem macroscópica de Rosnay, a nossa necessidade de estabelecer padrões de comportamento para compreender o funcionamento das coisas não se dá bem com o aumento continuado do número de varáveis que as influenciam. Daí que a tentativa de apreensão de mecanismos de elevada complexidade tenda a apresentar como reverso uma espécie de paralisia operacional. Curiosamente isso acontece com igual facilidade quando derivamos para a especialização e com isso perdemos perspectiva, como quando a tentamos recuperar recorrendo a noções globais construídas por adição sucessiva de abstracções redutoras. É o caso de conceitos como humanidade, clima, história, economia, ambiente, entidades ás quais o progresso conferiu um significado global mas que não se conseguem descrever segundo os processos de narrativa convencionais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No caso da economia, por exemplo, embora seja possível representar e descrever a totalidade dos sistemas lineares de produção e troca que acontecem no interior de um espaço num determinado tempo, bem como os comportamentos que os acompanharam, não há nenhuma matriz capaz de integrar a infinitude de acontecimentos materiais e emocionais que ocorreram nas sua múltiplas interacções concretas e menos ainda de as prever. Esta impossibilidade e o desejo de facilitar e potenciar os resultados associados aos processos de troca, conduziu o progresso económico ( e outros com ele ) no sentido da homogeneização de procedimentos. Em consequência reduziu-se a diversidade de práticas e abandonaram-se estratégia pragmáticas fundadas sobre o principio da precaução ( constituição de reservas ) por troca com a crença nas virtudes da especialização e da interdependência Mas esta interdependência é lida em chave equivoca. Equivoca porque existe uma diferença significativa entre a realidade que ela representa e a imagem de complementaridade que pretende transmitir. Em economia a complementaridade tem sentido e funciona quando existe um nível de autonomia significativo. Isto é, entre a minha actividade de agricultor e a do meu vizinho pescador existe toda a complementaridade do mundo porque trocamos peixe por batata e ambos ficamos satisfeitos com a diversificação do menu. Mas a verdade é que se nos zangassemos eu sobreviva bem só com batata e ele só com peixe. Seria uma dieta monótona mas viável. Ora outro tanto deixa de acontecer se eu e o meu vizinho decidirmos dedicar-nos em exclusivo ao turismo. Por troca com os nossos serviços os turistas que nos visitam trazem-nos os excedentes de peixes e de batatas que produzem. Mas a verdade é que se o ano for mau na terra deles e não conseguirem produzir excedentes, em vez de virem de férias ficam em casa, e eu e o meu vizinho ficamos de barriga vazia. Ora isto acontece porque os bens que aqui se trocam não são equivalentes e a complementaridade só funciona nessa condição. Fora dela o que chamamos de interdependência pode na prática significar dependência e vulnerabilidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No momento em que alinhavo estas linhas leio a noticia da corrida aos supermercados num dos países que se encontra no top-ten dos mais ricos do mundo – a Islândia. Ou seja, o progresso, este progresso, positivista, cientifico, racional, não foi capaz de resolver as questões do aprovisionamento e das trocas da energia que são fundadoras do funcionamento das sociedades e camuflou essa insuficiência instituindo subsistemas, como o financeiro, cuja visibilidade e aparência complexa iludem a natureza transitória e supérflua da prosperidade que se tem por adquirida. Como está à vista, a prosperidade adquirida funda-se afinal na mera troca de expectativas. Ora como resultado de uma dinâmica que se reivindica herdeira da ciência e da razão, teremos que convir que é pouco. Tão pouco que legitima a dúvida de saber se será insuficiência do processo ou se, afinal, o problema está mesmo no paradigma. E que a ideia de progresso como sistema cartesiano que pretende combinar prosperidade, justiça e liberdade para todos em todo o lado seja afinal uma equação impossível.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-4661783910908416315?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/4661783910908416315/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=4661783910908416315' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4661783910908416315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4661783910908416315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/10/nem-sei-como-lhe-chame.html' title='Nem sei como lhe chame...'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-4920311485617105816</id><published>2008-10-09T15:31:00.004+01:00</published><updated>2010-10-12T14:36:11.882+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Como um balão furado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Há nas proliferas explicações para a dita crise do sistema financeiro alguns aspectos que tendem a ser escamoteados num exercício de negacionismo revelador. No topo desta lista coloco a natureza do próprio sistema económico. Assumi-lo como centro da discussão implicaria reduzir as questões financeiras à magnifica simplicidade dos seus fundamentos económicos. Ora isso iria deixar desarmados e sem emprego todos os “magos da finança” . De facto são eles que, não encontrando outra forma de justificar a existência senão complicando o que é simples para desse modo se substituírem a uma realidade óbvia, se instalaram como mediadores para uma ficção cuja suposta complexidade foi arquitectada como instrumento de controlo e de exercício do poder.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Contrariamente ao que se pretende fazer crer, a economia não tem nada de complicado. Ela resume-se ao modo como nós particulares e nós sociedades gerimos os recursos que são necessários à nossa subsistência. É verdade que a partir de um momento qualquer cuja localização no tempo ou no espaço é irrelevante para esta arenga, decidimos que subsistir era pouco. Vai daí que estabeleceu-se o progresso como desígnio que se auto-define em critérios de bem-estar que na prática se têm traduzido principalmente em ter mais de tudo: mais casas, mais carros, mais estradas, mais roupa, mais alimentos, e, claro, mais dinheiro como símbolo da capacidade de conseguir mais de tudo isso. Neste processo ideológico, em que o &lt;em&gt;new-deal&lt;/em&gt; foi um importante marco, o valor simbólico do dinheiro desligou-se da realidade adquirida para passar a exprimir a &lt;strong&gt;realidade expectável.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, ao contrário do que era uso no tempo da economia dos nossos avós, em que só se faziam as despesas depois de obtidas as receitas, a modernidade faz as despesas na expectativa de receitas que ainda não aconteceram. Desta forma, em lugar de se centrar na troca de bens ou dos seus equivalentes simbólicos, &lt;strong&gt;a economia resvalou para a troca de expectativas&lt;/strong&gt;. Esta mudança de atitude permitiu uma coisa muito interessante, sem dúvida, que é a possibilidade de usufruir já daquilo que em condições normais só se poderia adquirir daqui a não sei quanto tempo. Uma vez institucionalizado este novo principio de funcionamento, logo proliferaram as entidades especializadas na gestão de expectativas - os bancos. Mas enquanto os tradicionais emprestavam um chouriço a troco da garantia de um porco inteiro, os modernos avançam logo com o porco na crença de que com tanta gente a retribuir-lhes chouriços o risco associado à probabilidade de que uma quantia significativa de devedores falhe o seu tributo é bastante aceitável face ao enorme atractivo que constitui no curto prazo a disponibilidade de enormes fluxos monetárias para a prática especulativa. Deste modo o sistema bancário assegurou a mutação da economia real nas suas variantes de ficção, ou seja, transformou a nossa capacidade real de produzir e com produção gerar riqueza utilizável, na atraente ilusão de que a temos assegurada ainda antes de ter sido produzida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para que a gestão desta delicada ilusão se mantenha sem sobressaltos de maior, existe uma dupla premissa essencial: a de que a roda das expectativas não só não pare de girar como a de que enquanto gira não pare de crescer. Ou seja, um sistema que tem no consumo o seu motor, no crédito o respectivo combustível e na abundância ilimitada e universal o paradigma de referência, precisa de acreditar na possibilidade de crescimento ilimitado da riqueza com uma atitude de fé dogmática, pois sem ele nada disto funcionaria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto a abundância tem limites. Eu sei que é difícil de encaixar mas é assim mesmo. Esses limites são estabelecidos por recursos materiais concretos, pela capacidade tecnológica de os processar e pelo número de utentes potenciais. Além disso a gestão desses recursos obedece a leis tão universais como as da termodinâmica ou a dos rendimentos decrescentes. Esta em particular reza que existe um momento a partir do qual o acréscimo de resultados que se obtêm de um processo se torna inversamente proporcional à quantidade de recursos que nele se investe. Ou seja, numa parcela de terreno de dimensões definidas, há um momento a partir do qual por unidade de trabalho a mais que nele invista num determinado cultivo, já obtenho menos de uma unidade de produto. Chama-se a isto rentabilidade marginal negativa e é uma característica dos sistemas produtivos que só não é mais evidente porque os fluxos económicos tendem a ser medidos em moeda. Quer dizer, exprimem-se através da artificialidade de padrões monetários que não são realmente comparáveis entre si, em lugar de se contabilizarem numa unidade de medida facilmente padronizável como seria a energia, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De facto, qualquer pessoa em bom estado de saúde mental recusaria sempre a troca directa de um pão de quilo por um de meio quilo, pois seria sempre um óbvio mau negócio.Porquê ? Porque existe nessa troca uma óbvia desproporção dos respectivos valores energéticos. No entanto é frequente que a mesma pessoa não hesite em pagar pelo pão de meio quilo mais do que pagaria pelo de quilo, bastando para isso que o primeiro seja promovido como “pão de marca”. Ou seja, a economia descolou dos sistemas de troca em contexto de satisfação de necessidades bem padronizadas para se estabelecer em redor de critérios de equivalência que incorporam factores subjectivos cujo gestão foi entregue ao “deus mercado”. Desta “sofisticação” do &lt;em&gt;homo economicus&lt;/em&gt; não adviria mal de maior ao mundo se esta dinâmica não se tivesse globalizado a reboque do recurso ao efémero, ou melhor dizendo, do abuso de um fabuloso recurso energético que ajudou a criar uma ilusão complementar de riqueza e instalou um modelo social que além de artificial é insustentável porque há muito que funciona assente em actividades de rentabilidade marginal negativa. Por isso a prosperidade desta economia tal como a conhecemos é um balão cheio de gás. Concretamente, um balão cheio do CO2 resultante da queima de combustíveis fósseis. De consistente ela não tem mais substância que a matéria de que é feito o balão. É isso que se vê quando ele se esvazia ao mínimo percalço deixando a nu a extraordinária mistificação da suposta solidez do sistema, que afinal se resume a expectativas a flutuar no que ainda sobra de um antigo lago de petróleo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://geracaode60.blogspot.com/2008/09/crise-qual-crise.html"&gt;Link &lt;/a&gt;para um texto de quem também não gosta de complicar o que é simples.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-4920311485617105816?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/4920311485617105816/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=4920311485617105816' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4920311485617105816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4920311485617105816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/10/um-balo-furado.html' title='Como um balão furado'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-7088900086975320526</id><published>2008-09-29T14:50:00.007+01:00</published><updated>2010-10-12T14:40:55.815+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia. Território. Ambiente'/><title type='text'>O Inferno da Quercus</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Quando andei na primária, competia à Escola o ensino das coisas mundanas e à Igreja a iniciação nas que supostamente nos transcendiam. Havia, pois, uma certa complementaridade de tarefas entre as duas instituições. Enquanto a Dona Bárbara tratava de nos pôr a par dos pequenos mistérios da leitura, da escrita e da aritmética, a Menina Cremilde explicava-nos na catequese o que era propriedade do “indecifrável”, afirmando com a autoridade inerente à condição de mandatária do Padre Oliveira, legal representante do divino na freguesia, que “o céu e a terra”, bem como “ todas as coisas visíveis e invisíveis” eram criação de Deus. Assim mesmo. Seria ainda Deus quem após a nossa morte se encarregaria em processo sumário de decidir o que nos reservava a vida eterna. Para isso, iria ter em conta o registo da vida terrena, e nem pensar em aldrabar o relatório, porque, ao contrário da minha mãe, Deus era dotado de duas características incontornáveis: era omnipresente e omnisciente. Não havia pois como lhe dar a volta. Por isso, a nós, pequenos candidatos a pecadores, confrontados com versões dantescas do inferno e outras ameaças de terror apocalíptico, não nos restava outro caminho senão o cumprimento de um pesadíssimo “caderno de encargos” para evitar destino tão assustador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Convenhamos que a abordagem era bastante pragmática, pois contribuía para um reforço bastante efectivo da capacidade dos poderes instalados controlarem um grupo de comportamentos que consideravam socialmente indesejáveis, mesmo sabendo que o faziam com recurso ao simplismo mais tosco e que desse modo cultivavam o obscurantismo. É sabido que pessoas bem formadas e informadas são mais difíceis de manipular. Por isso, o controlo da informação sempre foi um instrumento de exercício do poder, e daí as dificuldades sentidas pelo Iluminismo e pelo Racionalismo em fazer passar outras leituras do mundo. Mas conseguiram-no, e ao consegui-lo passaram também a ter uma influência decisiva no exercício do poder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que eu não estava de todo à espera é que passados todos estes anos os homens e mulheres da ciência do nosso tempo, herdeiros das luzes e paladinos da razão, os mesmos que nos abriram janelas para outras leituras do mundo e da vida, não consigam encontrar melhor forma para ajudar o povo a destrinçar o bem do mal nesta nova ordem que ajudaram a instalar senão desenterrando os velhos espectros do inferno e do terror dos destinos apocalípticos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas é o que acontece. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Quercus, por exemplo, que não se inibe de alinhar na propensão catastrofista que se generalizou entre as organizações ditas ambientalistas, promove na RTP2 um comercial em que confronta o espectador com a sua versão do inferno: um canguru a suicidar-se numa linha de caminho de ferro, um chimpanzé a enforcar-se com uma liana ressequida em cima de uma árvore estorricada e, como não podia deixar de ser, um urso polar a atirar-se de uma falésia abaixo naquilo que se apresenta como antevisão da Gronelândia sem gelo nem focas. Tudo num cenário vermelho e negro que rivaliza sem favor com as melhores ilustrações do inferno imaginadas por Alligeri.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A formatação alternativa que a ciência construiu para nos explicar o mundo, tem na &lt;strong&gt;mudança&lt;/strong&gt; uma constante. Tanto na geologia como na biologia, a ciência elaborou um conjunto relativamente coerente de teorias que nos explicam como sendo &lt;strong&gt;entidades em processo num contexto em processo&lt;/strong&gt;, e usa indícios fortes para ilustrar essas teses, como a deriva dos continentes ou a evolução das espécies. Nesse sentido, a ciência representa-nos como figurantes transitórios num sketch de uma longa metragem em rodagem, sem guião, e sempre inacabada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por isso me soa muito estranho que quem nos ajudou a nos entendermos como&lt;strong&gt; processo em mudança&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;induzida por conjugações aleatórias de factores incontroláveis&lt;/strong&gt;, não só nos proponha agora concepções estáticas dos fenómenos que suportam a vida como ainda por cima nos ameace com o inferno se não as conseguirmos preservar. Ou seja, num dia demonstra-se que os Himalaias se formaram em fundo marítimo, e no dia seguinte pretende-se induzir comportamentos que evitem futuras alterações do nível do mar. Ora este é um dos grandes problemas das derivas conservacionista: o subtexto que se apoia na &lt;strong&gt;ideia peregrina de que chegamos a um destino&lt;/strong&gt;, seja ele geológico, biológico, climático, ou de outra ordem qualquer, que considera este estádio ideal e por isso, subentende-se, pode e deve ser preservado, mesmo que tal atitude entre em completa contradição com a &lt;strong&gt;ordem natural de conflitualidade e mudança&lt;/strong&gt; que marcam a história da vida e que a ciência tem sobejamente documentado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O caso do clima é paradigmático. Embora estejam bem fundamentadas fortes evidências de importantes alternâncias na dinâmica climática passada, e a história tenha inclusive bem documentadas mudanças climáticas relativamente recentes e bastante significativas, ilustradas por evidências de avanços e recuos periódicos de gelos e níveis do mar, tal como de desertos ou florestas, ainda assim não se hesita em colocar eventuais futuras mudanças do clima no topo da agenda das preocupações ambientais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sabendo-se que o clima não é constante e é determinado por um conjunto muito diversificado de variáveis cujo funcionamento está longe de se encontrar bem compreendido, o &lt;a href="http://cyberdemocracia.blogspot.com/"&gt;bom uso da lógica &lt;/a&gt;deveria permitir deduzir que, mesmo admitindo a eventualidade de mudanças climáticas induzidas pelas actividades humanas, só seria possível transformar essa eventual &lt;a href="http://blogs.publico.pt/dererumnatura/"&gt;correlação numa demonstração inequívoca de causalidade &lt;/a&gt;se houvesse forma de “desligar” todas as variáveis não humanas que interferem na dinâmica do clima, e isso é impossível. Mas demonstrar que, muito antes de eventualmente se reflectirem no clima, algumas dessas actividades têm impactos directos e imediatos sobre a sustentabilidade dos modelos sociais que suportam, não o é. Isto para dizer que provavelmente existem dinâmicas instaladas com potencial de sobra para pôr o nosso modo de vida de patas para o ar muitos antes de qualquer mudança climática ter a mínima possibilidade de o fazer, e não é necessária grande imaginação para encontrar exemplos. Quando se instala uma cidade e se constroem os respectivos prédios, incluindo caves, na foz duma linha de água, e por razões de estética urbanística se bloqueia ainda a drenagem natural, como acontece em Albufeira e na maioria das cidades costeiras, não é preciso nem que o mar suba de nível nem que se altere o regime pluviométrico para que a primeira chuvada generosa dê cabo da vida de quem teve a infeliz ideia de ali se instalar. Centenas de outros exemplos tão elementares e pertinentes quanto este deveriam bastar para questionar a racionalidade das nossas opções quotidianas. E embora se perceba que não é fácil definir uma estratégia educativa conducente a uma boa compreensão destas dinâmicas para desse modo construir sólidos alicerces de mudança qualitativa, isso não deve servir de desculpa para que se combata o &lt;em&gt;nonsense&lt;/em&gt; instalado nos nossos modos de vida com argumentos e estratégias de &lt;em&gt;nonsense&lt;/em&gt; de sinal contrário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas é o que acontece quando se usa em defesa da tese do aquecimento global afirmações como a de que o actual &lt;a href="http://climate.jpl.nasa.gov/"&gt;nível de CO2 &lt;/a&gt;atmosférico é o mais elevado dos últimos 650.000 anos! Por duas razões. Desde logo porque só se concebe uma dimensão temporal com essa escala da centena de milhares de anos recorrendo a somatórios de abstracções sucessivas. E além disso porque aceitar como bom o conhecimento exacto da composição da atmosfera nessa época requer algo mais que uma dose extra de abstracção: é necessário um verdadeiro acto de fé. Não no sentido de fé em que a composição do ar aprisionado no gelo não se altera em centenas de milhar de anos nem durante a sua extracção, ou em que a exactidão das datações e a precisão dos instrumentos e dos métodos de medida estão para lá de qualquer reserva. Mas de fé no sentido do impacto que produz no homem comum que, na impossibilidade de ter em relação a este tipo de argumentos uma compreensão fundamentada, só lhe resta acreditar na autoridade de quem a produz. É nesta medida que encontro em muita da informação debitada em prol das alterações climáticas inequívocas semelhanças com a que a Menina Cremilde nos facultava na catequese sobre a autoria da criação. E tal como ela ameaçava os cépticos com as chamas do inferno, há agora quem ameace os “negacionistas” com cenários de apocalipse ainda mais rebuscados. Receio é que, a prazo, se arrisquem a obter o mesmo resultado: a descrença de quem venha a ousar pensar pela sua cabeça. E não é à descrença em Deus que me refiro. Mas nos homens. Mesmo nos de boa vontade que, sem cavalos de Tróia ( como é o aquecimento global ), se esforçam por introduzir alguma racionalidade nas interacções ambientais que vamos protagonizando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-7088900086975320526?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/7088900086975320526/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=7088900086975320526' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7088900086975320526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7088900086975320526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/09/o-inferno-da-quercus.html' title='O Inferno da Quercus'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-5302742118118508101</id><published>2008-09-04T22:26:00.008+01:00</published><updated>2009-06-06T20:11:09.417+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diversos'/><title type='text'>Os cães e as trelas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Eu não sei, &lt;a href="http://joshuaquim7.blogspot.com/2008/09/da-caninidade-liberdade.html"&gt;Joshua&lt;/a&gt;, por que sofrem ao certo o &lt;a href="http://nestepais.blogspot.com/2008/09/sofrer-como-um-co-com-os-jornais.html"&gt;Marques ou o Pinto &lt;/a&gt;quando lêem os jornais. Mas posso dizer-te por que sofro eu. O caso é que cresci entre pessoas que me fizeram olhar para o jornalismo como um pilar da res-pública, a um tempo meio de informação e de formação, cultor da pluralidade, do sentido critico, do espírito cívico que são essenciais à vivência e ao progresso em contexto democrático. Mas o jornalismo como nobre arte de cultivar cidadania, deu lugar a um exercício de mercantilismo sem alma, pátria, ética ou honra, e não consegues demonstrar-me, Joshua, que exista alternativa para esse espaço porque não há.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Grupos de pessoas podem efectivamente exercer o seu direito à recusa. Mas se não compram os jornais, nem vêm a tv, também não é na blogosfera que vão encontrar a alternativa para se posicionarem no Mundo se não estiverem munidas dos necessários filtros e descodificadores que, como sabes, não são fornecidos como equipamento de série, sendo precisamente essa uma das mais –valias esperadas do bom jornalismo: ajudar a entender o que não é imediato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, Joshua, os bloguistas não são amadores da informação, mas da opinião, e como tal limitam-se a replicar, quais ecos, as opiniões mediadas pelos profissionais da pinocada opinativa que tomaram de assalto o espaço que devia pertencer à informação.. Sem uma agenda autónoma e muitas vezes sem capacidade de construí-la sob um formato de divulgação que lhe potencie o acesso, não é raro que os blogues se publiquem num registo de narciso para outros narcisos, círculos concêntricos de afinidades ocasionais orbitados por alguns metabolismos reduzidos que têm por hábito fazer prova de vida neuronal papagueando no intervalo para o café o “pensamento do dia” produzido na véspera pela cabeça alheia de referência.. Por isso também não é raro que a blogosfera me faça sofrer como um cão quando a atravesso com a sensação de transitar em território de uivos marginais reservado a cães-sofredores, mas nem todos cães vadios e menos ainda vadios por opção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É que, repara Joshua, nem todos os cães sofrem pela relação que têm, tiveram, ou sonham vir a ter com os donos. Há alguns, embora poucos, que sofrem apenas por verem tantos cães felizes por usar trela ou infelizes pela falta dela. Esses são os mastins, verdadeiros marginais do mundo canino, autênticos malteses, cães sem dono, e já rareiam porque não reconhecem alfas nem se adaptam ao oportunismo funcional das alcateias. Têm o hábito instintivo de defender rebanhos, é verdade, mas isso não quer dizer que convivam pacificamente com o espírito ovino nem com a obsessão controladora dos border-coolies regimentais que ao assobio dos média conduzem e mantêm o gado dentro dos cercados ideológicos que os grandes predadores concebem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora não há mastim que se preze a quem não se erice o pélo quando entra nos redis escolares e se apercebe da forma como as trelas do aquecimento global, das energias alternativas, das agriculturas biológicas, do crescimento económico, da demografia, ou de qualquer outra magnifica mistificação mediática do nosso tempo, são colocadas em redor dos pescoços das criancinhas por diligentes professores que as bebem acriticamente da incompetência informativa e da má-fé catastrofista da National Geografic ou de outro empório mediático qualquer. Não há mastim que se digne que não sofra quando princípios que deviam ser sagrados, como a presunção da inocência até trânsito em julgado, são arrasados pela mesquinhez saloia dos opinadores descendentes dos públicos das fogueiras inquisitoriais com argumentos de lógica peregrina: “ &lt;em&gt;se não foi julgado não se pode dizer que seja inocente&lt;/em&gt;” ! Formidável ! Tão criativo que na manhã seguinte até o meu barbeiro se questionava se não deveria ele próprio requerer um julgamento preventivo ! É que se o vizinho, com quem tem uma antiga desavença de partilhas, resolve um dia e por vingança pagar quinhentos euros ao prostituto da terra para jurar em tribunal que ele, barbeiro, lhe teria ido ao cu dias antes de atingir a maioridade, seria de toda a utilidade obter por antecipação uma sentença de inocência de pedofilia, não ??&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portanto Joshua, o que me faz sofrer que nem cão, é esta forma de se estar sob a permanente ditadura duma realidade construída por medida para servir de suporte publicitário. À semana das vacas loucas, segue-se a da gripe das aves, fica-se a saber essa "coisa"  incontornável de que a gaivota encontrada morta na Praia de Leça afinal não estava contaminada (?!), e passa-se à semana da insegurança, ao trimestre da Maddie, às colagens de evidente má-fé que do nada originaram uma crise olímpica, quando não acontece nada afinal era o silêncio da líder da oposição que acontecia entre a expectativa de uma tempestade do século que nunca foi, e um nevão no Quénia motivado pelo mesmo aquecimento global que há seis meses era responsabilizado pela falta de neve no Quénia. Uma realidade construída que obedece a uma agenda que é alheia a critérios de rigor informativo, objectividade ou isenção, num clima circense que é imagem de marca deste momento civilizacional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tenho para mim, Joshua, que direitos e deveres são as duas faces da moeda da cidadania. Por isso são igualmente válidos para o professor e o policia, como para o médico ou o jornalista. Esses exercícios profissionais numa sociedade livre requerem formação especifica e uma cultura ética e mecanismos deontológicos de auto-regulação, pois as funções de grande abrangência têm uma responsabilidade social acrescida cuja ignorância não pode ser invocada após a opção por elas ter sido livremente assumida. Claro que se estiver doente eu posso preferir o médico A ao B. Posso até mudar o meu filho de escola porque não simpatizo com a professora. O que não posso é aceitar que haja médicos ou professores, policias ou jornalistas, que exercem sem qualidade, com incompetência ou má-fé, perante a passividade das respectivas entidades de controlo e antes de todas as da própria classe. Quando isso acontece perante a passividade geral e a coberto de lógicas corporativistas que fazem passar a ideia de que a qualidade do desempenho depende do conteúdo da gamela diária da ração, claro que sofro ! Que nem um cão. Mas, lá está, nem todos sofremos pelos mesmos motivos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-5302742118118508101?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/5302742118118508101/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=5302742118118508101' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5302742118118508101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5302742118118508101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/09/os-ces-e-as-trelas.html' title='Os cães e as trelas'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-7650165282473493115</id><published>2008-08-29T19:44:00.003+01:00</published><updated>2008-08-29T19:49:02.378+01:00</updated><title type='text'>Os Frangos Olímpicos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Comparar os frangos que crescem aqui pela quinta com os “frangos do campo biológicos” cuja comercialização tem vindo a ser incrementada, é a mesma coisa que colocarem-me a mim no Ninho do Pássaro a competir na final dos 100 metros ao lado das máquinas de correr que lá estiveram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Até o meu fornecedor de rações sabe disso. Sempre que lá vou abastecer-me da mistura da cereais triturados que uso para complementar a dieta de amoras e gafanhotos que os meus pintos apanham por aí, o Victor nunca esconde a sua perplexidade perante a minha recusa pela “farinha” sem a qual, garante, “os pintos nunca mais crescem“. E tem razão! Sem a tal farinha, os pintos de Maio só lá pelo Natal têm uma carcaça que se veja. Até Outubro, parece que só lhes crescem os ossos, tipo os adolescentes, altos mas sem massa, e só a partir daí começam a ganhar volume. São seis meses para obter um frango acabado com uma carcaça de dois quilos, algo que o bio-do-campo faz em menos de metade do tempo. Claro que há frangos ainda mais rápidos. Os incontestáveis campeões de crescimento são os chamados frangos de aviário: em 42 dias chegam aos dois quilos! Mas esses, diz-se, “correm dopados”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Em plena ressaca Olímpica, a questão do doping é um tema actualíssimo. E boa parte dessa actualidade deve-se às eternas controvérsias em redor do que é e do que não é passível de ser considerado doping. A controvérsia não se deve tanto a qualquer insuficiência semântica, pois entende-se claramente como dopante a substância adicionada a um metabolismo para lhe alterar a performance, mas ao reconhecimento de que existem muitas formas de o fazer. De tal modo que, a páginas tantas, o que se discute já não é a bondade da prática de “alterar” metabolismos, mas apenas a sua “legalidade”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;De facto, é pacifico que praticar desporto e correr atrás de medalhas olímpicas são coisas distintas. Da mesma forma que nenhum atleta em perfeito juízo tem a veleidade de competir pelas medalhas dos 100 metros só com treino e dieta alimentar, também não há ninguém em estado de razoável saúde mental que invista em concentrar milhares de animais em densidades que vão até 24 kg / m2 ( leia-se: no mínimo 12 frangos / m2 - versão de aviário-bio ) num programa de acabamento sem a garantia de performances mínimas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;A primeira medida para as assegurar chama-se selecção genética. Nos dias que correm, diversidade genética é conceito que faz pouco sentido dentro de um pavilhão de avicultura. Basicamente, pode-se comparar a avicultura ao que seria o atletismo se todos os velocistas das olimpíadas fossem descendentes dos jamaicanos Usein Bolt e Shelly-Ann Fraser. Mas mesmo assim não chega, pois além desse trabalho de selecção é preciso ainda um protocolo profiláctico qualquer, porque das duas uma: ou ele existe ou a empresa vai à falência ao primeiro embate duma banal coccidiose. De resto, nem se percebe a relutância em aceitar esta realidade quando é sabido que não há gaiato que seja aceite no infantário ou na escola sem o respectivo boletim de vacinas actualizado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Como toda a gente sabe que é assim que as coisas funcionam, o que se tem feito é regulamentar a prática através da criação de listagens de produtos e procedimentos autorizados. É o que se faz na avicultura em geral e nesse aspecto a regulamentação da avicultura AB é apenas mais um regulamento, pois importa que se percebam duas coisas. A primeira é que o que não é autorizado não é necessariamente pior do que o que é permitido - pode apenas querer dizer que há produtos e práticas cujos fabricantes ou mentores ainda não conseguiram o bastante para os legalizar. A segunda é a de que ser permitido não significa que seja inócuo, mas apenas que tem efeitos que se consideram aceitáveis à luz do conhecimento disponível, que não se conhecem efeitos nocivos, ou que são produtos para os quais os respectivos promotores conseguiram melhor que outros percorrer as etapas necessárias à respectiva homologação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Claro que a AB pretendeu transmitir a ideia de que ampliava a margem de segurança subjacente a este sistema, e merece esse crédito formal. Mas se também ela é súbdita da mesma lógica da competição ( financeira ), é natural que a indústria não se poupe a esforços no sentido de multiplicar as opções disponíveis para a tornar mais “competitiva”. E a realidade é que entre o uso de hormonas e de antibióticos, habituais na avicultura industrial “clássica”, e o uso dos &lt;em&gt;premix&lt;/em&gt; de nova geração, tolerados na produção do “ frango do campo biológico”, a diferença está mais no modo como operam do que nos resultados que produzem, uma vez que qualquer deles altera as performances normais no mesmo sentido de uma maior produtividade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, para se controlar o uso do que não é permitido ( sejam substâncias ou doses ), tem que se saber o que se procura. No entanto, mesmo em relação aos produtos que se conhecem, são centenas as variantes possíveis da sua forma de apresentação. Os nitrofuranos são disso bom exemplo. Basta que se altere o “aspecto” do princípio activo na “embalagem química” em que se apresenta, para que passe incógnito nas análises correntes, e só o acaso, a denúncia ou a mudança de métodos de análise permite eventualmente identificá-lo. É devido a situações desse género, que só há um ano pediram à Marian Jones a devolução do Ouro que arrecadou em Sidney, pois na altura estava “tudo bem”. Quer isto dizer que há dopantes cuja existência oficial se desconhece. São os produtos duma ciência marginal altamente lucrativa e que não é necessariamente pior que a oficial, porque em relação a estas coisas não sejamos ingénuos ao ponto de acreditar que funcionam segundo o primado do interesse público e que os lobby dedicados à preservação dos monopólios comerciais instalados não existem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;São estas derivas que fazem com que a “avicultura biológica” se posicione em relação à produção de frangos da mesma forma que os Jogos Olímpicos estão para a prática desportiva. Faz-se a apologia da tecnologia de ponta presente nessas iniciativas e invoca-se o seu eventual efeito de locomotiva. Mas por cada puto que inicia a prática desportiva a reboque do salto do Évora, quantos sapatos da Nike e fatos de treino da Adidas se vendem? Não haveria outros processos para fomentar o desporto? Talvez houvesse. Mas a forte componente de marketing subjacente a estas actividades tem o mérito de nos levar a discutir o acessório, evitando o essencial dos sistemas em que se enquadram. Isto porque prende toda a nossa atenção a manifestações cuja principal função é a de alimentar dinâmicas completamente alheias à função social que importava servir. Essa, permanece prisioneira das molduras ideológicas com que nos ensinaram a ler o Mundo. No caso da avicultura, o que importaria discutir não são as suas modalidades possíveis, mas as premissas em cuja concepção se apoia. Nomeadamente a necessidade-tabu de incluir na dieta alimentar uma capitação significativa de carne de frango e a consequente organização dessa produção de forma completamente desligada do território em que acontece.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-7650165282473493115?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/7650165282473493115/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=7650165282473493115' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7650165282473493115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7650165282473493115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/08/os-frangos-olmpicos.html' title='Os Frangos Olímpicos'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-3636853747019514669</id><published>2008-08-11T14:46:00.007+01:00</published><updated>2008-11-06T14:06:19.107Z</updated><title type='text'>Expresso-Biológico</title><content type='html'>&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O semanário Expresso lidera destacado a lista das minhas preferências &lt;a href="http://manuelrrocha.blogspot.com/2007/11/manifesto-neo-verde.html"&gt;neo-verdes &lt;/a&gt;entre os órgãos de comunicação. E como que a justificar esse destaque, fez-me o favor de publicar na página central do seu caderno de economia da semana passada, um extenso trabalho sobre a Agricultura Biológica que ilustra na perfeição o que aqui tenho vindo a escrever sobre o tema. Das várias abordagens que são desenvolvidas, gostaria de referir aquela cuja importância mereceu destaque com chamada na última página do caderno principal : “ &lt;strong&gt;Maior estufa biológica em Portugal&lt;/strong&gt; “.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Indo ao texto, fica-se a saber que uma empresa do grupo RAR, está a construir em Alcochete “ a maior estufa da Europa para a produção de tomate em modo biológico” , para “vender tomate durante todo o ano para vários países europeus, em especial o Reino Unido”, &lt;em&gt;sic.&lt;/em&gt; Ilustra o texto uma fotografia de uma estufa em montagem que, supondo-se corresponder à da noticia, deixa entender que se trata de uma estrutura metálica com cobertura em vidro, com uma área projectada de 7 hectares ( 70.000 m2 ).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Extraordinário !&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Extraordinário porque revela em toda a sua magnitude a formidável mistificação que tem vindo a ser encenada em redor deste modo de produção AB que tem sido divulgado como “alternativa” à agricultura convencional, e portanto, em oposição à agricultura intensiva que não respeita os “ciclos naturais”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Destaco dois aspectos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em primeiro lugar a cultura do tomate fora de época é por definição um cultivo intensivo em contra ciclo. É por estar fora da sua época natural que obriga ao uso de estufa. Ora o uso da estufa é em si mesmo um programa de produção e utilização intensiva de recursos, pois doutro modo seria impraticável assegurar o retorno do capital investido. Também por isso implica um programa sanitário cujo nível mínimo deveria obrigar a tratamento criminal quem tem o desplante de o promover como “processo natural”. De resto, o cultivo em estufa é a antítese de bandeiras da AB como a rotação de culturas, preservação dos ciclos da matéria orgânica ou conservação do solo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, merece nota a “sustentabilidade” deste processo, outra das bandeiras da AB. O custo energético de uma estrutura metal / vidro com 70.000 m2, é um número perfeitamente obsceno, cuja amortização alimentar em salada de tomate está para a agricultura como actividade de produção de alimentos, como estaria para o cinema uma produção hard-core ao pior estilo da indústria pornográfica. A cereja sobre o bolo do desequilíbrio energético desta actividade, são os mercados de destino ( Europa e em especial Reino Unido ) e as implicações que daí decorrem em termos de transporte-frio e de manutenção de uma lógica absurda que ignora a relação geográfica entre produção e consumo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De resto, o que aqui tenho escrito sobre a incorporação da AB no eterno oportunismo capitalista, fica bem ilustrado pela sua menção no caderno de economia do Expresso e pelo facto de suscitar o interesse de grupos empresarias que têm tido no imobiliário e turismo a sua actividade tradicional.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-3636853747019514669?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/3636853747019514669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=3636853747019514669' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3636853747019514669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3636853747019514669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/08/expresso-biolgico.html' title='Expresso-Biológico'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-4293206917301767629</id><published>2008-08-02T11:01:00.003+01:00</published><updated>2008-11-06T14:06:47.976Z</updated><title type='text'>Largada de Joaninhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Sol, solo, ar, água, plantas  . São estes os elementos da caldeirada química a que se chama agricultura. Agricultura é bioquímica aplicada com uma intencionalidade que não tem nada a ver com a atitude passiva de colher o que a natureza oferece.  A natureza não faz agricultura, e ainda que a fizesse não poderia evitar o recurso à química, porque a vida é um fenómeno químico. Quem faz agricultura é o  bicho homem que descobriu como tirar partido dos processos químicos e dos excedentes de energia  das fases serais primárias dos ecossistemas vegetais e por isso as replica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto, porque se trata de um processo de indução e gestão de desequilíbrios,  tem as suas delicadezas. Parte delas foram resolvidas pela observação-experimentação-repetição empíricas, antes das ciências descodificarem muitos porquês dessas práticas e com eles construído edifícios de explicações . &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Qualquer edifício é uma estrutura relativamente complexa cuja compreensão requer algum tipo de especialização. As questões da agronomia não fogem a essa regra. Nem à perda de perspectiva que dela decorre. Ou seja, na tentativa de  perceber e resolver o detalhe  corre-se o risco de perder a noção do todo e com isso   a  razão  social da demanda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sei se terá sido por aí que  a partir de certa altura a prioridade da  agricultura passou a ser a de fazer dinheiro e não a de produzir alimentos. Uma vez criada uma certa capacidade de controlo sobre inúmeros acontecimentos aleatórios, como os acidentes sanitários, a agricultura tornou-se mais previsível e por isso um negócio potencial.  Mas essa mudança de atitude a que se chamou agro-indústria   substituiu  a antiga lógica segundo a qual  as produções agrícolas  se adaptavam aos locais onde se realizavam  para aí responderem a necessidades alimentares, por uma nova postura, que consiste em adaptar os locais aos  produtos  com maior capacidade de gerar receita,  independentemente do uso que deles venha a ser feito e do local onde se irão ser consumidos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que esse esforço de artificialização arrasta consigo todo um programa ao qual alguém  chamou "revolução verde". Uma original adjectivação  para designar um ideal e um processo tecnológico que em pouco mais de cinquenta  anos alteraram radicalmente a relação histórica com a terra. Foi uma revolução, de facto. E como tal também tem os seus cronistas. Giovanni Federico, por exemplo,  publicou recentemente uma &lt;a href="http://press.princeton.edu/titles/8057.html"&gt;obra&lt;/a&gt; que tem vindo a fazer as delicias dos que têm por passatempo deslumbrar-se com as formidáveis conquistas da ciência e da técnica, neste caso na agricultura. Nesse trabalho, a  análise de GFederico não consegue contornar as inevitáveis derivas ideológicas quando considera como coroas de glória da revolução verde  o aumento da população mundial que terá permitido  e a redução dos activos agrícolas a que conduziu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São duas teses   curiosas, pois  são apresentadas como justificação, como resposta a uma espécie de desígnio que impunha essa dupla  cruzada  . A primeira,  deixa implícito  que a população  precisava de se multiplicar , que, vá-se lá a saber porquê,  seriamos poucos e precisávamos de ser seis vezes mais, crescimento esse que seria  um género de inevitabilidade sagrada que ninguém deve questionar e que a técnica só tinha o dever de viabilizar.  A segunda,   apoia-se na dupla premissa de que um peso expressivo do mundo rural é um mal  em si e que a única  alternativa  para a melhoria geral das condições  das sociedades ditas rurais, seria a transferência de população para as periferias urbanas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, concretizadas que foram  essas "conquistas",  não  estão resolvidos os  desacertos entre população e recursos, nomeadamente alimentares,  e  a sangria de população rural para a periferia urbana criou outros problemas: a desertificação dos interiores,  assimetrias territoriais consideráveis e  uma macrocefalia metropolitana paralisante, além de ter  transferido   o tradicional sub-emprego crónico  entre o proletariado rural para desemprego endémico entre o proletariado urbano.  Quanto à agro-indústria que se instalou, ela gerou uma dinâmica insustentável de prosperidade  aparente  assente na produção-dependência dos combustíveis fósseis, com problemas generalizados ao nível da ocupação da solo, da gestão da água,  da biodiversidade e da própria segurança alimentar que pretendia ter resolvido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora foi neste contexto que a Europa  institucionalizou aquilo a que chamou Agricultura Biológica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os argumentos que inicialmente usou para o fazer colocavam a tónica na defesa dos consumidores relativamente a eventuais abusos do "marketing biológico". Mas  ao fazê-lo acabou também por reconhecer implicitamente que o modo de produção convencional tem   impactos indesejáveis no ambiente e na saúde dos consumidores. Assim, com a institucionalização da AB, a EU  dividiu   os produtos agrícolas em duas categorias: os de primeira, bio, e  os de segunda, os restantes, a que chama convencionais. Ao fazê-lo, reconheceu que a norma agrícola não serve, que tem deficiências. Mas em lugar de investir em ultrapassá-las &lt;strong&gt;através de medidas estruturais que modificassem os modos de produção  para o bem comum&lt;/strong&gt;, limitou-se a pactuar com o que condena criando  um sub-sistema que considera alternativo. Mas o  argumento de que deste modo permite ao consumidor a  possibilidade de escolha, também não serve,  porque em rigor essa liberdade  nunca esteve em causa. Na realidade,  nada impede ninguém de se associar para cultivar as couves que consome como bem entender. Nem a comercialização do que quer que seja deixou alguma vez de estar sujeita à lei geral. O que não me parece fazer sentido é a existência em paralelo de dois sub-sistemas para dar resposta á mesma função: a de garantir a &lt;strong&gt;segurança alimentar&lt;/strong&gt;. Nem vejo que exista qualquer razão que justifique que se criem regras especiais para consumidores especiais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado a regulamentação da AB faz uso de uma linguagem que  traduz os conceitos  de tal modo que induz o público em  ideias erradas. Desde logo pela forma como se adjectiva ( biológica, bio, organica ), quando na realidade remete para uma prática fitossanitária de  &lt;strong&gt;luta integrada&lt;/strong&gt;, que é aquela que associa luta química e biológica no controlo de pragas e doenças, e que não é  exactamente a ideia que fazemos das largadas de joaninhas, essas sim características da &lt;strong&gt;luta biológica&lt;/strong&gt;. Deste modo  constrói-se uma mitologia pouco educativa em redor destas  práticas agrícolas, que são compreendidas como inócuas. Mas as moléculas  dos piretróides ( os insecticidas da nova geração ) naturais ( extraídos  dos crisântemos ) autorizados na AB, são um desastre para os ecossistemas de água doce, por exemplo, e nessa medida não se distinguem dos de síntese. O que reforça a ideia essa sim pertinente de que o que classifica um produto como veneno é mais a dose e o contexto do seu uso do que a sua natureza, pelo que a questão não está tanto em usá-los ou não mas em como se usa e nas razões que fazem com esse uso seja necessário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora essas razões continuam a ser a &lt;strong&gt;produção em massa para o mercado&lt;/strong&gt;,  fruto duma &lt;strong&gt;relação desajustada entre população e recursos&lt;/strong&gt;,  e uma &lt;strong&gt;ideia  de gestão que só entende a economia pelo lado dos seus resultados financeiros&lt;/strong&gt;,  pelo que não prescinde da competitividade como condição de existência do que quer que seja. Isso mesmo é admitido pela EU, pois embora  reconheça  a  asneira   que tem sido a tremenda apatia perante a degradação do mundo rural, não se atreve a mais que a   tímidas tentativas de  revitalizá-lo a reboque  de acções que usam como remédio aquilo que o asfixiou: o mercado e a livre iniciativa. Provavelmente,  foi essa a única forma que encontrou de não bulir com os interesses do corporativismo capitalista instalado no sector e que,  de resto, não perdeu tempo a tirar vantagem da "onda bio" entretanto gerada . As sucessivas alterações que têm vindo a ser introduzidas ao &lt;a href="http://ec.europa.eu/agriculture/organic/home_pt"&gt;Reg  CEE 2092 / 91&lt;/a&gt; e os esforços de homogeneização   internacional entre as variantes de AB, são disso bem ilustrativas. Os produtos biológicos  já admitem a fantástica possibilidade de 0.9 % de contaminação com transgénicos ! As vazias das vacas argentinas não perdem o bio depois de atravessarem de avião o Atlântico embaladas a vácuo em contentores-frio. Sobre os iogurtes e o leite magro biológicos, já conversamos. E se isto já não estivesse tão longo poderíamos ainda falar da etiqueta bio atribuída aos “frangos do campo criados ao ar livre” e abatidos aos 81 dias,  que o clube de produtores SONAE comercializa. Lá iremos noutra altura.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-4293206917301767629?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/4293206917301767629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=4293206917301767629' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4293206917301767629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4293206917301767629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/08/largada-de-joaninhas.html' title='Largada de Joaninhas'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-8285047255424430863</id><published>2008-07-27T15:30:00.002+01:00</published><updated>2008-11-06T14:06:31.584Z</updated><title type='text'>Catorze Sementes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Há dias colhi o grão-de-bico que tinha semeado em Abril. Se as primaveras não correrem secas, o grão é uma cultura fácil. Pouco dado a problemas sanitários, também não tem exigências de cultivo especiais. Gosta de terrenos com boa exposição solar e com boa capacidade de retenção para a água. Com estas condições tenho um canteiro com uns cem metros quadrados. Depois de estrumado, cavado e destorroado, foi nele que semeei o litro de grão-de-bico que me arranjou a vizinha Júlia. Quatro meses, três sachas e outras tantas mondas depois, ceifei, debulhei e limpei. Eis o resultado: catorze sementes. Para quem não está habituado a este linguajar, esclareça-se que se dizia assim a produtividade da colheita, estabelecendo o factor pelo qual se multiplica cada unidade deitada à terra. No caso do grão em sequeiro, afianço que é um bom resultado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, contas feitas por alto, os catorze litros de grão que colhi correspondem ao produto de cerca de uma semana de trabalho – quarenta horas, grosso modo. Ora, na mercearia da Dona Isabelinha, vende-se o grão a 1,65€ o kg, o que quer dizer que a preços correntes a semana de trabalho que acumulei no canteiro de grão-de-bico que produzi vale no mercado convencional cerca de …18,5 € (1 kg de grão tem cerca de 1,25 litros). E se desprezar o custo dos factores de produção envolvidos (semente e matéria orgânica) teria sido esta a minha receita, correspondendo pois a uma remuneração do trabalho que não chegaria a cinquenta cêntimos por hora. Vamos admitir que eu sou pouco rotativo e que podia ter feito o trabalho em metade do tempo, que ainda assim a remuneração da hora de trabalho não ultrapassava um Euro. Ou seja, cerca de 1/3 da remuneração horária considerada pelo salário mínimo nacional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se utilizar como exemplo outras culturas agrícolas conduzidas de forma tradicional, o resultado não é muito diferente, o que leva a uma questão pertinente: por quanto teria de ser vendida a colheita para remunerar decentemente os factores de produção? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bom, o problema não é a resposta, mas a pergunta, uma vez que a dificuldade não está em encontrar o valor teórico correspondente, mas quem o pague. O caso é que o modo de produção tradicional não está estruturado para o mercado tal como ele existe e funciona. Aliás, ele nem sequer se articula com a estrutura da sociedade tal como ela desaguou no século XXI. E isto porque os modos de produção agrícola tradicionais não são monetaristas nem produtivistas, como ficou bem claro quando ontem fui às compras à Dona Isabelinha e paguei 19,30 € por um pão, um pacote de manteiga, dois de massa, um quilo de arroz e duas meloas. Ou seja, vendidos ao público, os meus catorze litros de grão não davam para pagar a conta. Mas enquanto com o grão que colhi eu tenho o bastante para a base de pelo menos cinquenta refeições, aquilo que comprei por valor equivalente não me dá para meia dúzia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portanto, ao invés da produção agrícola tradicional, as premissas da organização do mercado e da formação de preços agrícolas da modernidade não são as da satisfação das necessidades alimentares básicas, mas outras. Ora é dentro destas “outras” que se insere a nouvelle corrente da agricultura biológica (AB).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora se inspire em lógicas, métodos e técnicas tradicionais, a AB não é um modo de produção tradicional, mas um &lt;em&gt;up-grade&lt;/em&gt; híbrido, que combina alguma mitologia do tradicional, enquanto suporte de marketing, com a nata tecnológica da “revolução verde”, como modo de produção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com a retaguarda quantitativa assegurada pela agricultura industrial, a sociedade da abundância aceita de bom grado que a AB explore nichos de poder de compra claramente acima da média, disponíveis para pagar mais por produtos agrícolas supostamente mais saudáveis. Mas claro que esta disponibilidade tem um limite, e por isso quem investe na produção AB poderá ter que fazer vista grossa a pressupostos centrais de sustentabilidade na prática agrícola, como única forma de lhe preservar a margem bruta. Ou seja, a postura comercial do agricultor biológico não tem nada a ver com a do tradicional, que apenas ia à praça quando tinha um excedente de produção. O agricultor biológico cultiva objectivamente para um mercado e tem encargos fixos decorrentes dessa opção. Por isso ele tem que promover uma política de controlo de riscos numa perspectiva de pragmatismo produtivista / monetarista cuja lógica é tacitamente aceite e reconhecida pelo normativo europeu que “define” a AB - o Reg CEE 2092 /91, cuja leitura aconselho vivamente a quem sofra de insónias nas férias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quer isto dizer que se eu quisesse sobreviver como agricultor biológico, alguma coisa teria que fazer além de requerer a etiqueta “&lt;em&gt;bio&lt;/em&gt;” para os meus grãos tradicionais e pagar o devido controlo a uma entidade certificadora. Porque se é verdade que com a etiqueta posso vender os grãos mais caros, essa diferença ainda não chegaria para remunerar os factores de produção e em particular o trabalho, que na agricultura tradicional é preponderante. Portanto, e no mínimo, seria sensato pensar em trocar  os canteiros por uma  parcela onde fosse possível mecanizar o trabalho,  em vez de o fazer manualmente. Além disso, seria de bom tom prescindir das sementes tradicionais da tia Júlia e usar uns &lt;em&gt;garbanzos&lt;/em&gt; espanhóis “decentes”, pois já se sabe que os olhos são os primeiros a comer e  entre os berlindes híbridos de &lt;em&gt;nuestros hermanos&lt;/em&gt;  e as cabeças de alfinete tradicionais da minha vizinha, não há  consumidor que se preze que opte por estes. Depois, se um de vocês passar por lá e me encontrar de garrafa de gás propano e maçarico em punho a queimar erva, não se admire, porque essa é uma das técnicas aceites em AB para controlo de infestantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acontece pois, que embora a AB assente o seu argumentário em noções muito válidas, como conservação do solo e preservação dos ciclos da matéria orgânica e da água e recuse os agro-químicos de síntese, ela tem como irrelevante a origem das fontes de energia investidas no processo produtivo agrícola, bem como o respectivo balanço. Não seria por usar matéria orgânica produzida em França, turfa irlandesa ou guano chileno, em vez do esterco das minhas ovelhas, que os meus grãos deixariam de ser AB. Tal como não é por voarem diariamente de Faro ou de Nairobi para Londres que os hortícolas certificados como biológicos e produzidos em Odemira ou no Quénia para serem vendidos no Harrods, perdem a etiqueta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É por razões desta natureza que, embora tenha de positivo o facto de repensar o modelo de racionalidade técnica que tem norteado a “revolução verde”, a AB não é uma alternativa ao modo de produção agrícola industrial. A AB é apenas uma sua variante &lt;em&gt;soft&lt;/em&gt; com claras motivações comerciais, porque continua a ser financeira e não energética a lógica em que é pensada a sua viabilidade - em última análise, se não der dinheiro, não se faz! Além disso, há aspectos do modo de produção que preconiza que são de crítica incontornável. Mas essas ficam para a próxima.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-8285047255424430863?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/8285047255424430863/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=8285047255424430863' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8285047255424430863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8285047255424430863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/07/catorze-sementes.html' title='Catorze Sementes'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-4286302265379583102</id><published>2008-07-15T22:17:00.006+01:00</published><updated>2008-11-06T14:06:31.585Z</updated><title type='text'>O que se deixa  ...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;Existe um antigo género de exercício de especulação que consiste em pretender determinar como seria hoje a realidade social se ontem se tivessem tomado decisões diferentes. Parece que está na moda, depois de rebaptizado como “análise contrafactual”. O nome é pomposo, como convém, mas confesso que dou pouco crédito a esta “invenção” dos homens da história económica, que só não me parece pura perda de tempo porque o processo pode ajudar a compreender melhor a enorme variabilidade de ingredientes com que se faz a história. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já se devia ter percebido que não chegamos onde estamos graças a processos de rigorosa intencionalidade objectiva, contrariamente ao que pretendem certas concepções ideológicas. De facto, se nem mesmo o produto da mais rigorosa engenharia é concluído exactamente como o projecto que o concebeu, não admira que os desfasamentos entre o que se sonha e o que se realiza se acentuem quando é o projecto de uma sociedade que está sobre o estirador, embora tenha de se conceder que o “gene egoísta” tem tido indiscutível papel na história desses desfasamentos, e nomeadamente nas suas derivas capitalistas. E embora existam excelentes defensores dos méritos “contrafactuais” do capitalismo liberal, nem por isso ele deixa de ser de critica incontornável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Digo de crítica incontornável desde logo porque o capitalismo não foi capaz de resolver a conflitualidade inerente à relação entre o indivíduo e a comunidade ou entre as comunidades - limitou-se a mudar o terreno e o cenário desses conflitos. Em lugar do desconforto dos tradicionais campos de batalha, a versão moderna dos eternos jogos de poder optou pelo conforto do ar condicionado das praças financeiras das grandes capitais. Esta mudança corresponde a uma alteração de método na velha estratégia de disputa de territórios e recursos. O mundo mantém-se assimétrico, é verdade, mas o que o poder cedeu no campo militar e no carisma dos seus líderes, foi compensado pelas virtualidades do anonimato adquirido pelo capital financeiro, um novo género de eminência parda que, sem rosto nem bandeira, põe, dispõe anestesia e controla, perante a incapacidade de reacção objectiva dos governos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bom exemplo de que assim é tem sido a recente novela dos preços dos combustíveis e dos cereais, com os “oito maiorais” a reconhecer simultaneamente que a escalada é especulativa e que não têm meios para a contrariar, embora seja óbvio que esta falta de “meios” deve ser lida como falta, sim, mas no contexto duma ordem instalada cuja bondade se tornou dogmática.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portanto, em lugar do recurso exclusivo à força das armas, o poder como exercício de dominação “evoluiu”, complementando-se com a criação e promoção de uma interminável panóplia de necessidades supérfluas através das quais controla os acontecimentos tecendo complexas teias de dependências. No topo dessa lista de dependências encontra-se o &lt;strong&gt;consumo do que não é essencial&lt;/strong&gt;, processo cuja banalização emprestou aos indivíduos que vivem dentro do sistema e o alimentam, uma ideia de liberdade, uma imagem de prosperidade, um paradigma e um sentido, que são &lt;strong&gt;postiços .&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São postiços por três ordens de razões. Em primeiro lugar porque se concebem como se os recursos em que se suportam fossem ilimitados e renováveis, e não são. Em segundo lugar porque são tidos como decisões autónomas mas correspondem a necessidades claramente manipuladas. Por último porque os mecanismos que os gerem preocupam-se com a boa “saúde” do sistema capitalista em si e não com a do sistema mais vasto em que os seus destinatários se inserem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora é em torno destas questões, parece-me, que deveria ser discutido o equilíbrio entre os nossos sonhos civilizacionais e as respectivas possibilidades de materialização, como se de uma prospectiva contrafactual se tratasse. Isto, claro, se se considerar inaceitável a presente inexistência de um &lt;strong&gt;sentido colectivo&lt;/strong&gt; capaz de transcender as consequências das grandes convulsões sociais cuja correlação com as lógicas associadas aos sistemas económicos são por demais evidentes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É claro que esse sentido não tem de ser hegemónico, como se de uma outra globalização se tratasse. A diversidade de soluções na concepção das formas de organização social e económica, tal como na concepção dos bens e do seu uso, parece-me um valor em si mesma, porque constitui uma defesa “natural” contra os “azares” dos processos históricos e por isso a advogo. Mas, claro está, essa diversidade não é incompatível com o uso do conhecimento de que dispomos e que dá conta da importância de algumas premissas que podem bem, elas sim, funcionar como regras gerais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A primeira dessas premissas é a necessidade de critérios de &lt;strong&gt;perenidade&lt;/strong&gt; nas interacções que estabelecemos com o meio. A segunda, o imperativo da &lt;strong&gt;equidade&lt;/strong&gt; nas interacções que estabelecemos com os outros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porquê estas e não outras?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, numa daquelas apaixonantes discussões que costumavam marcar os fins de tarde domingueiros no café do Zé David, a discórdia derivou para a paramenta dos funerais. Tudo isto porque o Alves, o alfaiate lá do burgo, ficara indignado com o desperdício que representava o uso de um fato da melhor fazenda e ainda para mais praticamente acabado de estrear, para amortalhar a imprevista e precoce morte do Veiguinha. A situação merecia-lhe particular consternação porque o dito fato até assentava que nem uma luva ao Amílcar, o filho do defunto, conforme de resto se sabia porque o usara de recurso no baptizado do primogénito da prima, pois não tinha fato próprio e a função de padrinho do inocente merecia alguma compostura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando se fartava de um assunto, o meu avô encontrava sempre uma frase que proferida no tom certo funcionava como inegociável remate. Foi o que fez com a seguinte tirada:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Bom! O que interessa não é o que se leva…mas o que se deixa!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E foi já a caminho de casa que, como mandava o bom senso, resolvi retomar a questão:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- E o que é que se deixa, avô?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Recebi de troco uma expressão de sincera decepção:&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Ora essa!!!...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que só mais tarde percebi que este conceito de futuro do meu avô incorporava passado e sonho. Passado porque não nos concebia como vindos do nada. Sabia-se descendente de gente concreta e vivera sobre o seu legado. Mas de um &lt;strong&gt;legado em devir&lt;/strong&gt;, que não subsiste sem o sentido da obrigação que temos de o &lt;strong&gt;consolidar&lt;/strong&gt; para a inevitável passagem de testemunho. Contudo, consolidar não significa que se deixe mais, pretende sim que se deixe melhor, o que pressupõe uma&lt;strong&gt; cultura de património&lt;/strong&gt; que por si só corporiza um sentido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É por esta razão que as utopias de desenvolvimento que ouço invocar a propósito e a despropósito, só me parecem coerentes quando as pressinto pensadas como processo para uma &lt;strong&gt;humanidade melhor&lt;/strong&gt;. No entanto, uma humanidade melhor não é uma entidade que eu consiga conceber como mero &lt;em&gt;improvement&lt;/em&gt; das variantes de convívio vigente entre a obesidade de uns e a desnutrição de outros, como resulta da obscena assimetria que se observa no acesso aos recursos e no seu uso. Daí que coloque a equidade social como corolário ético natural de um humanismo cuja maturidade terá de encontrar maneira de se materializar em soluções condizentes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Idealmente, essas soluções passariam por formas de organização política, económica e social capazes de assegurar justeza no acesso e distribuição dos recursos, tendo ainda e além disso de ser capazes de assegurar funcionamentos sustentáveis. Porém, sociedades equitativas edificadas sobre fundações perenes, requerem mais do que projectos legislativos que enumerem comportamentos obrigatórios, pois é sobre atitudes individuais concretas em territórios bem definidos que elas enraízam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, culturalmente não existimos como átomos independentes, mas como entidades orgânicas onde os equilíbrios necessários ao bom funcionamento do conjunto não se alcançam em condições de clara hipertrofia de um dos seus órgãos, como vem sendo o caso da magna importância atribuída ao indivíduo nesta pós-modernidade. Daí que, quando se ensaia uma critica em devir ao presente, ela não possa, a meu ver, ser consequente sem ter em conta essa “integração” dos sentidos da vida – o individual, transitório, e o colectivo, de longo - prazo. E há pelo menos uma boa razão para que seja assim: é que a mudança qualitativa requer um &lt;strong&gt;desígnio comum&lt;/strong&gt;. Não necessariamente um desígnio como um destino, mas como percurso ou processo em que o que ainda–não-aconteceu e o que ainda–não– se-antecipou se confundam numa espécie de bissectriz de um ângulo oposto à diluição cultural que tem vindo a fazer da acumulação e do individual-efémero o primado do nosso paradigma, com completo desprezo pelo sentido do patrimonial e pelo bem comum como valores. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-4286302265379583102?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/4286302265379583102/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=4286302265379583102' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4286302265379583102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4286302265379583102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/07/o-que-se-deixa.html' title='O que se deixa  ...'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-3590184633491544844</id><published>2008-07-01T21:04:00.008+01:00</published><updated>2008-11-06T14:06:31.585Z</updated><title type='text'>La Civilización Petrolestética</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Os pequenos abalos sociais que têm ocorrido na sequência da escalada do preço do petróleo, trouxeram de novo à superfície a discussão já recorrente sobre a necessidade de mudanças de comportamentos para de algum modo prevenir a eventualidade de um sismo de maiores proporções.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando contacto com essas polémicas, não consigo evitar a sensação de assistir a uma junta médica convocada para uma clínica género Coporación Dermoestética, com vista a resolver a melhor forma de fazer chegar aos cem anos uma abastada paciente de oitenta e muitos que, apesar da fortuna que herdou e do aparente bom aspecto que as várias cirurgias plásticas ainda lhe asseguram, está há décadas ligada a tudo quanto é equipamento artificial de suporte de vida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em consequência, além do uso metódico da infinita panóplia técnica disponível, propõem-se ainda à “paciente civilização” algumas mudanças de comportamentos. Tipo consumo da comida sem sal e deixar de fumar. Útil ? Sim, eventualmente. Mas, no limite, mudando comportamentos sem alterar contextos, tudo o que se consegue é adiar o fim, possivelmente na expectativa de que entretanto ocorra a descoberta do elixir da eterna energia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De facto, quando as cátedras regimentais do capitalismo liberal sobem ao púlpito para anunciar à plebe a necessidade de mudar comportamentos, é essa a ideia com que se fica: a de que “ isto até vai lá” com uns “ajustes” e sem necessidade de interferir demasiado com as comodidades conquistadas, enquanto não se chega à descoberta duma solução definitiva.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a questão há muito que deixou de ser apenas de comportamentos, pois o modo de vida associado ao paradigma que nos governa, assente nos combustíveis fósseis como fonte de energia, criou uma estrutura de uso de energia demasiado rígida para que seja possível pensar na mudança unicamente pelo lado dos seus efeitos. E é isso que os comportamentos são: efeitos que produzem efeitos. Não são causas. Ora essa estrutura de causas é sobretudo conceptual. Por isso, os comportamentos de consumo devem antes ser vistos pelo prisma das atitudes que lhes estão na origem, pois é nas predisposições culturais que o modelo civilizacional enraíza. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, não se anda de carro por mera carolice, mas porque no carro como conceito convergiram valores de mobilidade, autonomia, e status, que se têm vindo a cultivar de forma sistemática e cuja funcionalização esteve entretanto na origem do moldagem do espaço e de todas as interacções que nele se realizam. Assim, quando se sugere dar menos uso ao transporte individual e mais ao colectivo, não há dúvida de que se aponta para uma mudança de comportamento individual. Mas para que ela não seja meramente simbólica no que à economia de energia diz respeito, teria que ter uma expressão social significativa. Ora, esta está limitada por factores físicos associados à forma como culturalmente se habita. Ou seja, a atitude dominante na ocupação e uso do território, que é de matriz metropolitana, assenta nos conceitos de mobilidade como constante e de localização como variável independente, e por isso convive pacificamente com desfasamentos importantes entre os locais de trabalho e residência, como entre os de produção e os de consumo. Portanto, ainda que se concretize a pretendida "transferência modal", não são desse tipo as soluções bastantes para repor os desejáveis equilíbrios na relação pouco sábia que temos tido com a energia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que esta parte ninguém está interessado em discutir, uma vez que a submersão prolongada neste caldo de supostas facilidades fósseis em que temos vivido as últimas décadas, parece ter induzido uma inabalável crença autista na solidez do modelo civilizacional que construímos, crença essa que inexplicavelmente perdura, mesmo quando os seus crentes se deparam com os depósitos dos carros vazios e passam horas numa fila de abastecimento de arroz, à minima birra de algumas centenas de camionistas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que, ainda que não pareça, a economia real não se suporta em fluxos financeiros, mas em fluxos de bens. Ora a boa gestão dos bens não depende apenas da coerência administrativa, do bom funcionamento logístico, ou da racionalidade do uso individual subjacentes ao modo como se organizam esses fluxos. Depende antes de mais do que se entende por bem, conceito que é definido pelo sentido do seu uso. Por isso a questão central da mudança no uso de um bem é a do sentido desse uso. Na ausência de um &lt;a href="http://ferndias.blogspot.com/2008_06_01_archive.html"&gt;sentido&lt;/a&gt;, de uma sabedoria no &lt;a href="http://cyberdemocracia.blogspot.com/2008_06_01_archive.html"&gt;habitar&lt;/a&gt;, sobra apenas o que é efémero. Tal como sucederá à paciente da Corporación Dermoestética que, na ausência de um legado que projecte e dê sentido à vida que teve, irá ser recordada por ter morrido sem rugas no dia em que fazia cem anos e por nada mais !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-3590184633491544844?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/3590184633491544844/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=3590184633491544844' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3590184633491544844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3590184633491544844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/07/la-corporation-petrolesttica.html' title='La Civilización Petrolestética'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-5993840328562326028</id><published>2008-06-05T13:59:00.004+01:00</published><updated>2008-06-05T20:05:08.918+01:00</updated><title type='text'>Duas Notas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Um dos critérios economicistas que aparentemente tem presidido à concentração de inúmeros serviços públicos, de saúde ou de ensino, tem sido associado ao custo de manutenção de pequenas unidades, nomeadamente escolas e centros de saúde de reduzida afluência . As contas feitas na altura, provavelmente deram como resultado que ficava mais barato adquirir e pagar custos de operação de viaturas , ambulâncias e autocarros, que o funcionamento dos serviços nas localidades de origem. Se se mantiver a subida dos preços de combustíveis, e por inevitável arrastamento de tudo o mais que de combustíveis depende, até que ponto não se irá inverter a lógica que presidiu a este tipo de decisões? E nessa altura, quanto custará a recuperação das infra-estruturas entretanto desactivadas ? E as populações que entretanto tenham desertado por manifesto abandono, irão regressar ? E caso não regressem, reforça-se de novo os meios de combate a fogos, contratando para bombeiros inactivos quem antes era agricultor activo ? Que tipo de racionalidade é esta que decide questões de ordenamento do território, estruturantes, segundo critérios que se apoiam em lógicas conjunturais ?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecido ambientalista Macário Correia, parece ter resolvido enviar a frota da CM de Tavira, a que preside, para abastecimento a Espanha. Porque é mais barato, poupa 200 € por dia, diz. Não vou discutir a questão do ponto de vista da deontologia administrativa de uma entidade que, de repente ( e apenas pelo lado da despesa ) , se demite da pertença à administração pública. Nem tão pouco irei entrar em contabilização dos custos directos de desgaste e manutenção inevitavelmente associados aos quilómetros a mais que o expediente implica na frota (somarão apenas 200 € / dia ?! ). Mas não consigo deixar de fazer reparo ao facto de que as causas “verdes” se vendem mais baratas que as alfaces. Afinal, há ambientalistas que não se importam de trocar as toneladas de CO 2 contra as quais tanto barafustam, por uma mera oportunidade de notoriedade mediática. Nada de novo, na verdade, mas não deixa de merecer reparo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-5993840328562326028?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/5993840328562326028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=5993840328562326028' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5993840328562326028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5993840328562326028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/06/duas-notas.html' title='Duas Notas'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-5122283252638104864</id><published>2008-06-03T17:03:00.006+01:00</published><updated>2008-11-06T14:06:31.586Z</updated><title type='text'>Castelos de Leite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Havia nas montras de brinquedos da minha infância umas caixas de peças que coloriam os sonhos dos poucos meninos que ao tempo eram visitados pelo Pai Natal. Os outros, a maioria, como não constavam do livro de endereços do Lapão, não alimentavam essas veleidades e tratavam de dar uso à imaginação, reutilizando para a brincadeira desde as latas de conservas vazias às rolhas de cortiça, o que só lhes fazia bem , diga-se de passagem. Mas antes que me distraia pelo aliciante dessas pequenas histórias, deixem-me regressar ao &lt;em&gt;Lego&lt;/em&gt; . Lembram-se dele ? Óptimo , isso basta-me!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois o &lt;em&gt;Lego&lt;/em&gt; é uma metáfora que me parece adequada para reflectir sobre a economia para efeitos da conversa que me proponho, na sequência dos comentários que me deixaram ao post anterior. Isto porque, do ponto de vista da estrutura, podemos pensar na economia como um edifício de &lt;em&gt;Lego.&lt;/em&gt; Claro que entre as peças do Lego não há a interacção dinâmica que existe entre os sectores da economia. Por isso, ela não é apenas uma estrutura mas um sistema e é também nessa perspectiva que devem ser compreendidas as suas insuficiências. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, as &lt;strong&gt;insuficiências do sistema económico&lt;/strong&gt;, ou são atribuídas a problemas de &lt;strong&gt;funcionamento&lt;/strong&gt;, i.é, a disfunções nas interacções entre os seus sectores, ou a problemas de &lt;strong&gt;estrutura,&lt;/strong&gt; quer dizer, relacionados com a forma das “peças”e o modo como elas se dispõem no edifício económico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para as primeiras, as contra - medidas habituais são chamadas anti-cíclicas , como as alterações nos impostos e no preço do dinheiro. Se estas não resultarem, olha-se para as questões de estrutura. Em casos mais sérios até é possível que a economia considere a possibilidade de alterar a disposição das suas peças , ou até de trocar umas por outras ( agricultura e pescas por turismo, p.e ) . Então desmonta-se o&lt;em&gt; Lego&lt;/em&gt; e volta-se a montar tudo com uma nova disposição. Eventualmente a mudança até se revela eficaz por uns tempos. Diz-se que se conseguiram melhorias estruturais que repuseram os mecanismos de auto-regulação do mercado e passa-se directamente à apologia do capitalismo-liberal como “&lt;em&gt; o único sistema capaz de se alterar a si próprio sem mudar a sua essência”&lt;/em&gt;. Até nova crise. Que naturalmente acabará por sobrevir, pela simples razão de que essas intervenções nunca consideram sequer a possibilidade de as insuficiências reveladas pela economia poderem estar ligadas à natureza mesma do "sistema de encaixe das peças” que a compõem. Ora &lt;strong&gt;esse sistema de&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;encaixe,&lt;/strong&gt; que corresponde ao macho/fêmea do Lego, &lt;strong&gt;é a oferta/procura no mercado&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora genial como ideia, a verdade é que o mercado há muito perdeu a sua pureza virginal. Isto é, ele já não é a feira onde eu vou às sextas trocar o excesso de limões de que não preciso pelo pão que não produzo, ou as carpintarias que sei fazer pelo casaco que não tenho. No mercado, tal como o conhecemos, nem a oferta é inocente nem a procura genuína, desde que foi tomadas de assalto por dois sub-sistemas que o desvirtuam: a indução de necessidades como prática de marketing metódica e organizada, e a negociação do inexistente através da especulação financeira legitimada na actividade bolsista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na ordem vigente, mesmo que não levemos qualquer necessidade ao mercado, quando lá chegamos ele coloca à nossa disposição mil maneiras bem convincentes de nos fazer concluir que seremos muito mais felizes se adquirirmos duas embalagens de leite com sabor a morangos pelo preço de uma e se passarmos a escovar os dentes com uma escova a pilhas, heresia que ainda hoje a avó Clara não consegue de todo perdoar à neta. Daí que se regresse a casa com um cabaz de coisas estranhíssimas cuja aquisição responde a uma racionalidade postiça que o marketing alimenta. De facto, quando assumimos que “ não conseguimos imaginar a nossa dieta alimentar sem leite” , por exemplo, o que estamos a fazer é a dar consistência a uma necessidade induzida que, de tão banalizada e subliminar, adquiriu raízes culturais de tal forma sólidas que a simples tentativa de contestação roça a ofensa. No entanto, essa “necessidade” não se esgota no acto de consumo. Ela alimenta uma dinâmica que adquiriu vida e peso próprio na economia real, a &lt;strong&gt;cadeia de valor&lt;/strong&gt;, ou seja, o artifício pelo qual uma matéria prima alimentar como o leite é sucessivamente transformada a reboque de necessidades induzidas de forma a que, quando chega ao consumidor, o seu preço se multiplicou várias vezes sem que, contudo, se tenha multiplicado o seu valor alimentar. É fácil verificar a diferença muito significativa entre o preço do leite em embalagem de litro ou em três embalagens individuais de 33 cc. E fazendo as contas, percebe-se também facilmente que essa diferença é mais que proporcional aos respectivos acréscimos de custos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que a miríade de interacções que a “necessidade” de leite desencadeia, promove actividades que suportam empregos, cuja remuneração permite ao metalúrgico que galvaniza a tubagem que equipa o estábulo das vacas leiteiras consumir leite. O circuito parece perfeito e por isso se diz que gera riqueza. Mas &lt;strong&gt;gera que riqueza e a quem&lt;/strong&gt; ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qualquer economista de boa escola ficaria escandalizado com a questão. De facto, para o&lt;em&gt; status-quo&lt;/em&gt; económico, o mérito das cadeias de valor está tão assente quanto a necessidade alimentar do leite magro, e o facto de se ter tornado inquestionável funciona como a camuflagem ideal de uma realidade paralela. É que todo o dinheiro de que a cadeia carece para funcionar ou a que dá origem passa pela &lt;strong&gt;Banca.&lt;/strong&gt; Ora é a convergência na represa bancária, e não a satisfação de necessidades reais, que dá verdadeiro sentido a todos os pequenos movimentos monetários que ocorrem ao longo da cadeia de valor, porque lhes confere a &lt;strong&gt;massa crítica&lt;/strong&gt; de que o &lt;strong&gt;capital financeiro&lt;/strong&gt; acoplado à banca necessita para as suas práticas especulativas. Esta a grande perversão do mercado na modernidade capitalista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, independentemente de se ser a favor ou contra o capitalismo como sistema, talvez fosse altura de olhar para a nossa lista de compras através de uma matriz crítica que levasse em conta não apenas o factor preço mas também a real necessidade do que nos é proposto. A menos, claro, que se entenda como correcto que a fileira do leite “alimente” mais a banca e o capital especulativo que lhe está associado, que os consumidores. É que, a partir do momento em que se pensa na economia como geradora de produtos financeiros e não como estrutura de produção de bens, tornou-se irrelevante o que se produz ou o que se consome, desde que se traduza em dinheiro. E nesta medida o sistema de encaixe existente, &lt;strong&gt;o mercado&lt;/strong&gt;, funcionando segundo as regras de um acoplamento que não se questiona entre lucro como objectivo e necessidades induzidas como motor, &lt;strong&gt;alheia-se da limitação natural e do sentido ético que deveriam estar sempre associados aos recursos sobre os quais se estruturam as cadeias de valor.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ou seja, despejada a caixa de Lego sobre a mesa, nem a mesa é assim tão grande que nela consigam caber quantos jogadores o quiserem, nem as peças suficientes para que cada um dos que obtém lugar consiga construir sobre ela o castelo dos seus sonhos. E o mercado até sabe disso! Daí que dê a maior importância aos iogurtes com sabor a banana, pois é essa a condição para que uns quantos, embora já crescidos, continuem a construir alegremente os seus castelos de Lego, enquanto os outros fazem o que podem com as embalagens vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gostava de ilustrar este post com um trabalho de BD da autoria de Jörg Müller. Na impossibilidade, deixo a recomendação: "&lt;em&gt;Der Stanhafte Zinnsoldat&lt;/em&gt;” ou, como se diz em português, “ O Soldadinho de Chumbo”, mas não conheço nenhuma edição em português. No entanto, como o livro não tem legendas, é fácil de ser lido mesmo por quem não sabe alemão, como é o meu caso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-5122283252638104864?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/5122283252638104864/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=5122283252638104864' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5122283252638104864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5122283252638104864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/06/castelos-de-leite.html' title='Castelos de Leite'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-6400365815291090433</id><published>2008-05-27T20:54:00.003+01:00</published><updated>2008-11-06T14:06:31.587Z</updated><title type='text'>Sai um magro para a mesa onze!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Cada vez que encaro com uma televisão, apanho um susto !&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;O último foi quando um senhor vestido de engenheiro agrónomo em dia de saída de campo, garantia no pequeno ecrã, posando num cenário de Hollywood, que uma vaca de uma marca qualquer dava um &lt;strong&gt;leite magro natural.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Corri para casa a limpar o pó aos desusados manuais de vacas leiteiras para recapitular essa capacidade que em devido tempo me teria passado completamente ao lado. Mas como os ditos já têm uns bons anos fiquei sem a dúvida esclarecida ! Seria uma vaca moderna, modelo OGM ? E neste caso seria uma vaca especializada em leite magro ou um protótipo ainda mais avançado, capaz de dar leite magro numa teta, leite com chocolate na outra, da terceira iogurte líquido e da última leite com sumos e enriquecido a vitaminas ?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;A vaca do cenário da televisão até pastava, imagine-se ! Supus por isso que nesse aspecto fosse um &lt;em&gt;up-grade&lt;/em&gt; das vacas leiteiras que eu julgava conhecer, para quem a necessidade incontornável que têm de um bocadinho de erva e ginástica era a maior dor de cabeça dos respectivos nutricionistas e proprietários. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Explico!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;As vacas foram feitas com uma característica que a fileira de lacticínios da modernidade bem dispensava: são ruminantes. Para que aquela imensa parte de estômago da vaca a que se chama rúmen funcione, precisa de fibras longas, ou seja, qualquer pedaço de erva verde ou seca com mais de dois centímetros de comprimento. E não são apenas meia dúzia de troços mas uma quantidade relativamente significativa a que alguém se lembrou de designar pelo palavrão de “coeficiente de balastro” e que se refere exactamente à quantidade mínima de fibra que é necessária na ração. O balastro faz-se com palha, por exemplo. Palha que é preciso transportar, armazenar, enfim, uma trabalheira, porque afinal a palha não tem valor nutritivo bastante para fazer leite que se veja. Isso é trabalho para os "concentrados", isto é, misturas de cereais, oleaginosas, sub-produtos vegetais vários e outros como as farinhas de sangue, carne e peixe, antibióticos e gorduras &lt;em&gt;by-pass&lt;/em&gt;, mistelas que uma vaca que preze a sua produtividade não prescinde e dos quais consome no mínimo uns seis quilitos diários. Mas além disto, as vacas precisam ainda de um mínimo de ginástica para não entrevarem precocemente. Outra chatice, sobretudo para quem as instala em autênticos prédios de andares como já vi em São Paulo e em fotos obtidas no Japão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Ora como é evidente, de natural estas dinâmicas têm tanto como o tem a estupidez que nos leva a trocar por leite alimentos que também utilizamos sem qualquer ganho alimentar no processo! Mas o caso é que com todo o poder de comunicação que tem que lhe ser reconhecido, a publicidade tem vindo a produzir uma interminável e fluorescente repintura verde de toda a fileira alimentar. E com sólidos resultados na opinião pública informada, cuja boa formação teórica nem sempre consegue ultrapassar os “truques “ tecnológicos subjacentes à alimentação natural que procura e que paga principescamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;O caso do leite “naturalmente” magro é um desses magníficos truques.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;A fileira dos lacticínios é, nos dias que correm, uma actividade industrial da nascente à foz, com uma utilidade relativa mais que discutível. O mito da imprescindibilidade do leite da vaca na roda dos alimentos é algo que devia estar sob a alçada criminal. Fala-se do cálcio no leite como se nós não o conseguíssemos ir buscar às couves, tal como a vaca o vai buscar às ervas. Fala-se na proteína como se a que serve para a vaca dar leite não nos servisse com considerável economia. E como se tudo não bastasse, quer-se fazer passar a ideia de que a vaca…produz leite &lt;em&gt;à la carte&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;- Sai um magro para a mesa onze!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Mas não sai! Ainda não há vacas dessas, só das outras. E estas são peças de uma cadeia de montagem que se alimenta de petróleo para nos dar a ilusão de que nos alimentamos de leite. Desde a sementeira do milho para silagem até à desnatagem, a produção de leite é tão natural que até o sexo com touros é proibido às vacas. À vaca leiteira só é permitido uma espécie de sexo com um homem: o inseminador. E mesmo isso porque sem partos elas não dão leite, pelo que, mesmo que os vitelos nunca lhes chupem uma única teta, têm que os parir. E esta deve ser das poucas partes biológicas da produção leiteira moderna. Porque o que se segue na cadeia de transformação de "bio" tem apenas o facto de a pasteurização ou a ultra-pasteurização matarem a maior parte da flora microbiana presente naturalmente no leite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-6400365815291090433?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/6400365815291090433/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=6400365815291090433' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/6400365815291090433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/6400365815291090433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/05/sai-um-magro-para-mesa-onze.html' title='Sai um magro para a mesa onze!'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-3050545219456984803</id><published>2008-05-27T11:23:00.003+01:00</published><updated>2008-11-06T14:05:14.704Z</updated><title type='text'>A Fisga</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Neste espaço tenho tentado partilhar, com quem tem tido a paciência de me ler, a minha intuição de que muitos dos ciclos viciosos que afectam os nossos quotidianos,  têm mais a ver com as limitações que são inerentes à nossa percepção do que nos rodeia e às respostas ideológicas com que o explicamos, que com outra questão qualquer. Mas há inequivocamente &lt;/span&gt;&lt;a href="http://ferndias.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;quem &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;o consiga muito melhor do que eu, pelo que só posso recomendar muito vivamente a sua leitura atenta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-3050545219456984803?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/3050545219456984803/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=3050545219456984803' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3050545219456984803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3050545219456984803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/05/fisga.html' title='A Fisga'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-8371211499809553528</id><published>2008-05-24T12:54:00.004+01:00</published><updated>2008-11-06T14:05:50.531Z</updated><title type='text'>O Paradoxo Tecnológico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;… como travar/abrandar o vórtice tecnológico, sem ser por demérito? Ou&lt;br /&gt;seja, sem obstruir a razão infinita do Homem? Porque a "vida campesina" é uma falácia - a cidade é um fenómeno da natureza, porquanto nós somos da natureza.…Mas essa compreensão é fulcral: a tecnologia ameaçando a natureza, ameaça o nosso modo de ser originário, destitui-nos de memória e de sentido.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Pertinentes questões da multicolor e esvoaçante Papillon que me remetem para algumas considerações sobre o que julgo um preconceito ( tramado ) no pensamento da modernidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Arriscava dizer que ele se apoia no seguinte tripé:&lt;br /&gt;1. O entendimento do processo tecnológico como deriva unidireccional, ou seja, o progresso só poderia ter decorrido na direcção que tomou.&lt;br /&gt;2. A "vida campesina" como paradigma de regressão, isto é, usada como símbolo de romantismo saloio, a ruralidade é pensada como antónima de progresso.&lt;br /&gt;3. A cidade como complexo necessariamente metropolitano e, aí sim, símbolo de progresso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou seja e em síntese, o progresso concebe-se enquadrado numa moldura da razão que o apresenta em grossas pinceladas de determinismo técnico e científico, sobre uma base de negação da ruralidade e tendo na metrópole elemento central da composição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para já tentarei desmontar o primeiro quadro deste tríptico – &lt;strong&gt;o tecnológico&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deve haver por aí óptimas definições para tecnologia. Vou usar apenas a noção que dela tenho: &lt;strong&gt;complemento da inteligência na interacção com o meio, instrumentalização da conflitualidade que é inerente a essa interacção. &lt;/strong&gt;Não me refiro à instrumentalização apenas no sentido mecânico, pois deixo espaço para as ferramentas de raciocínio como a matemática, capazes de abrir espaço a leituras do mundo como a lógica. Mas qualquer destes instrumentos tem um objectivo comum declarado:&lt;strong&gt; facilitar&lt;/strong&gt;, i.é, descolar de condicionalismos de labuta sistemática para resolver as questões elementares, tornar mais efectivo o trabalho, ganhar tempo. Desde a roda ao micro-ondas, é isso que a tecnologia nos proporciona: respostas a &lt;strong&gt;necessidades.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas é aqui que a coisa patina. Nas necessidades. Porque estas não podem ser tidas como alheias à condição cultural. As necessidades básicas, ou seja, as do comer, abrigar e reproduzir, quase instintivas, não são do mesmo tipo das restantes, as culturais, que, embora elaboradas a partir das primeiras, sofisticaram-se a um ponto que se autonomizaram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vamos a ver se não me deixo colher nesta faena.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma que a necessidade de nos alimentarmos não é independente do que concebemos por comida, entre a necessidade de nos deslocarmos e a de o fazer de carro, também existe uma diferença que vai além da sofisticação da resposta. É que hoje dificilmente se dissocia mobilidade de automóvel. Pensa-se "carro" como se pensa "pão", produto final de um processo de reposta a uma necessidade antiga. E chega-se ao ponto de interiorizar culturalmente que a sofisticação da necessidade de nos deslocarmos só poderia ter tido no carro a única solução possível. Por isso olhamos para o processo tecnológica que lhe deu origem como algo de inevitável ou de predestinado, com uma trajectória própria e incontornável, como se tivesse sido escrito nas estrelas que um dia o motor de combustão interna iria encontrar-se com a roda e…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora é exactamente esta acepção inevitável de progresso (tecnológico) que gostaria de questionar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desde logo porque se auto-valoriza, isto é, não se limita a considerar-se como &lt;strong&gt;processo&lt;/strong&gt; para logo acrescentar que é um processo especifico, um processo para o &lt;strong&gt;bem&lt;/strong&gt;, e por isso um &lt;strong&gt;progresso.&lt;/strong&gt; Mas este acto de racionalização do que pertence ao bem ou ao mal, não é independente do agente que o promove e das suas crenças: a comunidade e a sua &lt;strong&gt;cultura.&lt;/strong&gt; Nessa medida há nos processos ditos de progresso uma carga ideológica inevitável. Além disso, a problematização da necessidade não se constrói fora do que é possível, ou seja, ela não pode ser tida por absoluta. A necessidade de nos alimentarmos não quer dizer “pão”. Mas é a existência da entidade “pão”, que abre caminho à necessidade de uma sandes. Da mesma forma é a possibilidade de viajar de ida e volta de Lisboa ao Algarve no mesmo dia, que torna esse evento equacionável. A partir daí a necessidade de o fazer auto-reproduz-se mediante a frequência do uso, a tal ponto que a eventualidade de ir de véspera e usar o transporte público passa a ser marginal quando entram na equação outras necessidades entretanto induzidas, como a facilidade de movimentos e o conforto que o automóvel proporciona. Estas, são ambas valorizadas como bens mas, tal como a primeira, também elas súbditas dos mesmos pressupostos de racionalização que estão na sua origem. Ou seja, quando as necessidades se transformam em &lt;strong&gt;valores&lt;/strong&gt; elas tendem a auto-justificar-se na finalidade a que respeitam e adquirem uma espécie de imunidade ao raciocínio critico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nessa medida o carro como conceito é um bom exemplo. Não apenas de um concentrado tecnológico que incorpora necessidades induzidas alheias a critérios éticos. Mas também de estereótipo da inversão dos valores que deveriam estar por detrás dos processos tecnológicos, pois a partir do momento em que a vida se pensa, projecta e vive em função do carro, instala-se um paradoxo tecnológico: afinal, quem é instrumento de quem ? Ou a tecnologia não é apenas meio mas finalidade em si mesma e por isso o sentido da vida pode resumir-se no carro ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora a nossa interacção com o ambiente está inquinada deste tipo de raciocínios circulares. A tecnocracia instalada na governação e a educação tecnocrática encarregam-se de nos incutir como necessário um pacote tecnológico cuja eventual contestação raia a heresia. Essa leitura determinista da história que nos leva a olhar para os processos tecnológicos conhecidos como se eles fossem desde sempre a única via possível, constitui um sério obstáculo ao desenvolvimento. É que instala um preconceito dicotómico que bloqueia a discussão entre ser-se a favor ou contra o progresso - este progresso - como se não existisse outro progresso possível, e é nessa medida que nos destitui “&lt;em&gt;de memória e de sentido&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-8371211499809553528?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/8371211499809553528/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=8371211499809553528' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8371211499809553528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8371211499809553528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/05/o-paradoxo-tecnolgico.html' title='O Paradoxo Tecnológico'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-3151185782950904046</id><published>2008-05-18T15:53:00.009+01:00</published><updated>2008-11-06T14:06:31.588Z</updated><title type='text'>Coeficiente de Caganço</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Qualquer discurso de concorrente a Misse de qualquer coisa, tem nos votos de paz, liberdade, direitos das crianças, fim da pobreza e da fome, os seus lugares comuns de eleição. Magníficas utopias que, de resto, na sua mediania habitual, os discursos da política institucional raramente ultrapassam na sua retórica pelo mesmo tipo de banalidades com que as Misses enredam o pensamento em círculos intermináveis. Mas não respondem à questão subjacente, cuja pertinência até preocupa ilustres&lt;a href="http://outramargem-alf.blogspot.com/"&gt; ET’s&lt;/a&gt;: &lt;em&gt;“… quanta vida suporta a Terra e em que condições?Por agora, estamos a suportar a população com os combustíveis fósseis; estes não são infinitos e podemos deparar-nos de repente com várias vezes a população que a energia que recebemos do Sol pode sustentar.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A dúvida não é nova. Há séculos que hordas de futuristas, nem sempre malthusianos, se dedicam a periódicos assaltos aos mistérios do futuro. Hoje, à cabeça desses novos exércitos, temos a mui respeitável e multicultural ONU . Diferentes épocas, novos &lt;em&gt;sponsors&lt;/em&gt; e equipamento topo de gama, mas a estratégia de sempre para abordar o tema. Basicamente, continuamos a partir de um paradigma, inventariam-se os recursos , atribui-se uma ponderação à tecnologia disponível, estimam-se produtividades, inventa-se um coeficiente de caganço e, consoante os interesses do patrocinador ou a tese pré - formatada do autor, assim o resultado final. Nestes, encontram-se números para todos os gostos. E para afirmar isto não é preciso que se subentenda que estou a pôr em causa a seriedade de quem o faz. Não é isso. O que se passa é que a realidade global não se rege pelas mesmas premissas das suas variantes locais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta discrepância entre realidades tem a ver (1) com a multiplicidade e variabilidade dos factores que interferem na dinâmica das populações e na geração de recursos que utilizam, (2) com as metodologias e os instrumentos de análise disponíveis para a sua representação, e (3) com os pressupostos de gestão subjacentes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vejamos se consigo explicar porquê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há várias razões para que seja incontrolável ( no sentido em que escapa à compreensão exacta ) a dinâmica das populações em interacção ecológica à escala global. Mas aquela que a meu ver é a mais importante tem a ver com o comportamento característico dos grandes números que estão envolvidos. É que, na grande escala, a necessidade de traduzir a realidade por indicadores para a compreender, reduz a variáveis aleatórias a essência do que se pretende representar. Aleatórias porque as medidas de tendência central, sejam médias, medianas ou normas, reduzem necessariamente os limites ( distribuição ) do universo em estudo a uma identidade fictícia que tem um valor indicativo mas não é medida de governabilidade de grande escala. Um desvio de 1% de qualquer coisa cujo universo é da ordem da potência de milhão significa milhares de mortos de fome ou mega toneladas de alimentos deitadas ao mar. Ou seja, embora quatro seja o dobro de dois, o dobro de duzentos milhões não “é só” quatrocentos milhões. Quer isto dizer que a facilidade com que o&lt;em&gt; gnocchi al tuno&lt;/em&gt; previsto para o jantar a dois desenrasca também o jantar do casal de amigos que inesperadamente apareceu de visita, não tem nada a ver com as implicações logísticas duma eventual redistribuição por quatrocentos milhões do que aparenta ser bastante para duzentos milhões. As regras da proporcionalidade vacilam e os métodos de representação estatística claudicam perante a natureza não linear do real complexo em grande escala. E os valores preditivos que se procuram, mesmo quando se apoiam em dados aparentemente fiáveis, não resistem a um auditoria que inclua uma estimativa da incerteza a eles associada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A este comportamento atípico da realidade associam-se as razões de composição do universo em estudo. O Mundo não é uma entidade uniforme onde os condicionalismos de localização possam ser descartados por irrelevantes, pois um todo em interacção dinâmica nunca é igual ao mero somatório das suas partes que não são estáticas. Apesar das derivas em sentido contrário, continuamos subordinados à preponderância da casualidade (geográfica, por exemplo) em relação à técnica. Por isso a gestão do Mundo não pode ser vista como a gestão de uma grande empresa. Mas há ainda outra razão para isso. É que o Mundo não é uma comunidade de interesses. A territorialidade e a conflitualidade a ela associada são variáveis determinantes deste jogo da Vida . Em face delas, os concretos sociais contratualizados são válidos mas apenas enquanto não se confrontam em condições extremas. Nessas, todas as regras se alteram e ignorar isso é negar a memória da História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da impossibilidade de construir um polinómio credível para solucionar a questão “quantos cabem”, decorre a minha convicção de que ela não tem resposta útil em contexto de ecologia humana, pelo que qualquer exercício que se faça nesse sentido redundará sempre num produto de academismo redutor, ultrapassado a cada instante por um devir que não se controla.&lt;br /&gt;Mas estas derivas peregrinas pela tentativa de tentar controlar o incontrolável encerram em si perigos complexos. Um deles é o de remeter para uma burocracia global ( mercado do carbono, p.e.) que, ao tentar estabelecer-se, instala um tipo de racionalização necessariamente simplificadora. Como simplificar o real implica reduzir-lhe a variabilidade, logo a diversidade, essa deriva também nos torna mais susceptíveis à imprevisibilidade do futuro, pois a diversidade é recurso em si mesma, como bem viu o &lt;em&gt;&lt;a href="http://outramargem-alf.blogspot.com/"&gt;alien&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; dos oito estômagos quando nos fez saber entre visitas ao frigorifico da casa onde se acolhe que &lt;em&gt;“ a nossa sobrevivência está de novo dependente de coisas que não controlamos. Quando a produção de alimentos era diversificada, um azar num lado podia ser compensado por outro. Mas com a centralização e a produção em grande escala, a escala dos "azares" passou a ser outra porque perdeu-se diversidade - diversidade de espécies cultivadas, diversidade de locais de cultivo…”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portanto, mais que na dificuldade ou na diversidade de respostas possíveis, o problema de “quantos cabem “ está nos pressupostos da pergunta. Isto porque perante a complexidade da organização do algoritmo da resposta, ela seria sempre o resultado de todas as simplificações inevitáveis, indutoras de ilacções &lt;em&gt;à-la-Palisse&lt;/em&gt; do tipo das que nos fornecem alguns neo-malthusianos como os nobilitados Gore &amp;amp; IPPCC: o clima não é constante! Pois! Brilhante novidade !!! O mesmo se passa com a capacidade de carga, que também não é constante, variando desde logo ( e muito ) com o clima, por exemplo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então a pergunta não faz sentido? Faz, mas não à escala global. É nas sinergias de proximidade de matriz regional de pequena e média escala que temos de procurar as faixas de tolerância dos ecossistemas em que a vida se pode reproduzir com alguma continuidade. É nessa escala que a variância das estimativas de incerteza se torna aceitável e é ainda ela que torna exequíveis princípios de precaução elementares. Um deles e de grande importância é a autonomia energética e tudo o que ela implica. Não, não é de gasolina para ir ao cinema e à praia que falo, mas de calorias, i.é, energia metabólica, quero dizer, comida, ou seja, aquilo sem o que não funcionamos e ponto final.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-3151185782950904046?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/3151185782950904046/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=3151185782950904046' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3151185782950904046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3151185782950904046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/05/coeficiente-de-cagano.html' title='Coeficiente de Caganço'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-8143859902546281336</id><published>2008-05-16T13:36:00.002+01:00</published><updated>2008-11-06T14:01:38.230Z</updated><title type='text'>"Apenas" dois por cento !</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Sexta Feira, 15 Maio, 23 horas. Havia  um televisor ligado e a palavra “biocombustiveis” chama-me a atenção. Em redor de uma mesa de um estúdio da RTP 2,  três engravatados discutiam a  “economia” da questão na perspectiva da concorrência com a produção de alimentos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vi tudo para poder contar. Dava matéria para várias teses e  inúmeros posts, mas fico  por um breve comentário a uma afirmação que foi feita com o intuito confessado  de “desmistificar” essa "ideia de competição entre produção de cereais ( dieta de base alimentar ) e os biocombustiveis", que é o que cabe neste compasso de espera em que me encontro. Disse-se : " … &lt;strong&gt;apenas dois por cento das terras aráveis têm esse tipo ( biocombustiveis )de ocupação”.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Que sugestões para uma leitura critica desta informação?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Procuremo-las.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que são “terras aráveis “ ? A totalidade das áreas vocacionadas para produtos agrícolas, incluindo nelas pomares, vinhas, culturas não alimentares permanentes ? Como no meio de vinhas não se semeia trigo, e para que tivéssemos uma ideia mais precisa daquilo que estamos a discutir,  talvez não fosse má ideia ter dito qual a percentagem de terras com vocação para a produção de cereais  que tem sido hipotecada aos biocombustiveis, em lugar de usar como termo de comparação a totalidade de terras com qualquer tipo de vocação agrícola. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E para que a a leitura fosse ainda mais correcta, não seria despropositado pedir que o arroz não entrasse nestes cálculos, uma vez que por razões de tolerância climática e ao encharcamento, o arroz não se pode considerar concorrente arvense ( genérico deste tipo de cultivos anuais em extensão ) do trigo ou do milho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Feitos estes acertos continuaríamos a falar de dois por cento ? Talvez não. Mas suponhamos que sim,  para não complicar a vida ao jornalista de serviço que até dá uns toques na bola económica mas que revelou fraco jogo de cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Explico-me com um  exemplo do nosso Alentejo e um número redondo para a respectiva Superfície Agrícola Útil (SAU)  com alguma capacidade arvense: 1 milhão de hectares.  Dois por cento disto seriam apenas 20.000 ha, certo ?  Mas 20.000 ha,  onde ? Nos solos delgados do Campo Branco  ou nos barros negros de Ferreira ? É que,  se nos primeiros  uma produção média de 1,5 t / ha de trigo se considera uma boa performance, em Ferreira,  menos de 5 t /ha não é um bom resultado! Ou seja,  na mesma área,  Ferreira produz no mínimo o triplo da produção máxima do Campo Branco. Dito de outra forma: 2% da SAU do Alentejo nos barros de Ferreira, não produziriam  dois, mas seis por cento do  trigo regional. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se sairmos da micro escala do Alentejo para a escala global, convém que se saiba que a produtividade média do trigo na bacia de Paris ronda as 10 t /ha . E que se localizarmos 2% das tais “terras aráveis” no delta do Mississipi / Missouri ( os melhores solos do Mundo no melhor clima agrícola do Mundo  para o milho, p.e. ) eles bastam para abastecer a totalidade das necessidades de milho de África inteira!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As coisas que se conseguem esconder por debaixo de uma “inofensiva” percentagem!!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-8143859902546281336?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/8143859902546281336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=8143859902546281336' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8143859902546281336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8143859902546281336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/05/apenas-dois-por-cento.html' title='&quot;Apenas&quot; dois por cento !'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-5145340287209599071</id><published>2008-05-12T15:38:00.004+01:00</published><updated>2008-11-06T14:05:50.532Z</updated><title type='text'>A Varinha Mágica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Há dias a varinha mágica que costumava fazer serviço na cozinha cá de casa, parou. Embora nova, a geringonça recusou peremptoriamente triturar a sopa. E esta manhã, sobre a bancada da oficina, resolvi-me autopsiar os mistérios daquela morte súbita na expectativa de uma fácil ressurreição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o caso é que ao contrário do que sucedia com o &lt;em&gt;passe-vite&lt;/em&gt; da avó Clara, utensílio mecânico de idêntica finalidade, tracção manual e fácil acesso, o motor eléctrico da VM está encarcerado num corpo plástico blindado e por isso inacessível não só aos seus segredos constitutivos, como à mais simples intervenção eléctrica, uma vez que ainda que se saiba soldar um reles condutor desligado, não se chega lá sem escaqueirar o electrodoméstico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora a nossa relação cultural com a civilização em que vivemos é em tudo idêntica a esta situação. Quando avançamos de uma forma inusitadamente rápida da idade do &lt;em&gt;passe-vite&lt;/em&gt; para a da varinha mágica, passamos a interagir com uma série de dinâmicas que sabemos usar enquanto operadores mas cujo concepção nos escapa. Não os internalizamos ao nível da compreensão e provavelmente nem o conseguiríamos . É assim na culinária como na economia, na educação, na saúde, nas telecomunicações. Vivemos num mundo de magias cujos truques usamos, sim, mas ignorando como se realizam, informação essa que de resto só está acessível aos que a detêm e usam como instrumento de poder. As sementes híbridas de elevada produtividade de milho ou de trigo, p.e., são patentes detidas pelas grandes corporações da agro-industria e não propriedade da agricultura que delas depende e nós dela para nos alimentarmos. Mas o caso é que assim deslumbrados pelas infinitas habilidades de tantos brinquedos disponíveis, esquecemos este ponto essencial: &lt;strong&gt;perdemos o controlo cultural do modelo,&lt;/strong&gt; ou seja, da nossa própria vida colectiva e pessoal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A incompreensão dos mecanismos que nos sustentam como civilização e a dificuldade de acesso à informação que os produz, constitui uma &lt;strong&gt;dupla dependência, &lt;/strong&gt;porque nos subordina ao &lt;strong&gt;domínio do conhecimento especializado&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;e à correcta articulação da miríade de instituições que o operam.&lt;/strong&gt; Mas vai mais longe que isso. È também uma regressão cultural e não progresso, porque produz &lt;strong&gt;comunidades não autónomas&lt;/strong&gt;. A esse processo de perda de autonomia gosto de chamar &lt;strong&gt;desintegração da cultura&lt;/strong&gt; e é terreno propicio à sementeira de misérias várias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No ocidente esse tipo de miséria que resulta da confusão que se faz entre dependência e interdependência, ainda é mal percebida. Mas noutros territórios já são evidentes os seus sinais concretos quando povos despojados da memória funcional da sua cultura incorporaram sonhos alheios, criando assim novas fragilidades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era importante percebermos como isso foi possível. Por duas razões, pelo menos. Desde logo para evitar que as tentativas de saldo de dividas de má consciência contribuam para avolumar o problema e não para a solução. Depois para, eventualmente, nos evitar a nós mesmos ocidentais um percurso semelhante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Procuremos na construção na personalidade do individuo uma metáfora de suporte para entender a cultura e a natureza da sua desintegração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há condicionalismos prévios à personalidade. De género, por exemplo. Nasce-se homem ou mulher, e isso “enquadra” alguns dos nossos desempenhos. Na cultura, esse papel de género é desempenhado pela geografia e só depois pela história. Portanto, tal como a personalidade não se elabora inteiramente sobre um espaço em branco, a cultura também não se constrói senão em redor de balizas concretas. Ela não é um caldo identitário que se escolha &lt;em&gt;à la carte&lt;/em&gt;! Tal como a criança se formata primeiro na moldura do meio familiar em que nasce antes de alargar o seu espaço à comunidade, também a cultura se estabelece na interacção da comunidade na moldura geográfica e histórica em que se insere. Por isso a cultura cria ambiente, que é a viabilização cultural da Vida, e por isso se modifica nas interacções de causa efeito da sua própria dinâmica.&lt;br /&gt;Ora, tal como a estabilidade da personalidade carece de relações estruturais fortes, a estabilidade da cultura precisa de princípios de interacção reprodutíveis apoiados em sistemas sustentáveis. Antes de mais esses princípios têm de ser capazes de dar resposta organizada às estratégias de subsistência . Eles assentam num processo longo de observação, recolha e tratamento de informação. Dele resultam conhecimentos de base regional que se consolidam em saberes. Nos casos das culturas de civilizações de sucesso, estes são conjuntos coerentes de resposta a circunstâncias especificas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vamos dar ênfase a esta ideia de &lt;strong&gt;coerência&lt;/strong&gt; como algo mais que ligação de componentes mecânicas que produzem correctamente um trabalho previamente determinado, e pensemo-la antes como “alma” que opera órgãos interdependentes que se modificam a si e ao produto durante o processo em que o produzem. Porque tal como o corpo, também a cultura não se divide em cabeça, tronco e membros – compõe-se deles. Vivemos dessa integridade funcional de peças que não são cambiáveis. E nessa medida uma prótese num corpo é como um corpo estranho numa cultura. Eventualmente adapta-se, mas num registo de funcionalidade diferente cujas performances são imprevisíveis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A desintegração cultural decorre por processos semelhantes, como resultado de “amputações” nem sempre acidentais eventualmente seguidas de “próteses” que modificam a orgânica instituída sem que com isso se crie necessariamente uma nova coerência.&lt;br /&gt;Um paradigma pode ter esse papel de "prótese", como sonho substituto mas deslocado, porque falta à cultura o saber realizá-lo. Porque um paradigma coerente é sonho apoiado em memória consolidada em saberes capazes de salvaguardar as questões essenciais, como o controlo da produção local de alimentos. Quando o mundo rural afegão ou colombiano optou pelo cultivo do ópio ou da coca em detrimento da produção alimentar, arrancou as suas raízes autonómicas procurando no dinheiro a mediação para um paradigma que não lhes pertence. Com isso descartaram uma herança cultural e os respectivos meios e mecanismos internos de reprodução e progresso. Igual caminho se segue por aqui, quando se olha para o Alentejo como posto de abastecimento de biodiesel. Este “deixar de depender de si” encerra o corte com um fio condutor que não se repara no recurso aos manuais de agronomia, porque o que lá se encontra é mero manual de instruções para operar com “varinhas mágicas”blindadas. E é essa a miséria da desintegração cultural.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-5145340287209599071?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/5145340287209599071/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=5145340287209599071' title='79 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5145340287209599071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5145340287209599071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/05/varinha-mgica.html' title='A Varinha Mágica'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>79</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-431185639567262522</id><published>2008-05-01T23:36:00.006+01:00</published><updated>2008-11-06T14:05:50.534Z</updated><title type='text'>Idade da Razão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Finalmente um tempinho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;As visitas em circuitos que me dispensam, a casa arrumada e é tempo de repor a ordem na horta. As chuvas de Abril deram coragem às ervas e elas querem tomar conta do campo. Chamo as ovelhas para tratar do assunto, mas há que ficar ali marcando a fronteira com o talhão de grão-de-bico. Caderno e caneta que estas são ovelhas educadas, dispensam cajado, e enquanto elas roçam proponho-me eu, na fronteira, desbravar a encomenda do &lt;a href="http://cyberdemocracia.blogspot.com/2008/04/notas-sobre-biofilosofia.html"&gt;Francisco.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Pensar o ambiente como categoria filosófica exige a introdução da analítica da finitude: a morte como acontecimento certo, e a reformulação da educação tendo em vista a morte”. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Questões delicadas. Interpelo a Estrela pedindo-lhe ajuda. Ela retraça compassadamente troços de viçosa luzerna e entre dentadas contempla-me com a expressão de quem não tem dúvidas sobre estas matérias. Finitude foi o ano passado quando a Gulosa, a companheira favorita de pastoreios, não resistiu à indigestão de uma erva ruim; finitude foi o borrego que lhe nasceu morto na sequência de uma imprevista apresentação pélvica. A Estrela sente-se disso nos seus afectos. São dias e dias em que se trata mal e anda balindo pelas cercas. Mas a vida é isso. Faz-se de pequenas mortes. Não é um acontecimento, mas uma sucessão deles, em que interacções diversas desempenham papéis raramente previsíveis. De alguma forma, como solução dessas matrizes complexas, cada vida acrescenta algo às anteriores, e nesse processo não linear modifica as condições de Vida das seguintes. Desse encadeamento biogeoquímico resulta uma eternidade relativa de conjunto que deve ser lida como produto da transitoriedade dos elementos que o compõem. Estes são elos de cadeias múltiplas que se fazem, desfazem e refazem em pequenos finitos de um infinito maior. A natureza, tal como a boa ecologia e a Estrela a entendem, convive naturalmente com essas dinâmicas conflituais. Mas a humanidade não. Somos propensos a negar a morte. &lt;strong&gt;Mas as soluções de negação da morte em que temos investido acarretam consigo um tipo de conflitualidade com a Vida que se tem apoiado no relativismo ético para nos conduzir por um percurso a que chamamos progresso mas que se está a revelar um autêntico pesadelo ambiental. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Chegados a este ponto importa centrar o discurso no percurso civilizacional do Ocidente. Não que outras civilizações não tenham também elas a seu tempo enveredado por processos insustentáveis e dessas derivas colhido o seu declínio. Mas porque é esta a nossa, e porque pela primeira vez na História existe um fio condutor global moldado por um só paradigma, aquele que o Ocidente construiu quando transferiu o objecto da sua fé do reino dos Deuses para o condado da ciência, e decretou o inicio da Idade da Razão. É nela que se tem apoiado a concretização de uma dupla reivindicação tão antiga como o tempo: &lt;strong&gt;mais e melhor vida. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Mas entretanto, a secularização das ideologias religiosas trouxe também para as praças dos nossos centros comerciais uma mudança de perspectiva. Deixamos de adiar a felicidade para o além - vida de onde não há registo de regressos e de uma forma muito pragmática procurámo-la no horizonte imediato do tempo concreto de cada indivíduo. É o &lt;em&gt;carpen diem&lt;/em&gt;. Há quem o diga como uma espécie de rendição perante a impossibilidade de forçar a vida quantitativa para além de certos limites, um género de troca simbólica de quantidade de tempo por quantidade de vivências ou a incapacidade de conceber um sentido. Adiante ! Porque qualquer que seja, a explicação é hedonista, e a prática coloca a tónica num materialismo inegociável que tem no acesso ilimitado ao consumo a sua reivindicação central. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que já não se pode escamotear é que esta dinâmica em que temos estado empenhados tem duas consequências. Por um lado, coloca sob &lt;strong&gt;intensa pressão os recursos&lt;/strong&gt; e, decorrendo das incontornáveis limitações destes, é &lt;strong&gt;assimétrica por condição&lt;/strong&gt;, i.é, ao &lt;em&gt;carpen diem&lt;/em&gt; de uns corresponde mais cedo ou mais tarde o carpir de outros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não vale a pena repisarmos abordagens já realizadas sobre o onde, quando e como de cada uma destas derivas, porque não é esse o ponto. O ponto é que nesta fuga para a frente empreendida pela modernidade para condicionarmos a morte ou para nos distrairmos dela, enquanto invocamos a salvaguarda da vida como valor, caímos na contradição de pôr em causa a própria Vida, algo nada óbvio mas que importa reflectir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porque a verdade é que em prol da vida humana a modernidade conseguiu performances assinaláveis. Em menos de um século fomos capazes de passar do modelo T da Ford ao Ferrari F40, e das sangrias aos transplantes cardíacos. Desempenhos impressionantes cuja persistente apologia tende a escamotear o que não conseguimos resolver. Mas o caso é que da mesmo forma que os bólides de Maranelo não simbolizam mais e melhor transporte, também um transplante de órgão não simboliza mais e melhor saúde. Eles são, isso sim, símbolos da genialidade do homem quando lida com recursos ilimitados. Desde a agricultura à medicina, todos os progressos obtidos no confronto vida/morte estão apoiados neste género de simbolismos de valor, em que desempenhos de ponta ilustram capacidades de espanto, sim, mas impossíveis de generalizar. E porquê ? Simples: incompatível com a relação existente entre recursos e população !&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou seja, sonhar ser rico é fácil. Sonhar com uma vida longa e saudável graças aos avanços da ciência e da técnica, também não é difícil. Mas esses avanços materializam-se com recursos concretos, limitados, pelo que a concretização do sonho implica a apropriação e uso assimétrico desses recursos, considerando que é enorme o valor do divisor. E não ficamos por aqui. É que a expansão, mesmo que limitada, das riquezas que usufruímos sob a eufemística da qualidade de vida, implica elevadas performances energéticas que no caso do Ocidente têm sido conseguidas pelo recurso aos combustíveis fósseis. Temos de os referir neste contexto porque tem sido esta a fonte de energia que modelou a modernidade e com ela a nossa cultura de alheamento da finitude. Usados como legado de morgadio, são eles que têm permitindo suportar o crescimento populacional e a produção dos respectivos consumíveis como algo natural. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os EUA, p.e., com apenas 5% da população mundial usam 30% de todos os recursos de energia produzidos. Desse consumo, a grande maioria não é de produção própria. O que é relevante, uma vez que o abandono da matriz económica de base regional como suporte da riqueza geradora do modo de vida com as características que temos como bem, criou sistemas de dependências que não são interdependentes. A verdade é que em contexto de penúria, não se troca arroz por petróleo nem se come turismo. Mas na busca simultânea do Reino de Sabá e do Santo Graal, produzimos este mundo tão exigente quanto alienado da real capacidade de nos continuar a alimentar a utopia. Para a gerir, concebemos instituições de poder assimétrico que viabilizam todas as extravagâncias, quando deveríamos saber que colocamos em causa a capacidade de carga dos sistemas de suporte que nos são essenciais: solo, água, biodiversidade. Para os explorar, implementamos sistemas operativos especializados que se apoiam em leituras fragmentárias do funcionamento do mundo e encaram o ambiente, o meio e o outro, como factores e produtos, custos e receitas. Com isso, confundimos os ganhos marginais de vida alcançados com um Futuro que não é ! Porque quando retiramos das equações orgânicas da Vida a Finitude, ela reduz-se à nossa vida, e essa mais não é que um ritual de passagem sem memória nem projecto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Distraí-me ! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De pança cheia as minhas roçadoras ruminam expectantes pelo regresso ao curral que o poente costuma marcar. Não terminaram o serviço e eu também não. Voltamos amanhã à procura de veredas por onde fazer passar a contra-cultura que nos possa ajudar a ultrapassar este impasse. É que não faço ideia de como se educa contra a ideologia dominante do próprio sistema que tem produzido esta deriva da Idade da Razão. Nem como se repõe a humildade na equação que tem gerido a nossa interacção com o ambiente . Talvez a Estrela tenha algo a dizer sobre isso, mas não agora, que rumina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-431185639567262522?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/431185639567262522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=431185639567262522' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/431185639567262522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/431185639567262522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/05/idade-da-razo.html' title='Idade da Razão'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-7907973824793133970</id><published>2008-04-21T12:02:00.005+01:00</published><updated>2008-11-06T14:04:23.993Z</updated><title type='text'>Tribal War</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Há aí uns tempos o Hugo e a Ana (uns catitas) apareceram cá por casa. Num desses dias estávamos de digestiva tagarela de volta de um chá de mirtilo, quando o Hugo se desculpou pela retirada precoce invocando que tinha que ir mandar umas tropas para defender a aldeia do não sei quantos que estava a ser atacada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;- Tens o quê ?!&lt;br /&gt;- Então não sabes ?! Aquele jogo, o “Tribal War”!…&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Vocês sabem, claro, mas eu não sabia. Inconvenientes da “interioridade”. Mas ele explicou-me direitinho que o jogo organiza-se em aldeias que o jogador administra e cuja subsistência, riqueza e progresso, dependem dos recursos que consegue gerar ou gamar aos vizinhos. Depois de olhar melhor para a coisa, rapidamente concluí que reproduz com uma assombrosa crueza aquilo que, embora com mais sofisticação e inenarráveis sofismas, se passa na vida real. Há pois essa diferença entre o jogo e a realidade: a ideologia não tem lugar no jogo, isto é, no ambiente do pc as coisas são o que são sem necessidade de se mistificarem de outra coisa qualquer, e nessa medida o Tribal War é uma belíssima lição de economia politica na sua expressão mais vernácula.&lt;br /&gt;Assim, quando o Hugo para “crescer” já não lhe chega o que produz e precisa do que está nos celeiros do pc de outro gajo qualquer, manda as tropas ir lá buscar o que lhe inveja e se o outro não tiver com que se defender ou uma aliança tácita que o proteja , está feito : out of game !&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era assim que segundo consta faziam os Romanos antes de JC apresentar um caderno reivindicativo que fez tanto sucesso que a partir daí os herdeiros de Roma continuaram a fazer exactamente o mesmo que já faziam antes, é verdade, mas com a grande diferença de se benzerem primeiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A matriz cultural cristã do Ocidente colocou-nos, assim, perante a necessidade de travestir as tradicionais dinâmicas de usurpação e conquista de lógicas menos lineares, na tentativa de iludir a contradição da nossa prática com o corpo central das nossas doutrinas fundadoras. Um dos ensaios iniciais desta estratégia foi a tentativa de “libertação” da Terra Santa, processo no qual os saques de Constantinopla ou o escorraçar da mourama que fundara Lisboa foram meros acidentes de percurso, bem entendido! Mas houve mais.É que a ideia de que há práticas culturais e modos de vida "impróprios para consumo" não é de agora nem é criação da ASAE. Existe na matriz civilizacional do Ocidente uma propensão historicamente comprovada para conviver mal com o que é diferente e para implementar a nossa própria concepção do que está bem. É algo que nos está nos genes e é transversal a tudo o que fazemos. A nossa história poderia ser narrada nesse registo de convívio pouco pacifico com a diferença. Assim, quando uns anos depois o Ocidente resolveu ir buscar especiarias por mar em vez de as continuar a pagar a quem até aí as trazia por terra, rapidamente se impôs a necessidade de levar uns evangelizadores na bagagem que, como contrapartida civilizadora pelas possessões comerciais de que nos fomos apropriando pelo caminho, suponho eu, explicaram aos povos dessas bandas aqueles que foram os predecessores dos regulamentos comunitários que hoje se aplicam aos galheteiros. Esta lógica estendeu-se às Américas onde de novo se materializou a nossa inesgotável propensão evangelizadora e civilizadora, num negócio memorável que nos deu a posse de um continente inteiro a troco de uma crença salvadora para os convertidos que restaram para a fruir, depois de devidamente acantonados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E deixem-se disso que estão a pensar! Não estou a escrever um ensaio anti-ocidente, nem nada que se pareça, embora admita o cinismo inevitável do registo. Mas a história é isto, uma permanente Tribal War, e não temos sequer forma de saber se o Mundo hoje seria melhor se ontem as coisas tivessem decorrido de outra forma. Se trago o assunto à estampa é apenas porque não me parece que ele possa ser escamoteado por quem seriamente pretenda contribuir para uma discussão construtiva sobre as questões da geografia da fome.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se ser pobre é sobreviver com muito pouco e com grande dificuldade, quando essa dificuldade dá lugar à incapacidade de produzir sequer o que comer, a isso chamo miséria. Ora a capacidade cultural de obter os meios necessários à sobrevivência é um processo de longa maturação que resulta da solução de uma matriz múltipla, onde convergem os condicionalismos geográficos e o desenvolvimento circunstancial das aptidões humanas para os manipular. Estes equilíbrios encerram em si fragilidades aleatórias inerentes às características concretas das soluções encontradas, normalmente resolvidas pela incorporação nos códigos de tradições locais de valores que permitem de algum modo criar a desejada reprodutividade da solução encontrada . É bom exemplo o saudável princípio agrícola de afolhamento do espaço e de rotações de cultivos instalado na tradição mediterrânica. Quando este processo é interrompido e abruptamente alterado pela introdução de inovações sem que estas decorram em paralelo com outras capazes de criar um sistema alternativo e coerente, as desregulações são inevitáveis. Como sucede quando se actua repentinamente sobre a mortalidade infantil, reduzindo-a, sem que esse processo seja acompanhado da resposta na produção alimentar ao aumento populacional que daí possa decorrer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O encontro do Ocidente com o Mundo foi um desses ressaltos de aceleração da história que ainda hoje e depois de séculos não está devidamente resolvido, e tem na miséria de muitos uma das suas consequências. Uma das razões a meu ver centrais para explicar esse resultado, é o tremendo desajuste que se criou entre a mudança de paradigma introduzida nos sistemas de valores e a (in)capacidade de o reproduzir. Não se sonha “fora” do que se conhece, e nas últimas décadas a banalização mediática do “american way of life” colocou a fasquia do sonho altíssima em qualquer recanto do Planeta. O dinheiro impôs-se como mediador no acesso ao poder e até à felicidade. A miséria instala-se nessa "região" onde a recusa da pobreza como paradigma se encontra com a incapacidade de obter dinheiro para a resolver comprando o que culturalmente se deixou de ser capaz de produzir. Ghandy percebeu isso quando escolheu a manufactura do linho e do sal como reivindicações simbólicas da luta pela independência da Índia. Ele sabia que a independência dos povos é cultural antes de ser política ou económica. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-7907973824793133970?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/7907973824793133970/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=7907973824793133970' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7907973824793133970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/7907973824793133970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/04/tribal-war.html' title='Tribal War'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-301356872530735004</id><published>2008-04-17T20:48:00.004+01:00</published><updated>2008-11-06T14:04:23.994Z</updated><title type='text'>O Rio Ajuda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;As palavras não são neutras. Menos ainda quando se referem a conceitos. Entre essas, algumas há que têm mesmo o fantástico poder de fixar os termos das discussões numa órbita inalterável porque contêm em si mesmas todo um programa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A pobreza é uma delas e tentarei explicar porque o digo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando falamos de pobreza, todos a tomamos como uma questão absoluta. Ser pobre é não ter acesso ao elementar. Mas quando se pretende concretizar esta noção de elementar, a pobreza relativiza-se. Essa relativização é devida à nossa natural tendência para definirmos o que nos rodeia em função do nosso próprio paradigma. E no nosso caso, ocidentais, tem ainda a ver com a nossa propensão para as leituras disciplinares do real. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, enquanto os economistas tendem a abordar a pobreza pelo lado da produção e distribuição dos bens, os técnicos de saúde alertam para que sem pessoas saudáveis não há economia possível, e os pedagogos logo acrescentam que saúde e economia são também uma questão de educação pelo que sem ela nada feito.É evidente que qualquer deles tem a sua parte da razão. E como além disso a exprimem sob prismas e metodologias diferentes, resulta que a pobreza aparece definida tal como é, uma realidade multifacetada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar disso há convergência quanto à forma de a resolver, ou seja, actuando sobre os problemas prioritários, isto é, quem tem fome tem de comer, quem morre de sarampo tem de ser vacinado, quem é analfabeto tem que ser alfabetizado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Prisioneira conceptual deste tipo de urgências, a pobreza tem dado origem a um enorme caudal de ajudas . Um autêntico rio de dinheiro. Só de um dos seus afluentes, o BM, fluíram para esse rio em duas décadas ( 80 /90 ) algo como 600 biliões de dólares. Mas não é este impressionante caudal a particularidade mais importante deste rio. Esse estatuto está reservado para a originalidade da sua forma, pois ele é um rio circular que desagua no mesmo sitio onde nasce, isto é, nos corredores do poder económico do ocidente. No seu percurso, o "Rio Ajuda" revela ainda uma espantosa capacidade de erosão selectiva, ou seja, só arrasta como sedimentos certas coisas, como ouro e diamantes, petróleo, madeiras exóticas, os melhores cérebros, filetes das percas do Nilo que infestam o lago Malawi. Mas além disso, ao dar de beber à pobreza ele faz crescer a miséria. E embora ambas sejam sinónimos de desgraça, tentarei explicar porque importa fazer-lhes distinção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A escassez do que é elementar pode ter diferentes origens. Mas não é muito complicado construir com elas duas categorias. Numa, podemos incluir a escassez como o resultado de um qualquer desajuste transitório entre necessidades e disponibilidades de recursos, como o que pode acontecer com os bens alimentares em consequência de condições de seca agrícola prolongada. Na outra, é possível agrupar os factores que culturalmente bloqueiam a gestão dos recursos disponíveis e não permitem potenciá-los como resposta aos problemas de escassez do elementar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A pobreza do sem-terra não é, neste sentido, um problema com contornos idênticos à sua miséria. Porque o que faz a pobreza do sem-terra é a miséria cultural da civilização que lhe dá terra quando ele já não sabe o que fazer dela. Ele não sabe subsistir da terra porque lhe falta uma tradição cultural que não tem. Mas além disso ele não quer subsistir da terra. Para o sem-terra, a terra é vista como a possibilidade de através dela constituir um rendimento que lhe dê acesso ao paradigma cuja chave é o dinheiro. A terra não é vista como algo que serve para produzir alimentos, mas dinheiro. Ora boa parte dos programas de combate à pobreza que conseguem ir um pouco mais além que as ajudas de emergência, como alguns em curso no Brasil, incorrem nesse pecadilho original de tentar reconduzir populações para dentro de um paradigma de subsistências onde, não só não se revêem, como cortaram os laços culturais que o poderia recuperar. É neste impasse cultural que reside a miséria. A deles, que é também pobreza, e a nossa, que é civilizacional. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Existem pois nestas matérias diferenças que importa estabelecer entre o que são desacertos circunstanciais e rupturas culturais de longa duração de raiz civilizacional. Porque basicamente, a pobreza do terceiro mundo vive da ressaca global da democratização do paradigma que o ocidente desenhou ao longo dos últimos séculos; vive numa espécie de terra de ninguém entre uma tradição perdida e um paraíso aparente que, apesar de lhes vedar o acesso, não se coíbe de promover constantemente os seus méritos . Sem se perceber isso não há como ensaiar a ruptura com os ciclos viciosos de análise e acção sobre um problema em que a única alteração de ano para ano tem sido o adiamento sucessivo dos objectivos estabelecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-301356872530735004?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/301356872530735004/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=301356872530735004' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/301356872530735004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/301356872530735004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/04/o-rio-ajuda.html' title='O Rio Ajuda'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-3545299023250234184</id><published>2008-04-14T20:18:00.004+01:00</published><updated>2008-11-06T14:04:23.995Z</updated><title type='text'>Um Falo das Américas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;O &lt;/span&gt;&lt;a href="http://joshuaquim7.blogspot.com/2008/04/strauss-kahn-clama-no-deserto.html"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Joshua &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;tentou-me para algumas teclas sobre o FMI, mas sou a pessoa errada. Falta-me em relação às políticas da Instituição o distanciamento que facilita a objectividade. Feita esta “declaração de interesses”, tenho que dizer que considero que quem representa o FMI só teria alguma legitimidade para se referir publicamente às questões da geografia da fome, no dia em que tivesse terminado com a existência mesma do Fundo que lidera, e já vou explicar porquê. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Percebe-se pois que não vejo o FMI como guardião da virtuosa virgem capitalista, batalhando pela pomposamente declamada “regulação e fiscalização do sistema financeiro internacional”. Usando uma linguagem muito pouco “económica”, diria mesmo que vejo o FMI como o filho bastardo que o capitalismo americano fez à Europa quando a apanhou de gatas depois de atropelada pelos panzers de Rommel. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;A modernidade capitalista encetou na América do Norte as experiências com “bolhas”, isto é, com essa técnica que perdura de negociar o inexistente : a bolsa. A ideia parece funcionar na Praça do Giraldo nos dias de "São Porco". Mas aplicada a maiores escalas verifica-se que depressa se começam a vender porcos que as porcas nunca hão-de sequer parir, num &lt;em&gt;roulement&lt;/em&gt; à Dona Branca que precisa continuadamente de novos territórios por onde se expandir sob pena de se desfazer como castelo de cartas à mínima brisa, como aconteceu nos anos trinta e volta agora a ameaçar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;A Europa destruída do pós-guerra foi a oportunidade de relançamento dessa lógica e o FMI, mera sucursal da Reserva Federal, o instrumento da nova ordem &lt;em&gt;made in&lt;/em&gt; USA. Mas a garantia dos fundadores de manter a convertibilidade do dólar ao ouro a taxa fixa e câmbios fixos, promovendo sobre essa base linhas de crédito de curto prazo para ajustes conjunturais na balança de pagamentos ( que foi a forma encontrada pelo credor (americano) de garantir a solidariedade dos devedores ( europeus ) pela divida de qualquer deles ), esgotou-se com a reconstrução económica europeia. Por isso os EUA não perderam tempo a abandonar o acordo e a mandarem às urtigas o padrão ouro. Diz-se que a partir daí o FMI trabalha fora da sua esfera original porque não alterou os seus estatutos, coisa que só agora ensaia. Mas deve ser piada, porque nestas coisas não há memória de que os americanos revelem modos quando se sentam à mesa dos seus interesses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Portanto, tudo o que o FMI fez foi adaptar-se e procurar fórmulas rentáveis de continuar a manter o mundo sob o poder do US Dólar . Dessa vez através da flutuabilidade permanente da moeda que, largado o “ lastro”, passou a permitir a quem tem o dinheiro colocar a taxa de câmbio onde quisesse. Mas fez melhor ainda, criando processos que se auto-alimentam, porque ao promover a liberalização das economias periféricas, o FMI mais não fez que aumentar a sua vulnerabilidade ao poder do capital financeiro internacional, até ao ponto em que os contratantes são capturadas para dentro de ciclos de onde não há saída. E não há porque os “arranjos” de politica económica que o FMI promoveu desde os anos setenta como condição necessária à concessão ou aval a créditos, acabaram por ser internalizados ( engolidos ) e passaram a fazer parte das lógicas internas que os adoptaram, transformando-se numa segunda pele sem a qual já não nos sabemos pensar : o &lt;strong&gt;neoliberalismo&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Foi o tempo em que Bella-Balassa andou pelo mundo trajando de messias da economia e levando a “salvação”, universalmente possível, à Coreia, ao Egipto, ao Chile, ou a Portugal , onde pregou na catedral da Gulbenkian em Outubro de 76. Só não foi a Espanha porque, contam os anedotários, Franco e Adolfo Suarez só entendiam castelhano, e pelo que hoje se vê só beneficiaram por isso. A mesma sorte não teve o Brasil, cujo divórcio do Fundo, uma magnifica telenovela, César Benjamim conta como ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;De certo modo o FMI apresentou-se como apóstolo da integração económica que estaria no advento do que hoje se chama globalização, banalizando uma nova terminologia do capitalismo que outro Benjamim ( Walter ), adoraria ter conhecido quando nos anos vinte se referiu ao capitalismo como um culto religioso que promove a salvação pela intensificação de um sistema que oferece a crença em si mesmo como única esperança, uma vez que, dizia, como sistema fechado, coerente e monolítico, o capitalismo não tem reforma possível. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Quando assumidos capitalistas, como André Jordan, não se coíbem de dizer na praça pública que se se quisesse efectivamente controlar a extrema volatilidade dos mercados financeiros os capitais especulativos deveriam ser taxados nas praças onde são aplicados em lugar de ( não ) o serem nos paraísos fiscais onde estão domiciliados, prevendo logo a seguir que não há interessados em semelhante abordagem, percebe-se melhor que a única coisa que está em causa são estratégias para tecer as linhas que irão permitir manter nos locais do costume o controlo dos aparelhos por onde se irá manipular a ordem internacional nos próximos anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Portanto, as preocupações do Senhor Strauss-Kahn quanto aos problemas gerados pelas (des)economias que o FMI ajudou a criar( como o mercado dos agrocombustiveis na América do Sul ), soam-me a mero preparativo para a mudança periódica de roupagens com a qual se pretende, novamente, salvaguardar o essencial do modelo macroeconómico e financeiro que declaradamente abençoa a supremacia dos valores do capitalismo. Não me parece pois que ele esteja a pregar no deserto nem de improviso. É que o capitalismo precisa de consumidores, nem que seja de consumidores de caridade. E se para isso precisar de se vestir de “verde-humanitário”…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-3545299023250234184?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/3545299023250234184/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=3545299023250234184' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3545299023250234184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3545299023250234184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/04/um-falo-das-amricas.html' title='Um Falo das Américas'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-1787821318280741905</id><published>2008-04-11T16:03:00.001+01:00</published><updated>2008-11-06T14:03:57.580Z</updated><title type='text'>Questões de Semântica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É frequente que as noticias nos apareçam sob um fraseado que altera completamente o seu conteúdo. É novamente o caso &lt;a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1325533&amp;amp;idCanal=68"&gt;desta&lt;/a&gt; que parte duma suposta declaração do PM mas considerou desnecessário ler o Plano a que reporta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se o tivesse feito talvez tivesse constatado que há uma diferença entre "poupar" e não consumir tanto como se espera. No caso, se consumíssemos agora 100 e em 2015 estivéssemos a consumir 90, teria havido uma poupança de 10 %, sem dúvida. Mas não é isso que o &lt;a href="http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/E34725D3-BF7D-432B-A716-C4435A51776C/0/PNAEE1.pdf"&gt;Plano&lt;/a&gt; prevê. O que diz é que “as medidas permitem alcançar 10% eficiência energética até 2015”. Porque em relação ao consumo bruto de energia propriamente dito, o cenário ( projecção ) é um crescimento de 18,6 % de 2007 para 2015, crescimento que o Plano pretende limitar a 8,6 % com as medidas que agora preconiza. Ou seja, os 10 % de que se fala são ganhos previstos de eficiência e não uma redução bruta de volume de consumo como se pode ser levado a pensar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De resto fica bem claro que o objectivo central do Plano é a convergência com a intensidade energética média da EU, o que no limite também poderia decorrer simplesmente de um crescimento do PIB superior ao crescimento do consumo de energia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-1787821318280741905?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/1787821318280741905/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=1787821318280741905' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1787821318280741905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1787821318280741905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/04/questes-de-semntica.html' title='Questões de Semântica'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-1850824951025830030</id><published>2008-04-10T12:56:00.011+01:00</published><updated>2008-11-06T14:01:38.231Z</updated><title type='text'>Elementar, Caro Watson !</title><content type='html'>Isto não é um "post" mas um comentário a uma noticia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que finalmente &lt;a href="http://ecosfera.publico.clix.pt/"&gt;alguém&lt;/a&gt; se lembrou de pegar em papel e lápis e recapitulou a aritmética elementar. O que é estranho é que nos dias que correm seja preciso ser-se “cientista” e “ independente “ para conseguir esse dificil objectivo de perceber coisa tão prosaica como a inviabilidade da produção agricola de dez por cento dos combustiveis rodoviários usados na UE!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há já alguns meses que correm rumores que dão conta do "arrefecimento global" do entusiasmo autista que o projecto gerou, mas só agora a principal imprensa do Ocidente resolveu começar a dar-lhe destaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisas em que detesto ter razão por antecipação, mas esta dos agrocombustíveis é das tais tão óbvia que confesso que houve dias em que duvidei da minha saúde mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em bom rigor, a verdade é que continuo sem perceber que motivações sustentam o silêncio sobre esta ( e outras...) matéria de Instituições que têm alguma responsabilidade pública, como a Ordem dos Engenheiros, entre outras. Existem propostas de solução de problemas que são uma fraude isenta do devido tratamento criminal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu quisesse ganhar a vida como Zandinga e apostar em qual seria a próxima "grande desmistificação” protagonizada por  "cientistas independentes", punha todo o meu dinheiro nas eólicas, fotovoltaicas e similares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que entretanto as respectivas janelas de oportunidades têm sido bem frequentadas pelos oportunismos do costume. Na hipótese ( altamente provável ) de que tenha sido esse mesmo e apenas esse o objectivo desta deriva, aqui deixo os meus cumprimentos a quem a gizou ! Quanto a mim provou que a relação do público com a ciência e a técnica se transformou numa profissão de fé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-1850824951025830030?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/1850824951025830030/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=1850824951025830030' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1850824951025830030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1850824951025830030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/04/elementar-caro-watson.html' title='Elementar, Caro Watson !'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-8482305643026335188</id><published>2008-04-09T15:50:00.004+01:00</published><updated>2008-11-06T14:02:15.404Z</updated><title type='text'>Navegando à Vista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Quando há mais de um século se plantaram boa parte dos montados que vão mantendo Portugal entre os maiores produtores mundiais de cortiça, ainda essa actividade não era subsidiada. Também não foram os subsídios que motivaram os trabalhos de terraceamento agrícola de muitas das nossas serras ou as despedregas do Barrocal Algarvio .Como uns e outros são exemplos de investimentos que só dão colheita para além da vida, tudo indica que teriam tido uma justificação bem distinta do carpe diem que hoje é a divisa predominante. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;Não deixa pois de ser curioso que enquanto o nosso processo civilizacional se tem afirmado sob a égide do cientifico e do racional, por oposição e pela independência em relação aos condicionalismos naturais, tenhamos ao mesmo tempo deixado cair essa capacidade que os nossos antepassados revelaram de sonhar para a frente sem perder a ligação à terra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em vez disso sonha-se para trás à procura de uma harmonia idílica supostamente perdida, ou então faz-se profissão de fé na crença de uma ciência milagreira capaz de recriar um homem sem terra. É esta uma síntese possível da atitude dominante da interacção civilizacional da modernidade com o meio, e que tem na economia o seu mediador privilegiado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora a economia tem-se encarregue de nos fornecer uma nova dicotomia, dividindo o mundo entre o rentável e o não rentável. Mas a ideia de rentabilidade da neo-economia capitalista, não é uma noção absoluta, é relativa, e basicamente serve-se desse sofisma para designar não a colheita que ultrapassa em quantidade de grão o que foi semeado, mas o que é lucrativo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, o interesse das actividades humanas deixou de depender de quanto se colhe mas de quanto vale a colheita no mercado. Este ponto de vista inquinou transversalmente a sociedade, derivando para um género de reducionismo funcionalista que explica as coisas pelos seus putativos efeitos e não pelo valor histórico dos princípios que as deviam nortear, cabendo à economia que governa reeditar com novas roupagens os velhos métodos de cabotagem. Mas a linha de costa que a orienta é uma miragem, pois o dinheiro que a guia não tem utilidade real. Sendo símbolo e não recurso, o dinheiro em si não consegue realizar a sua condição de equivalente de troca se não houver com que trocar. Ou seja, em última análise o dinheiro não se come e por isso não é elo de cadeia nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora quando as politicas ambientais para se imporem se vêem na necessidade de se camuflar sob roupagens da versão vigente da rentabilidade económica instituida, asseverando aos seus destinatários novas oportunidades de mais valias comparativas e promovendo o natural como produto de consumo, algo tem que se considerar intrinsecamente enviesado ao nível dos princípios que as produzem. De facto, quando procedem desse modo essas politicas não se assumem como dinâmicas de ruptura com os pressupostos de planeamento económico e social que estão na base constitutiva dos problemas que pretendem combater. Em seu lugar, enveredam pela gestão de compromissos desviantes, derivando para as mais-valias económicas marginais do conservacionismo, mas não resolvendo na origem os impedimentos conceptuais ao desenvolvimento de modelos sustentáveis, uma vez que estes não têm solução no contexto da gestão dicotómica natural vs civilizacional. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desde logo porque aprisionam o conceito de natural numa ideia de equilíbrio perene que é equivoca: tal como o civilizacional o que é natural também não é estático, e por conseguinte não é susceptível de ser “congelado” num momento qualquer da sucessão ecológica que nos possa parecer mais interessante ou de ser compartimentado dentro de fronteiras territoriais estanques às dinâmicas envolventes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois, porque a lógica que preside às trocas que dentro dos ecossistemas são pertinentes para a vida humana, não se rege pelas regras da economia de mercado mas pelos princípios da termodinâmica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por último, porque a criação e gestão do natural como compensação ( rentabilizavel ) pelos impactos do civilizacional, na medida em que é assumida como uma cedência ao ambientalismo, transforma-se num paliativo. Não contesto que de um ponto de vista estritamente pragmático não decorram destas “cedências” benefícios efectivos para o ambiente. Mas esta dinâmica também contribuí para nos desviar da necessidade de encarar o individuo, a sociedade e o território, como uma só unidade de interacção na procura de um sentido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-8482305643026335188?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/8482305643026335188/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=8482305643026335188' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8482305643026335188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/8482305643026335188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/04/navegando-vista.html' title='Navegando à Vista'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-3981614393195572912</id><published>2008-04-05T23:42:00.002+01:00</published><updated>2008-11-06T14:02:15.405Z</updated><title type='text'>Pensar Como Um Calhau</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Para que amanhã um urso qualquer não se ria de nós, seria interessante que tivéssemos presente que uma das coisas que eventualmente nos pode distinguir dessas simpáticas criaturas é uma História ao longo da qual era suposto termos aprendido aquilo que o urso tem automatizado, i.é, que existem limites de tolerância nos ecossistemas que nos permitem a existência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De facto, uma possível mais valia do nosso processo civilizacional consiste na disponibilidade de alguma informação que devidamente processada nos deveria permitir compreender que a nossa existência por natureza transitória no "Grande Sistema", tem dependido da capacidade que temos revelado para proceder a manipulações bem sucedidas de alguns dos seus subsistemas ( agricultura, p.e.) . Esta é, de resto, a “receita” das espécies de sucesso. Sem ela não tínhamos atingido como espécie a dimensão e a expansão que conseguimos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas seria exactamente o conhecimento dessa mesma História, mais que as projecções matemáticas, quem nos devia apoiar numa abordagem razoável aos limites objectivos de algumas práticas colonizadoras. Sabe-se através dela que sempre que se quebra de forma continuada a razão unitária entre o que se produz e o que se consome, os sistemas tendem para o desequilíbrio. Ou seja, gerar continuadamente excedentes tem como consequência um ponto de ruptura inevitável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto, graças a soluções tecnológicas de domesticação de fontes de energia de elevada performance energética ( fontes fósseis ), a modernidade tem conseguido dilatar para lá do que seria imaginável uma razão negativa dessa relação e adiar a ruptura. E quando recentemente nos apercebemos dos riscos dessa deriva, optamos por um compromisso atípico entre a negação e a acção que nos está a dividir o mundinho em duas ilhas e um deserto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Habitamos numa das ilhas, a Metrópole, temos o jardim na outra, a Área Protegida, e deslocamo-nos entre ambas em variantes de alta velocidade através de um "deserto" onde, por processos que se dizem “sustentáveis”, são produzidos o papel dos jornais que lemos e também o combustível das veículos que nos transportam, pois os alimentos que consumimos está assente que se produzem nos supermercados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como qualquer placebo bem promovido, esta solução tem merecido o agrado consensual, pois “demonstra” que é possível o convívio entre o “natural” e o “civilizacional” e nessa medida funciona como um formidável paliativo de consciência para desculpabilizar todas as cavaladas ambientais que os nossos “selves” hiper-individualistas possam cometer nas ilhas metropolitanas do nosso contentamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, a dicotomia natural &lt;em&gt;vs&lt;/em&gt; civilizacional revela-se óptima receita para que a maioria de nós fique tão confiante na suficiência do natural que se protege para equilibrar o sistema dos impactos dos nossos excessos, que se permite continuar ao lado a viver despreocupadamente como se os ecossistemas fossem somatórios de partes e não um todo que artificialmente dividimos. Basicamente, estamos perante uma conveniente convicção do mesmo tipo daquela defendida há aqui uns meses por uma turma de universitários de um curso de Educadores de Infância que asseverava que “quem recicla, reduz”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O problema é que os “salmões” de que necessitamos para as nossas “hibernações” não se produzem nem nos supermercados, nem nas AP’s, nem nas Metrópoles, mas nos “desertos” por onde transitamos em viaturas “ ecológicas” sem reparar que o território está a ser desleixado a um ponto que corremos o risco de corromper duradouramente o seu potencial de produtividade primária e por conseguinte a sua capacidade ecossistémica de nos suportar a espécie com a qualidade que pretendemos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O abandono do mundo rural e a criação de AP’s, são as duas faces da aceitação tácita dessa moeda dicotómica que o Ocidente considera uma “inevitabilidade civilizacional”, demitindo-se assim de “pensar como uma montanha”, como disse Aldo Leopoldo, para pensar como um calhau.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;( continua )&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-3981614393195572912?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/3981614393195572912/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=3981614393195572912' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3981614393195572912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3981614393195572912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/04/pensar-como-um-calhau.html' title='Pensar Como Um Calhau'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-4350571053008178793</id><published>2008-04-03T22:51:00.006+01:00</published><updated>2008-11-06T14:02:15.407Z</updated><title type='text'>O Homem e o Urso</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Regresso à questão &lt;em&gt;&lt;strong&gt;natural &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;vs &lt;strong&gt;&lt;em&gt;civilizacional.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Continuo com a sensação de que existe nesse tipo de abordagem dicotómica razoavelmente consolidada, um grosseiro erro de análise que ameaça transformar a nossa relação com o ambiente num beco sem saída.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Continuamos a encarar a nossa interacção com o meio segundo interpretações que oscilam entre dois extremos. Uma delas, pressupõe que tudo o que a natureza “produz” é sempre bom. A outra, aventando que não seja bem assim, investe tanto na domesticação da natureza que cai no erro ilusório de que a comanda. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Basicamente, estamos perante variantes da velha questão nunca resolvida da conflitualidade inerente à vida, das suas dinâmicas e tempos próprios, um “jogo natural” do qual o homem faz parte. A forma como o homem social tem reinterpretado as regras desse jogo, tem dado origem a soluções sempre transitórias que vão ressaltando entre os compromissos que têm sido possíveis e as abordagens mal sucedidas, e é neste contexto que temos de nos entender.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No entanto há demasiado quem argumente sobre ecologia humana como se essa pertença do homem ao natural não existisse e parta daí para advogar a defesa de uma “natureza intocável”não percebendo que já de si a decisão de não interferir é uma forma de interferência natural. Creio que isto se poderá dever a uma compreensão insuficiente da exacta consistência dos chamados fenómenos naturais e tentarei explicar porquê.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Se fosse possível isolar o instante primordial, tudo leva a crer que o processo pelo qual as espécies iniciam a sua implantação num determinado contexto é determinado pela geologia e pelo clima. A evolução dos ecossistemas nesse suporte (&lt;strong&gt; habitat&lt;/strong&gt; ),começa pela que se designa de fase pioneira, que normalmente desenvolve características ( produção excedentária de matéria orgânica, por exemplo ) que desde logo introduzem mudança nas condições físicas do habitat. Essas alterações das características físicas do suporte abrem a porta para a instalação de novas &lt;strong&gt;comunidades tróficas&lt;/strong&gt; ( sistemas de seres vivos coexistindo numa lógica de interdependência alimentar ) de maior exigência, iniciando-se assim o que se designa por &lt;strong&gt;sucessão ecológica (&lt;/strong&gt; a sequência pela qual as espécies se sucedem num ecossistema ).&lt;br /&gt;Nestes processos, existem comunidades que têm uma existência transitória na sucessão. O período e os acontecimentos dessas existências transitórias, são conhecido por &lt;strong&gt;fases serais&lt;/strong&gt;. Por &lt;strong&gt;clímax&lt;/strong&gt; entende-se o estado de maturidade de uma comunidade num habitat .&lt;br /&gt;Ou seja, das fases pioneiras às de maior maturidade, as comunidades que incorporam a sucessão alteram as características da sua interacção. Raramente as comunidades pioneiras são também climáxicas. Ao longo da sucessão ecológica o ecossistema convive com &lt;strong&gt;comunidades temporárias&lt;/strong&gt; que têm o seu nicho naquele “momento” e não noutro e raramente o ocupam “para sempre”do mesmo modo.&lt;br /&gt;Mas mesmo os estados ditos climaxicos correspondem a um conceito que importa desmontar. Porque uma coisa é a “maturidade potencial” (&lt;strong&gt; clímax climático&lt;/strong&gt; ), outra a “maturidade possível” ( &lt;strong&gt;climax edafico&lt;/strong&gt; ). Ou seja, na prática os ecossistemas raramente atingem o seu potencial, evoluindo antes através de sucessões interligadas e de velocidade variável. E a explicação para este fenómeno reside no facto de os ecossistemas não serem nem sistemas fechado nem sistemas lineares. Como tal não são susceptíveis de ser compreendidos pelos modelos analíticos convencionais e como a abordagem sistémica não faz parte do cardápio usual dos métodos pelos quais se tenta entender o infinitamente complexo que nos rodeia, somos tentados a olhar para o mundinho através de simplificações dicotómicas e a encarar o que é civilizacional como "não natural".&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas nesta existência onde à escala do tempo geológico a ideia de estabilidade não é sinónimo de estático, a construção de nichos como estratégia de colonização de novos espaços é um processo natural e ininterrupto. Entre o urso e o homem, não existem diferenças de estratégia na abordagem da permanência nos invernos setentrionais: qualquer deles procede a reservas prévias de energia e constrói abrigos. Diferem apenas no método e na técnica que cada um aperfeiçoou a seu jeito. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Importa pois que se perceba que a capacidade de modificar a “natureza” é característica intrínseca da própria natureza. Qualquer ser vivo “manipula” o meio para nele realizar o seu “momento”, e nessa matéria não há qualquer tipo de “originalidade” por parte dos humanos. Sendo certo que o homem sofisticou as modalidades de interacção com o meio, não é menos certo que não desligou dos condicionalismos objectivos impostos pela natural limitação de recursos. De igual modo também não é especifico dos humanos a gestão irracional dos recursos de cuja sobrevivência depende. Mas é evidente que chegados a este ponto ao homem é exigível um pouco mais, quanto mais não seja porque, que se saiba, não consta que os ursos andem por aí a reivindicar racionalidade. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;( Continua...)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-4350571053008178793?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/4350571053008178793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=4350571053008178793' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4350571053008178793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/4350571053008178793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/04/o-homem-e-o-urso.html' title='O Homem e o Urso'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-2867884459477826590</id><published>2008-03-29T10:01:00.011Z</published><updated>2008-11-06T14:03:39.806Z</updated><title type='text'>Natureza de Massas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Dou sequência ao post anterior para concretizar as minhas reservas à expansão do projecto Escola na Natureza ( pelo menos ao que dele consegui apurar ) promovido pelo ICNB.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;A primeira reserva que coloco é que este projecto não me parece que esteja articulado com projectos de educação ambiental (EA) que estejam em curso nas escolas. Por uma razão simples: estes projectos não existem ou estão longe de adquirir uma estrutura conceptual e metodológica consolidada !&lt;br /&gt;As iniciativas ditas de EA que se encontram, são por isso somatórios de eventos associados a generalidades ( reciclagem, aquecimento global, furo no ozono, alterações climáticas…) e não parte integrante de um conceito estruturado . Por isso elas não acontecem com a naturalidade com que a EA deveria estar presente no ensino como preocupação transversal e multidisciplinar.&lt;br /&gt;Logo, se a louvável intenção de apoio logístico do ICNB tivesse por interlocutores projectos escolares de EA devidamente estruturados e em curso, em cujo processo fosse objectivamente relevante a visita a uma Àrea Protegida ( AP ), nada teria a dizer. Na falta deles arrisca-se, a meu ver, a potenciar iniciativas que as escolas contabilizarão como “projectos de EA”realizados, mas cujo processo será a preparação logística da “visita” e o produto, a “visita”. Quando muito, o professor carola de serviço produzirá e fará editar o respectivo “caderno de viagem”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O segundo aspecto que me merece reserva, é constatar que o ICNB acredita que antes e depois, o “dia V” será um acontecimento marcante para os que nele participarem. Marcante, concedo. Ambientalmente marcante, duvido.&lt;br /&gt;Duvido desde logo porque da fase experimental não encontrei relatórios de avaliação com incidência nesse aspecto, e em seguida porque não me parece que na estrutura do ensino haja professores qualificados em quantidade suficiente para fazer uma abordagem curricular do ambiente que se demarque dos lugares comuns de alguns panfletos conservacionistas e do filme do Senhor Al Gore. Apareçam professores capazes de fazer uma aula sobre ambiente a pretexto do giz com que escreve no quadro ou do parafuso que prende o quadro à parede, ou da &lt;em&gt;chamaerops humilis&lt;/em&gt; que cresce nos descampados das traseiras da escola, que retiro na hora o que acabo de escrever e irei de bom grado a pé até Fátima como auto-penitência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A terceira reserva tem a ver com o repisar do erro de que tudo o que de educação compete à sociedade terá que passar pela escola. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De instituição de ensino, a escola fez o respectivo “up-grade” para infantário, pai, mãe, família, restaurante, sexodromo, vizinhos, sociedade ….e agora também a promotora de viagens à natureza! Bem…com tantos afazeres , alguma coisa terá que sobrar ou ficar menos bem feita, como se tem visto à saciedade.&lt;br /&gt;A meu ver, todas as actividades não rotineiras que a escola possa promover serão uma mais valia educativa se e apenas se enquadradas numa rotina subliminar de objectivos pedagógicos bem estabelecida . Existe ?É que se não existe receio que fiquemos apenas com um saco de eventos sem carácter aglutinador. O activismo pode ser tão “bonito” quanto inconsequente, e neste caso pode redundar num brilhante estilhaçar de recursos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A quarta e última questão é que este tipo de happenings ( estadia em AP ) podem facilmente agravar no espírito da cidadania uma dicotomia já existente que considero deformadora. A ela já me referi noutras ocasiões, mas creio que vale a pena recapitular.&lt;br /&gt;Se procurarmos os denominadores comuns à ideia que se tem de ambiente, é provável que encontremos uma sólida concentração de noções em redor de conceitos do que se passa no “exterior” e sempre que possível em contexto “não urbano”. O “natural” afirma-se pois como cerne do conceito de “ambiente”, por oposição ao que é fabricado pelo humano, e isto é uma deriva terrível.&lt;br /&gt;Terrível porque faz com que fique cada vez mais fora de questão para a maioria dos educadores, que a ligação prática ao ambiente possa ser tratada em contexto doméstico ou escolar. Sendo estes considerados “ambientes não naturais”, a prática da EA em meio escolar tende a reivindicar equipamento especifico, “natural”, como material didáctico: um parque temático, uma quinta pedagógica, um oceanário , uma AP, &lt;em&gt;whatever&lt;/em&gt; , a que muito prosaicamente se tende a chamar “equipamentos de EA” e sobre os quais decorrem, até, teses de doutoramento.&lt;br /&gt;Consequentemente, &lt;strong&gt;fabrica-se “natureza” para criar… oferta de natural e promover o consumo de massas da natureza.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É o caso!&lt;br /&gt;E é dos contactos esporádicos e em massa com estes produtos naturais-artificiais que se espera que resulte o quê? Propensão conservacionista travestida de higiene pública( “ ponho o vidro no vidrão e o papel no papelão para ajudar o ambiente ?”)? Propensão reformista em nome duma eficiência energética mais amiga do ambiente ( “vamos mandar para reciclagem 1 M de frigoríficos em bom estado porque os novinhos A+ ou A++ são mais amigos dos passarinhos ?”) ? Apetência para consumir mais natural , que é bom ? Que tipos de natural ? Linho ou algodão ? Couro ou lã? Água das Caldas ou de Evian ? Paisagem ou paisagem protegida ? E porque é que umas são protegidas e as outras nem por isso ? E porque é que os cidadãos que vivem nas protegidas são discriminados e tratados como cidadãos de segunda? Também é natural ? Ou esse aspecto passa à margem do programa da visita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É na (re)construção destas questões com as quais convivemos diariamente e muitas vezes de forma perfeitamente alienada , que se faz EA. &lt;strong&gt;Só o desenvolvimento duma consciência critica materializável no quotidiano ( e não em investidas pontuais, esporádicas à “natureza”) pode conduzir a melhores práticas duradouras de gestão de recursos e de interacção com o outro.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Por isso, as preocupações ambientais devem ser parte integrante das politicas, e não politicas dispersas por instituições que conduzem a duplicações de processos e à consolidação de um novo tipo de burocracia ambiental. &lt;strong&gt;Da mesma forma que todo o território é um bem patrimonial a cuidar e a gerir, a EA deve constituir-se como um todo de valores que se respirem com naturalidade na escola ou fora dela.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Assim o ICNB tenha capacidade para explicar isto aos professores que têm a boa vontade necessária para fazer EA nas escolas e potenciará bem melhor os seus recursos. Sugestões ? Com todo o gosto: proponha protocolos de colaboração às DRE e aos Centros de Formação Regionais ( sempre ávidos de bons projectos )e disponibilizem-se formadores de ambiente capazes de ir além da abordagem do tema sob o importante mas insuficiente ponto de vista da biologia conservacionista. Importa que se tenha presente que os programas proteccionistas e conservacionistas de que as AP são símbolo, são o remendo possível na recusa de bem ordenar e bem gerir território e recursos. Resolvesse-se isso e não teríamos que (re)fazer campanhas( infrutíferas ) para salvar o lince e a serra da Malcata.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em conclusão, as minhas reservas ao projecto "Escola na Natureza" nada têm a ver com “não querer que as pessoas não tenham oportunidades”, mas de querer que essas oportunidades não descambem no &lt;strong&gt;cultivo de mera irrelevância quantitativa por falta de enquadramento qualitativo e de melhores ideias para a prática da EA&lt;/strong&gt; em contexto escolar. Caso contrário, o relatório dirá que 130.000 estiveram três dias em AP’s. Pois sim , com certeza! Mas com que resultados ?&lt;br /&gt;Obviamente as reservas que expus não obstam o meu sincero desejo de que a iniciativa seja um êxito retumbante. Nesse caso, e para que o resultado final possa ser justamente aplaudido, conviria que a avaliação que venha a ser feita não se limite a verificar o sucesso da organização logistica. Num porcesso destes, importam resultados medidos ao nivel de conhecimentos e atitudes ambientais estabelecidas como objectivo. Se não existirem, a etiqueta de "animação" que lhe possa vir a ser colocada será perfeitamente merecida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-2867884459477826590?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/2867884459477826590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=2867884459477826590' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/2867884459477826590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/2867884459477826590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/03/natureza-de-massas.html' title='Natureza de Massas'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-5406063584188743954</id><published>2008-03-28T12:34:00.005Z</published><updated>2008-11-06T14:03:39.807Z</updated><title type='text'>O Que é Natural é Bom !</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Espero que os autores do slogan que serve de mote a este post não me processem por abuso de propriedade intelectual. A verdade é que não resisti a recorrer ao comercial que já nem sei a que respeitava, porque diz soberbamente o que se vai passando na área do ambiente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De há uns tempos a esta parte cada vez mais pessoas têm vindo a descobrir que o ambiente como “marca” é uma oportunidade de negócio muito interessante, e o cluster tem-se consolidado em redor do que é “verde”, “bio”,” eco”, “natural”, “sustentável”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era de esperar que isso pudesse acontecer, pois o potencial do “ambiente” enquanto ideia de fácil adesão, fez dele um produto de consumo apetecível , e por isso facilmente apropriável pela lógica inerente ao sistema capitalista .No entanto &lt;strong&gt;o ambiente não é uma produto de consumo, mas a condição e o resultado das nossas interacções com o meio e com o outro.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso o ambiente institucionalizou-se. Gostaria de dizer que ainda bem que se institucionalizou, porque isso deixaria supor que o ambiente constitui uma preocupação politica central do nosso modelo social. Confesso que me fica a dúvida se esse processo não decorreu das mesmas razões que têm feito do ambiente um produto de consumo, uma vez que para os partidos tudo quanto seja de fácil adesão pública também tem elevado potencial politico. Mas, ainda que se coloque de parte essa questão, sobra a de se perceber como se institucionalizou o ambiente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De facto, quando se olha para as instituições a que as preocupações ( ?) ambientais deram origem e para a natureza da sua actividade, percebe-se que o ambiente é ( ainda ) um assunto de conteúdo demasiado difuso, o que contrasta com o peso institucional que já representa. A verdade é que se trata de uma área mal delimitada apesar dos anos que já leva na agenda politica . As dificuldades formais em estabelecer fronteiras entre o que é do ambiente e o que não é , são óbvias. Elas observam-se nos planos curriculares que pretendem formar Engenheiros do Ambiente, na escolha das perguntas para os questionários das “Olimpiadas do Ambiente”, nas sobreposições e conflitos de competências dentro da administração pública central, regional e local, vêm a público em situações como nas obras dos “diques” da Caparica, na aprovação de PIN’s,n a gestão municipal em áreas “protegidas” , etc. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dou de barato que são indecisões naturais num processo em maturação lenta. No entanto essa natureza difusa das fronteiras do que é ambiental, tem dado origem a especialidades, objectos e produtos ambientais , que naturalmente entram em conflito com áreas de competência de outras instituições pré-existentes. Para minorar esses atritos tem-se feito o habitual: cria-se legislação e uma burocracia para a administrar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, &lt;strong&gt;além de produto de consumo e campo ideal para a prática de activismos vários, o ambiente já é também uma burocracia&lt;/strong&gt;. Não necessariamente uma burocracia criada para gerir uma agenda própria, mas sobretudo para gerir os danos reais ou eventuais das restantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até aqui ainda chego, apoiado na mesma atenuante da “imaturidade” politica da governança, pois numa situação de maturidade politica, as &lt;strong&gt;preocupações relativas à sustentabilidade das interacções com o meio e à equidade nas interacções com o outro, deveriam constituir uma presença constante e transversal a todos os sectores da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Onde já não consigo acompanhar é na suposição de que este eventual desiderato se obtenha pela criação de novas burocracias institucionais para…promover o consumo de natureza!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto, é o que se passa !&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sob a responsabilidade do Dr Henrique Pereira dos Santos, o ICNB pretende levar 130.000 gaiatos ( estimativa da população no oitavo ano de escolaridade ) a passar trés dias e duas noites nos Parques naturais, no âmbito de um ambicioso projecto que julgo chamar-se “Escola na Natureza”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como a "plateia" aplaudiu em pé e eu permaneci desanimadamente sentado, terei que me justificar. É justo! Mas para isso este post não chega…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-5406063584188743954?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/5406063584188743954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=5406063584188743954' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5406063584188743954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5406063584188743954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/03/o-que-natural-bom.html' title='O Que é Natural é Bom !'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-1894848483864126648</id><published>2008-03-25T12:15:00.002Z</published><updated>2008-11-06T14:03:57.581Z</updated><title type='text'>Luanda 92</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Será  imprescindível uma pós-graduação  em económicas e um mestrado em correntes fortes, com  o consequente domínio dos impenetráveis jargões corporativos, para se perceber que o pressuposto de disponibilidade permanente, imediata e em potência, que o nosso paradigma civilizacional incorporou como condição estruturante  na sua relação com o uso da energia, é um problema ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem pense que sim, que é necessário, e defenda implicitamente  que há temas que apesar do seu  manifesto interesse público, deviam constituir matéria  reservada a “especialistas”. Pessoalmente, discordo. Não vejo que a melhoria da racionalidade da governação possa decorrer divorciada da cidadania. Reconheço que o ambiente social dominante de  crise da memória e do conhecimento, deixa a cidadania sem as ferramentas intelectuais necessárias para um contributo sólido à boa decisão politica. Mas isso não deve servir de pretexto a excluir da esfera pública o direito de ter opinião. Pelo contrário. Mas  ao dever do conhecimento  fundamentado das matérias sobre as quais importa que se tenha e se expresse opinião, terá que estar associado o dever não menos importante de tornar esse conhecimento acessível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o que sucede no caso da energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas habilitadas já disseram de formas bem mais eloquentes do que eu serei capaz, que no actual  contexto de consumo não há como olhar para a questão da energia como se houvesse  um &lt;em&gt;fix &lt;/em&gt;ideal, isto é, um conjunto integrado de modelos de produção e uso acessível, duradouro e inócuo. Do balanço que fazem entre vantagens e inconvenientes das abordagens convencionadas,  retiram como corolários a necessidade de diversificar soluções para reduzir dependências. Daí os avanços no sentido das ditas energias alternativas, do lado da produção,  e agora em direcção à eficiência energética, pelo lado do consumo. Discutem-se perdas e ganhos económicos destas medidas. Mas a síntese final optimizada não consegue disfarçar que um consumidor de pequena dimensão como Portugal irá  continuar a  não conseguir resolver mais de 30 % da desejada autonomia para suprir o funcionamento da estrutura de consumos instalada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me evidente que quando se chega a este ponto, discutir com um electrotécnico se as perdas na distribuição eléctrica são de 10 % e podem ser de 5 % , ou se os possíveis ganhos com a armazenagem via contra-embalce da energia produzida pelas incontroláveis eólicas são de 2 ou 3 %, constitui uma  olímpica perda de tempo ! Além disso, será ainda uma perda de tempo desonesta se  se tiver consciência de que  não é a mesma coisa acabar-se-nos   a gasolina quando nos falta percorrer 70 % de um percurso de 10 km ou de 1000 km ! Ou seja, os 70 % de energia que não vamos conseguir auto produzir no médio prazo, correspondem a um valor absoluto que os números relativos não conseguem exprimir, pois em bom rigor decidir fazer a pé 7 ou 700  quilómetros que faltam para terminar  um percurso, são realidades bem distintas, cuja abordagem não pode limitar-se a um  exercício de fé numa “boleia” salvífica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acreditar que a solução quantitativa para a tranquilidade do aprovisionamento energético aparecerá numa manhã de nevoeiro e insistir na resolução do problema da energia dentro de si mesmo, isto é, como um problema estritamente técnico e económico de meios de produção e eficiência do consumo,   é tapar o sol com uma peneira.  Sobretudo quando o adjectivo sustentabilidade faz parte do discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem genuinamente pensa que não é assim, e continua defensor das virtudes das ocidentais certezas na bondade do modelo de ordenamento  centrado em grandes metrópoles concentracionárias  e respectiva logística  energética ( mais “económica”,como dizem alguns especialistas),  gostaria de lhe ouvir a tese revista depois de um estágio de um ano numa cidade como Luanda em 1992.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me de Luanda porque nos está mais “próxima” historicamente. Mas qualquer outra cidade de África poderia ter servido neste  exemplo. Podia ter escolhido Kinshasa ou Nairobi. O mesmo conceito de cidade pensado segundo o paradigma europeu e respectivo  modelo de funcionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luanda em 92  ilustrava na pequena escala  o que acontece à vida duma metrópole pensada para funcionar de acordo com determinados pressupostos de abastecimentos permanentes  de energia, quando  os ditos falham .  Prédios sem electricidade, sem água,  sem esgotos, sem elevadores. Colectores de esgotos em afloramento natural nas avenidas com as bombas elevatórias submersas e irrecuperáveis. Lixo acumulado nas ruas com as frotas municipais paralisadas por falta de combustível. Condição zero de serviços públicos. Um deserto de vegetação lenhosa num raio de 20 km. Apartamentos onde tudo quanto era madeira, desde os soalhos às portas, fora usado como combustível de recurso para confeccionar refeições. E depois,  a solução: a migração para os musseques onde assim como assim não se precisava de subir às escuras 28 lanços de escadas com um jerrican de 25 l de água à cabeça. Ou seja, a “retirada” para os musseques periféricos como solução de sobrevivência em alternativa a uma estrutura aparentemente perfeita mas que sem energia é inabitável e  colapsa na sua função primordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vale a pena procurar justificações para estes estados caóticos nas questões politicas que os depoletam ou na  “natureza” dos seus gestores. Com outros gestores o mesmo sucedeu  em Zagreb ou Sarajevo nessa altura. De resto no inverno Russo de Ieltesin também se queimaram mobílias, e  sobre o que aconteceu em  New Orleans estamos conversados e de memórias frescas, certo ? Portanto não são os “detonadores” que devem merecer  a  nossa atenção, nem tão pouco os impactos em si, mas  os factores que determinam a enorme susceptibilidade do modelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todos estes casos a questão é a fragilidade de sustentação de um modelo  de grande escala quando por qualquer razão não se conseguem assegurar os elevadíssimos mínimos críticos necessários ao funcionamento dos complexos sub-sistemas  absolutamente interdependentes que o compõem. Por isso, do ponto de vista da energia que o sustenta, o mundinho que temos vindo a construir é um edifício de tijolos sobrepostos em zona sísmica. Nada mais que isso. E quem já lhe  viu algo mais que o jardim do condomínio onde habita, tem facilmente por adquirido que as pessoas se  adaptam a quase tudo .Daí que   mande sem cerimónias  às urtigas qualquer profeta de desgraças. Mas não ser adepto de projecções catastrofistas não  significa que se tenha de pactuar com o culto pacóvio do  liberalismo burguesinho que nos leva socialmente  à recusa de nos adaptarmos por antecipação a uma mudança de paradigma na governança energética. E menos ainda com a falácia justificativa dos estafados dogmas do "economês" de serviço, que insiste em reduzir a equações monetárias a essência da economia e dentro dela da questão energética. Obviamente que também a estes fazia falta um estágio de uma semana inteira tendo por único alimento três mangas, apesar de andar com dois mil dólares no bolso das calças. Nessas alturas percebe-se melhor a artificialidade de certas  criações do espírito dos homens, como a suposta universalidade da  “lei” da oferta e da procura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-1894848483864126648?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/1894848483864126648/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=1894848483864126648' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1894848483864126648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/1894848483864126648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/03/luanda-92.html' title='Luanda 92'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-3099480662044706329</id><published>2008-03-18T23:49:00.004Z</published><updated>2008-11-06T14:03:57.582Z</updated><title type='text'>A Lebre e a Tartaruga</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;- Oh, amigo!...Sabe dizer-me para onde vai esta estrada….??&lt;br /&gt;- Olhe…Esta estrada não vai...Fica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma história antiga. É contada no Alferce a propósito de um automobilista domingueiro que numa tarde soalheira de um Fevereiro já com barbas brancas se aventurou à descoberta do destino a que levaria aquele bocado de asfalto de assentamento recente, sim, mas sem saída. Mas isso só ele descobriu depois de desenganado pelo Tóino Luis, já na entrada do Povo. O mesmo Tóino Luis que hoje reconta a polémica origem da natureza curvilínea do troço final do trajecto, fruto dum despique mal resolvido entre os partidários do tino da mula do Nunes e os incondicionais da desenvoltura do burro do César. Este, puxava mais à volta das Cortes; aquela, favorecia a Maia. Não se entenderam e foi preciso recorrer à burra da Lisete para o desempate. Acudia esta pelo nome de “Pampilha” e terá “resolvido” dividir o Alto ao meio, que foi por onde se fez a estrada que “ficava”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esclareçam-se os incautos leitores que não há melhor topógrafo a marcar curvas de nível que uma besta carregada e de regresso ao aconchego da ramada ao fim de um dia de lavoura. Dessa ciência se serviram os primeiros florestais que trouxeram os eucaliptos para as curvas de nível das serranias portuguesas. Mas não é este o assunto. O assunto é mesmo o automobilista domingueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se o bom homem retemperou o espírito aventureiro picando presunto, pão caseiro e tinto do Rogil na taberna da Inaicinha. Duvido é que o tenham deixado prosseguir jornada sem ajuizar as qualidades do medronho do Varela, num tempo em que ninguém sonhava em soprar “balões” da Guarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o descendente daquele automobilista primordial sopra “balões”, mas em compensação já não precisa de voltar para trás, claro. A estrada segue para São Marcos ou para Portimão, consoante se escolha, na bifurcação à chegada ao Povo, mesmo em par do café do Teodoro( onde antes era a tasca da Inaicinha ). Em qualquer dos caso dá ligação à auto-estrada, essa entidade que, como quase tudo nos tempos que correm, nos permite dar a volta ao mundo em menos tempo do que leva a arder um fósforo. Bem entendido que para isso as auto-estradas já não foram marcadas pelas bestas clássicas. Já são do tempo em que as bestas de quatro patas tinham entrado em desuso e como  ninguém gosta de regressos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ P’rá frente é que é caminho”, diz-se! E Diz-se bem ! Voltar ao antigamente ? Livra lagarto ! Bom sinal ! Sinal de que apesar das lamúrias os anos vão de “vacas gordas”. Ou para sermos mais exactos, de auto-estradas.&lt;br /&gt;Nada de solavancos, curvas, buracos, cabras a atravessar, nada! Cruise - control e GPS ligados, bom som, e a pausa para a mijadela e a bica da praxe na asséptica área de serviço devidamente certificada pela ASAE. Pena a recente embirração com os fumadores ( fundamentalistas dum cabrão!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dá-se o caso que, por conta da cigarrada obrigatoriamente exterior, se proporcionam dois dedos de inesperada prosa com o velho Almerindo, que passava de pasteleira pela mão na subida da carreleira de terra do lado detrás da vedação da infra-estrutura. O automobilista olha-o como se estivesse a olhar para uma cena plasmada de um filme revivalista produzido num outro mundo surrealista. Cruzam-se os olhares e o outro cumprimenta, imagine-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boas ...&lt;br /&gt;- Boa tarde !&lt;br /&gt;E ao nosso automobilista, moderníssimo, dá-lhe para a curiosidade etnográfica e prossegue o inesperado diálogo.&lt;br /&gt;- Então o amigo…para onde vai?&lt;br /&gt;- Até ali mais adiante…&lt;br /&gt;Responde o outro apontando o queixo para o lado detrás de uns azinhos que se viam à distância na meia encosta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;- Então…e quanto tempo leva a lá chegar de bicicleta?&lt;br /&gt;- Eh ! Coisa duma hora...&lt;br /&gt;- Uma hora?! Numa hora estou eu a 200 km daqui com este meu carro de 200 Cavalos !&lt;br /&gt;E com o olhar seguro aponta impante o luzidio BMW ecológico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De regresso à auto - pista e uma meia dúzia de quilómetros mais abaixo, inesperadamente, a coisa corre mal. Numa longa recta em ligeira descida experimenta-se accionar o botão do motor electro-ecológico-auxiliar (o tal que aproveita a energia das travagens) a ver até onde ia o ponteiro. Que potência! E o ponteiro lá ia descendo a escala. Mas na direita larga feita a fundo, o bólide perde apoio traseiro , levanta voo, passa por cima dos rails de protecção e vai amarar os peitinhos na ribeira que corria vinte metros lá abaixo. Valha-nos que caiu bem, quer dizer, na horizontal e sobre água líquida. Menos mal, portanto. Os air-bags ecológicos abriram na perfeição e com a velocidade a que tudo aconteceu nem tempo houve para o suposto susto. Vantagens da tecnologia. O pior foi a saída da viatura, feita com aguinha pela braguilha e consequente submersão tecno-ecológica geral: cruise-control, GPS, ABS, tudo! Estava ele, portanto, tecnologicamente desamparado, de Armanis e Cerrutis de molho e a maldizer não ter optado pela versão “scuba diver’s” do telemóvel ( traduzo: resistente à água até 200 atmosferas de Planck ) com internet por satélite ( mas a seco, claro ) quando aparece o outro pedalando a pasteleira pela margem da ribeira. Parou ao lado, lá na margem. Puxou para cima a pala da boina e enquanto sacava a mortalha de Definitivos para enrolar o cigarrito, foi inquirindo calmamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Atão amigo ?! Tá dando de beber ó gado ?!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-3099480662044706329?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/3099480662044706329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=3099480662044706329' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3099480662044706329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/3099480662044706329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/03/lebre-e-tartaruga.html' title='A Lebre e a Tartaruga'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-5010961638035454887</id><published>2008-03-15T19:22:00.002Z</published><updated>2010-10-12T15:00:56.067+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Energia'/><title type='text'>Big is Possible ?!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;No post anterior deixei  algumas notas  à leitura do Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética . Delas retirei  como facto positivo e  elemento inovador a louvável introdução da variável eficiência na equação energética, com o saudável propósito de  lançar as bases dessa muito necessária alteração de perspectiva e de prática na nossa gestão da energia. Mas exprimi também as minhas reservas em relação à estratégia preconizada. Elas têm a ver  com a efectiva eficiência energética  marginal  das medidas propostas, dado o modo como está gizada a sua prossecução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobraram-me as questões  estruturais e é por elas  que regresso ao tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutras oportunidades já defendi neste espaço que a meu ver uma das principais razões da falta de elasticidade do modelo de aprovisionamento e uso da energia da nossa civilização, está associado ao tipo  de ordenamento  que a estrutura( económico, social, urbano ), e  consequentemente à potencia e  escala energética que o seu funcionamento implica. Tenho defendido nessas oportunidades que o desconcentracionismo urbano  seria um caminho possível para aliviar a pressão dessas dependências. Defendo ainda que esse caminho nos permitiria  ao mesmo tempo potenciar as soluções de aprovisionamento alternativo já existentes, tornando mais efectivas tecnologias como a eólica, a fotovoltaica, ou a biomassa.  Mas não é por aí que este  Plano nos leva, e nessa medida não o considero  estruturante da alteração que todos clamam ser necessária ao paradigma de uso que fazemos da energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, ele não deixa indicação de que esteja coordenado  com quaisquer  outros  Planos  que prevejam corrigir as assimetrias de ordenamento que são também responsáveis  pela rigidez do modelo de consumo de energia. Ao não fazê-lo, o Plano agora proposto  subutiliza  um conjunto interessante de medidas que, se  aplicadas numa  base regional com particular incidência nas regiões mais deprimidas, poderiam contribuir  para   corrigir as deformações quantitativas do  modelo de consumo de energia. A meu ver, sem  a activação das bases desse  reordenamento , o Plano  será mero paliativo de consciência na forma absurda como pensamos a energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentarei explicar porquê com a ajuda de  algumas das medidas concretas  que ele preconiza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sabido que a desertificação humana das aldeias, vilas e cidades do interior português,  constitui um triplo problema de(1) desestruturação social,  económica e patrimonial dessas localizações, (2) de acréscimo  da  pressão populacional sobre os grandes centros urbanos,  (3)  de agravamento dos custos de gestão social ( educação, saúde,…) e consequente  quebra geral  de qualidade de vida. Ora um dos problemas sempre invocados em relação à permanência  nos pequenos   meios urbanos é  a habitação, i.é,  o custo acrescido implícito à recuperação urbana de acordo com os objectivos de conforto da modernidade. Tanto assim é que se têm multiplicado os programas ditos de requalificação urbana ( Polis e outros…) na tentativa de travar a degradação de um bem patrimonial que ( supõe-se ) se considera valioso e por isso se pretende preservar. Mas  quem conhece os casos de execução sabe que os trabalhos se ficam pelos arranjos exteriores e pela repintura das fachadas . Assim, e apesar dessas  obras, aldeias e centros históricos de  vilas e cidades ( inclusive das grandes ) continuam evoluindo para desertos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, 200.000 caixilhos  eficientes, outros tantos  recuperadores de calor, 1 milhão de  frigoríficos A+ ou A++,  painéis solares nos telhados , juntamente a isenções de contribuições autárquicas, sisas reduzidas, rendas ou  crédito bonificado, uma melhoria significativa dos transportes públicos,  seriam seguramente medidas conjugadas pertinentes para levar muito boa gente a (re)considerar  permanecer ou migrar para o interior, sabendo-se como se sabe que  a infra-estrutura existe e tem qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto, as medidas preconizadas no Plano seriam elas próprias dinamizadoras dos pequenos negócios de base local actualmente  moribundos ou incipientes, potenciando as economias de pequena escala. Calor verde ? Com certeza !  Mas numa relação de proximidade com as fontes naturais de biomassa, sob pena de se perder em transporte o ganho teórico da esperada eficiência. Caixilhos eficientes ? Muito bem ! Mas produzidos por serralharias e carpintarias locais. Aquecimento solar de água sanitária ? Claro ! Mas adjudicado a pequenas e médias empresas locais. E, já agora, aproveite-se a boleia e relancem-se os CEF’s ( cursos profissionalizantes ) numa ligação que faça sentido com a actividade económica de base local e regional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao nível da  geração alternativa que é  preconizada no Plano ( crescimento de 10 % até 2015 ), também não se vê que exista uma preocupação de a localizar em resposta a necessidades de abastecimento local. Mas é na pequena escala que ela faz mais sentido. Se a geração alternativa ( eólicas, fotovoltaicas ) fosse um serviço público a não um negócio privado, os pequenos parques eólicos ajustados ao consumo local ( integrados e com reduzido impacto paisagístico) e as politicas locais de uso da energia com recurso a contadores bi-horários e tarifários bem diferenciados em função do potencial de geração local, seriam   capazes de reformatar  hábitos de consumo que se  têm instalado sem critério nem regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, embora os  autores do Plano  se tenham lembrado e muito bem de referir Schumaker, citando-lhe a obra &lt;em&gt;Small is Beautifful&lt;/em&gt;, eles  não foram depois capazes de localizar as medidas que preconizam por forma a materializar os pressupostos do celebrado  economista! Portanto, ou só o conhecem da conotação "verde" ou não lhe captaram a estrutura dos raciocinios! Talvez seja essa a razão porque voltam a insistir em mais uma tentativa de   demonstrar que "big is possible" !&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4179933677813336497-5010961638035454887?l=manuelrrocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/feeds/5010961638035454887/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4179933677813336497&amp;postID=5010961638035454887' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5010961638035454887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4179933677813336497/posts/default/5010961638035454887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manuelrrocha.blogspot.com/2008/03/big-is-possible.html' title='Big is Possible ?!'/><author><name>Manuel Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06353136825479182750</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4179933677813336497.post-1037442808808210683</id><published>2008-03-13T22:23:00.003Z</published><updated>2010-10-12T15:00:56.069+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Energia'/><title type='text'>Energia na Balança</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;O Ministério da Economia  colocou há dias em discussão pública o “&lt;strong&gt;Plano Nacional de acção para a eficiência energética”.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Desde então  tenho andado em cabeçadas intermitentes com o dito na tentativa de conseguir exercer a minha condição de público. Não é fácil. Não pela forma como o  Plano é apresentado. De facto, ele  está  bem construído e é de fácil consulta. Inclui  metas quantificadas e temporalizadas, coisa sempre boa de se ver em planeamento, e  as medidas que preconiza são coerentes entre si . O problema são as premissas em que se apoia,  cuja valia  não explicita e que não se conseguem desmontar completamente com a informação ( in)disponibilizada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de o  Sr Carlos Pimenta já ter saído à praça em defesa do mérito da iniciativa ( Expresso de há duas semanas…),  dispensando assim da leitura do Plano muitas opiniões que preferem simplificar a  vida alinhando pelo respectivo "verde-alface" de referência, julgo haver questões em aberto que merecem alguma reflexão com a ajuda da literacia energética possível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O objectivo quantitativo do Plano é a poupança até 2015 de 10% do consumo Nacional de energia, e com isso espera conseguir reduzir em 1% ao ano o crescimento previsto  da factura energética. O argumento justificativo do Plano não remete para questões de valoração absoluta da estrutura qualitativa ou quantitativa do consumo Nacional. Essa valoração é relativizada por referência à “intensidade energética” ( consumo de energia/ Milhão de PIB ) média da EU a 27, com a qual assume a necessidade de convergir num valor que é actualmente situado em cerca de  120 tep / milhão do PIB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o paradigma “intensidade energética média” da EU a 27 é tido como correspondendo à estrutura ideal de consumo de energia, mas não se explica porquê. Também não se refere que o consumo bruto de energia não possa aumentar. Mas deixa-se entender claramente que nisso não se vê inconveniente desde que decorra  em linha com o crescimento do PIB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Plano, embora  omisso  sobre a politica a seguir caso o valor de referência se altere,  propõe um programa de 12 medidas para realizar essa convergência. Essas medidas  alinham maioritariamente pelo lado da melhoria da eficiência do consumo. Incidem no transporte, uso doméstico e  serviços. Começo por partilhar algumas reflexões que me suscitaram algumas delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Redução em  20% de veículos ligeiros com mais de dez anos em circulação&lt;/strong&gt;. Sabe-se, portanto, que a circulação desses veículos tem um peso efectivo considerável no consumo final de energia do subsector dos transportes ?! Já agora: qual o seu destino após a troca por novos mais eficientes ? África ou reciclagem ? No caso desta, o custo energético da reciclagem do velho,  acrescido ao custo energético do novo, é  inferior ao acréscimo de consumo que implicaria a manutenção do velho em cir
